sexta-feira, 7 de junho de 2013

Entrevista:




Os canadenses do Fen estão na ativa desde 1998, isto é, são 15 anos na estrada, o que denuncia a experiência dos músicos, principalmente de seu líder e mentor, o vocalista e guitarrista Doug Harrison. Exímio compositor e letrista, Doug levou a banda nas costas por um tempo até que a formação do início, com Sam Levin (guitarra/vocal), Jeff Caron (baixo) e Nando Polesel (bateria) resolveu se reunir e gravar o álbum mais pesado e direto do grupo. Trata-se do quinto petardo que tem o nome de “Of Losing Interest” e foi lançado em 2012. Conversamos com Doug sobre todos esses aspectos e mais um pouco na entrevista abaixo, confira.

“Trails Of Gloom” (2010) foi o álbum mais bem sucedido da banda. Houve alguma pressão para compor e gravar “Of Losing Interest”?
Doug Harrison: Algumas bandas começam com um álbum incrível e os que se sucedem são progressivamente pior. Nós temos ido pela trajetória oposta - a começar com um álbum muito ruim (“Surgical Transfusion of Molting Sensory Reflection” em 2000) e com a esperança de terminar com um que é incrível - por isso sempre colocamos pressão em nós mesmos para fazer o próximo melhor do que o último. Dito isto, porém, com "Of Losing Interest" não havia nenhum desejo de repetir ou melhorar o que aconteceu no "Trails Of Gloom". O consenso era escrever canções que fossem mais otimistas, direcionadas, e com guitarras mais pesadas.


Qual a principal diferença entre estes dois trabalhos?
Doug: A formação da banda é a principal diferença. "Trails Out Of Gloom" foi essencialmente um projeto solo com o nome de Fen, onde eu escrevi as canções, gravei os vocais e guitarras, e trouxe Mike Young do The Devin Townsend Band para tocar baixo, e o produtor Mike Southworth para bateria. Com "Of Losing Interest", o Fen voltou com o primeiro line-up de 1999, com Sam Levin na guitarra, Jeff Caron no baixo e Nando Polesel na bateria. Compor o álbum foi muito mais colaborativo, com várias músicas unindo peça por peça com todos nós quatro trabalhando em ideias. O resultado foi definitivamente mais colorido do que o "Trails".


O novo trabalho mostra uma sonoridade um pouco mais direta, mas mantém as características da banda. O que você poderia nos falar sobre isso?
Doug: Algumas músicas tentamos mantê-las mais curta e direta possível, como canções pop. Foi um desafio para comprimir uma música inteira em pouco mais de três minutos. Durante o processo, tínhamos que ser rigorosos sobre quais partes poderiam ficar e que tinha que sair, isso nos deu uma pequena noção do que poderia ser do tipo como é para os artistas que estão sempre pensando o que fazer para tocar sua música nas rádios. Quando viemos para a gravação, pedimos ao nosso produtor Mike Southworth um som cru, quase do tipo ao vivo. Mantivemos overdubs e harmonias ao mínimo.



“Of Losing Interest” consegue aliar peso e sutileza ao mesmo tempo. A que você acha que deve este fato?
Doug: Sam é um guitarrista que toca com muito peso, mas ele ama detalhes, e eu acho que é de onde a sutileza vem. Se você analisar seus riffs, alguns são como mini-canções tudo por conta própria, com uma introdução, um meio e um fim. Ele varia o riff durante toda a canção, e não é que ele está apenas tocando-a e improvisando - há sempre alguns improvisos durante o processo de composição -, ele e nosso baixista Jeff Caron deliberam extensivamente sobre os detalhes de cada vez que um riff acontece em uma música, e a deliberação intensifica, uma vez que se resume a gravação. Ao vivo a vibe é diferente. Durante o show, Sam geralmente adere à versão gravada, enquanto Jeff gosta de improvisar.


É interessante notar que, mesmo executando um som Progressivo, a banda consegue produzir músicas acessíveis. Isto é, mesmo sendo técnica e complexa, a música de vocês não é direcionada apenas a um tipo de público. Você concorda com isso?
Doug: Sim, eu concordo. Nós não tentamos soar progressivos. Mas nós gostamos de mexer com compassos ímpares, e nós gostamos de nos desafiar musicalmente, por isso é inevitável que certos aspectos de nossa música façam alusão ao gênero progressivo. Nosso principal objetivo com "Of Losing Interest" era apenas escrever boas canções. Parece que se você escrever uma música muito bem, então qualquer complexidades dentro dela serão encobertos e as pessoas nem sequer se preocupam com eles - elas estão tão envolvidas no poder da música. Por exemplo, eu nunca ouvi alguém falar que a música do Queen é progressiva, e suas músicas estão em todo o lugar.


O título do álbum “Of Losing Interest” soa forte e impactante. Fale-nos um pouco como chegaram a este nome e um pouco sobre o conceito por trás das letras.
Doug: A canção Of Losing Interest é sobre um cara que se encontra desvinculado da vida. Ele está perdendo o interesse em tudo ao seu redor. Durante os encontros sociais ele não pode esperar até que a outra pessoa vai embora. Ele não encontra alegria em estar perto de crianças. Ele é basicamente uma parede de miséria. O álbum conta com algumas canções com uma perspectiva semelhante anti-social, de modo que o álbum pegou o nome da música. O pico apocalíptico desta perspectiva é a canção A Long Line, que descreve toda a população humana andando um por um para fora da borda da terra.


Como tem sido a divulgação do novo trabalho? Tem superado as suas expectativas? Em quais países ele tem se destacado mais?
Doug: Tem sido ótimo obter uma reação positiva e forte sobre o álbum. Porque é muito diferente do que seu antecessor e algumas pessoas ficaram desagradavelmente surpreendidas, mas isso sempre vai acontecer. Fomos informados de que há um bom zumbido do Fen acontecendo na Espanha, e nós tivemos um excelente apoio da revista This Is Rock de lá.


Em relação a shows, como tem sido a reação do público diante das novas músicas? E como anda a agenda da banda?
Doug: Acho que as novas músicas estão se saindo melhor ao vivo do que qualquer outra coisa que já fizemos. As músicas do "Trails" têm um monte de peças tranquilas que ficam submersas em um ambiente de bar. "Of Losing Interest" é mais emocionante ao vivo. Nos movimentamos mais. As músicas são um pouco mais Rock 'N' Roll e puxam as pessoas para fora, em vez de transformá-las por dentro.


O Brasil tem um bom público que aprecia o Rock e o Metal progressivo. Você conhece algo da
cena daqui? Pretendem se apresentar por aqui algum dia?
Doug: Eu costumava ouvir Sepultura, quando eu era mais jovem, mas, infelizmente, essa é a medida do meu conhecimento de bandas brasileiras. Você pode recomendar alguma coisa para mim? Seria incrível se Fen pudesse ir para América do Sul um dia. A garota que faz backing vocals para a gente nos shows tem família no Brasil e em poucas semanas atrás ela estava perguntando quando vamos fazer uma turnê por aí. Continue a espalhar a palavra sobre o Fen e quem sabe isso pode acontecer!


Este espaço é para você deixar uma mensagem aos leitores.
Doug: Obrigado a todos que tem apoiado o Fen ao longo dos anos. Quem não tem nos ouvido pode ouvir nossos dois últimos álbuns gratuitamente no Bandcamp:


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