sexta-feira, 28 de junho de 2013

Entrevista



Impressiona quando uma banda lança o seu primeiro trabalho em alto nível profissional e já se destaca na mídia especializada. Este é o caso dos paulistanos do Attractha, que vêm recebendo ótimas críticas pelo trabalho apresentado em seu EP de estreia intitulado “Engraved” (2012). Desde 2007 na ativa, formado pelo guitarrista Ricardo Oliveira e pelo baterista Humberto Zambrin, a banda encerrou as atividades em 2011, mas logo retornou no ano seguinte após recrutar Marcos de Canha (vocal) e Guilherme Momesso (baixo) e sentir que a coisa pode fluir, fato consumado em seu único e já citado EP. Conversamos com o simpaticíssimo Humberto, que, com respostas esclarecedoras, nos falou sobre “Engraved”, além do pouco espaço para shows, a produção do primeiro álbum e como a banda tem os pés no chão. Confira!

Pra começar, explique o significado do nome da banda. Acredito que não seja uma curiosidade particular (risos)
Humberto Zambrin: (gargalhadas) Ótima pergunta! Bom, hoje em dia é muito difícil você batizar qualquer coisa, seja banda, música, loja, marcas, devido à globalização. Me parece que qualquer ideia de nome, por mais absurda que ela possa ser, você pesquisa na internet e vê que ela já pertence a alguém. Quando nos sentamos pra pensar num nome, tudo parecia que já existia. Então me lembrei que, nos idos de 2003, tive um projeto de banda com uns amigos e que cogitamos usar o nome de uma mulher como nome da banda. Com isso em mente, fui procurar personalidades na história cujo nome pudesse ser usado. Logo de cara, me deparei com o nome Attracta (pronuncia-se atrácta), que seria o nome de uma freira, devota de Saint Patrick. Parei aí mesmo! Um nome ligado à igreja não era o que eu queria, mas algo ligado a Saint Patrick me pareceu legal, uma vez que falamos de festa e cerveja! (risos). Como existiam centenas de referencias para esta grafia, sugeri uma mudança acrescentando o “H” no final. Então o nome simplesmente é uma variação de um nome feminino irlandês. Vale à pena mencionar que, mesmo com a inclusão do “h” ainda é pronunciado da mesma forma, em português. Muita gente acaba falando “atráxa”, mas o correto é Atrácta! (mais risos)

Marcos de Canha
A banda surgiu em 2007, mas em 2011 deu uma parada devido à falta de produtividade e dificuldades de estabilidade de formação. Afinal o que aconteceu?
HZ: Bom, senta que lá vem estória! (risos) Basicamente o que ocorreu foi falta de foco. Montar uma banda do “zero” é muito difícil se você não tem o time todo. Quando tive a idéia de montar a banda, chamei vários amigos, mas, desde o início, sempre faltou um vocal. Daí a estória se divide em 2 partes: a da formação do núcleo (baixo, guitarra e batera) e a do vocal. O núcleo da banda demorou pouco pra se formar, começamos com 2 guitarras e acabamos ficando com uma só, com o Ricardo, que é o co-fundador junto comigo. No baixo tivemos o Leonardo Martinz, que tocava comigo desde 1996, em vários projetos. O Leonardo saiu por um período, bem no comecinho da banda, ainda em 2007 e acabou voltando em 2008 e ficou até 2011 quando paramos. Essa é mais ou menos a estória da formação do núcleo da banda. Agora o vocal sempre foi nosso maior problema. Testamos dezenas de caras. E te digo, acho que é a peça fundamental das bandas e a mais difícil de se acertar. Nenhum dos que testamos acabou encaixando direito e dai a banda foi perdendo o foco. Entramos num ciclo vicioso onde ensaiávamos e compúnhamos, mas não tínhamos vocal e não conseguíamos vocal porque não nos apresentávamos e não conseguíamos sair do marco “zero”. Até que durou muito (risos). Em 2011 eu conversei com o Ricardo e Leonardo e decidi parar, pra procurar uma banda já montada. Na sequência o Leonardo também desistiu. O Ricardo acabou ficando com o “mico” (mais risos), mas não desistiu. Trabalhou em músicas novas e no começo de 2012 ele me ligou se eu queria retomar o projeto. Conversamos e acabei aceitando, uma vez que na nossa conversa só iniciaríamos os trabalhos se completássemos a formação. E deu certo!

Neste tempo vocês trabalharam em alguma banda ou outros projetos?
HZ: O Ricardo continuou trabalhando em composições para o AttracthA mesmo e eu nesse meio tempo tentei montar um projeto com músicos das bandas King Bird, Santarém e Preacher. Mas pelos problemas de agenda acabou não rolando...

Ricardo Oliveira
Em 2012 vocês retornaram com dois novos integrantes, o vocalista Marcos de Canha e o baixista Guilherme Momesso. O que os levou a retornar com o Attractha e como chegaram até Marcos e Guilherme?
HZ: Bom, a retomada se deu basicamente porque tanto eu quanto o Ricardo acreditamos muito no material que a banda produz. Sabíamos que valia a pena acreditar. Mas como eu mencionei antes, só faríamos se fosse com a formação completa, então fomos à caça! (risos) O primeiro foi o Marcos. Ele é vocalista da banda Soulvenyr, de Prog Metal, que está parada devido a uns problemas de saúde de um dos integrantes. Ele tinha sido um dos vocalistas que testamos em 2010, acho. Acabamos não fechando porque o Soulvenyr era a prioridade dele e o AttracthA já estava instável demais. Liguei pra ele e ele meio que topou na hora! Fizemos um ensaio e ‘bum’! Deu muito certo, a química, o ‘timming’, a voz e capacidade dele em criar melodias são incríveis! Ele ainda vai dar o que falar, ou melhor, cantar no cenário nacional! Para o baixo tocamos com 2 baixistas num período de 3 ou 4 meses e nenhum deu certo. O último deles, Ed Carvalho, que é amigo do Ricardo de muitos anos é que nos indicou o Guilherme. Ele é outro achado! Ele é bem mais novo que nós 3, acho que uns 15 anos (risos) e traz aquela coisa da vontade de fazer a coisa acontecer! Um instrumentista sensacional e um cara de opinião forte, que contribui bastante! Foi fácil nos acertarmos e ele sacou rápido qual era a do nosso som e se ajustou muito fácil!

Guilherme Momesso
No mesmo ano lançaram o EP “Engraved” com quatro composições. Vocês já tinham essas composições antes de retornarem ou as comporão após voltar à ativa? Houve participação dos novos membros no processo de criação?
HZ: Bom, uma coisa era certa, não queríamos perder tempo! As 4 músicas do EP já estavam prontas desde a formação anterior, mas as melodias de voz foram todas refeitas! O Marcos trabalhou nelas e acho que só a Darkness aproveitou coisas da versão anterior. Todo o resto é novo e foi feito por ele. Na verdade o instrumental - batera, baixo e algumas guitarras - haviam sido gravados em 2010 para os testes com vocalistas. Para se montar o EP, aproveitamos 100% das linhas de bateria e baixo dessas gravações, regravamos algumas partes de guitarra, adicionamos os solos, vocais e backing vocals. Por isso o Guilherme acabou não tocando nas gravações, nem compondo no EP. Porém, hoje as músicas, ao vivo, soam ligeiramente diferentes, porque já possuem o “selo” Momesso de contra-baixo (risos).

Aliás, mesmo sendo um EP a banda o trabalhou com extremo profissionalismo e deve ter investido bastante nele. Vocês acreditam que vale à pena investir tanto em um disco neste formato?
HZ: Sabe, tive que pensar um pouco pra responder essa! (risos). Bom, podemos ver que, hoje em dia, as bandas estão tentando trazer aos CD’s algum tipo de inovação ou atrativo pra voltar a vender. Vejo bandas como o Ghost B.C. lançando vinil e bandas como o Stone Sour lançando CD’s conceituais, suportados com HQ’s e etc. Ainda acho complicado falar de CD físico ou formato digital, porém no nosso caso uma coisa era certa: precisávamos lançar o material! Como não estamos no nível das bandas ai de cima (mais risos) e sabemos que muito da nossa divulgação vem do boca-a-boca, da indicação, da apresentação e da internet, aparentemente o formato digital seria melhor. Uma música bem gravada para ser multiplicada em mp3 é a melhor opção, mas será que é só isso? Eu acredito que uma banda que está se lançando tem que ser completa, mostrar seu material em 360º e isso pra mim contemplou o CD físico. Sinceramente eu adorei o resultado final e tenho orgulho de mostrá-lo como nosso “cartão de visitas”. Ele retrata o que fazemos musicalmente, nossa preocupação com detalhes, com o aspecto geral em como tudo tem que ser. Neste patamar, ter algo “sólido” nas mãos pra apresentar seu trabalho é melhor. Você vai fazer um show em algum lugar e você tem mídias decentes e apresentáveis para vender, distribuir e etc. Acho muito mais profissional do que dar um cartão com um site de internet e dizer: entra lá, escuta lá! Pelo menos é minha forma de trabalhar, por enquanto! (risos). Ainda acho que o próximo álbum será nesse formato e depois vamos ver o que nos reserva o futuro. Por hora, tem valido a pena o formato físico!

Humberto Zambrin
Falando em “Engraved”, o álbum mostra uma banda que transita pelo Hard Rock, Heavy Metal e até Prog Metal. Essas são as influências da banda?
HZ: Sim, definitivamente! Individualmente o AttracthA é uma banda formada por 4 caras com 4 influências muito distintas, Hard Rock em um, Prog em outro, Thrash 80’s em outro e Thrash moderno em outro. O Ricardo, que compõe a maior parte das musicas é um cara essencialmente Hard, que vem desde Zeppelin até coisas mais modernas como Stone Sour, passando por Van Halen e Mr. Big. O Marcos é um cara de ProgMetal! Definitivamente tem uma forte influência de Dio, mas sua natureza de compor é bem Prog, com elementos de Savatage, Queen, Queensrÿche, etc. O Guilherme traz influências mais modernas como Lamb of God, Soilwork, Symphony X e coisas animais como Pantera e Rush. Já eu sou essencialmente um batera Thrash dos anos 80/90. A linha média disso tudo acaba soando como você e toda imprensa têm definido. Nossa única preocupação ao compor é com a música! Nos preocupamos em fazer algo que gostamos! Eu, por incrível que pareça, ouço nosso CD frequentemente, como um fã! É isso que sempre quis, chegar num ponto de fazer aquilo que procurei na música durante muito tempo!!

Apesar de demonstrarem técnica, incluindo o vocalista Marcos de Canha, a banda não se perde em malabarismos. Vocês se preocuparam com isso na hora de gravar o EP?
HZ: Bom, eu acho que não! (muitos risos) Na verdade não somos instrumentistas virtuosos... isso ajuda muito! (mais risos). Falando sério, não nos preocupamos com malabarismos. Nossas músicas têm convenções, levadas complexas, mudanças e brincadeiras com ritmos, mas de uma forma bem sutil. Não queremos que a parte técnica seja maior que a música. Nossa preocupação é que a música seja boa! Não estamos nessa pra ser Dream Theater ou Meshuggah... exploramos o nosso potencial, mas não trabalhamos no limite técnico de cada um. Atualmente vejo que os malabarismos se tornaram meio que “obrigatórios” em alguns estilos. Eu encaro isso como um problema, infelizmente. Vejo, depois da internet, que muitos músicos novos estão mais preocupados em se expor fazendo mil notas do que se expor transmitindo algum sentimento, alguma mensagem. Enfim, dentro da infinidade de opções que o mundo da música pode proporcionar, nos posicionamos no patamar da musicalidade como conjunto, não na individual.

Acredito que The Choice é um hit imediato, vocês concordam?
HZ: Essa pergunta é a mais legal de se responder! Com toda a sinceridade do mundo, tratamos as nossas músicas igualmente. Cada uma é feita com a mesma atenção e cuidado, sem distinção. Antes de lançarmos o CD, soltamos um single, que é a música Darkness porque tínhamos certeza que era a música mais forte do CD, como produto final. Eu mesmo sempre achei a The Choice uma música mais complexa, meio “difícil” de digerir, pelos tempos ímpares e quebrados dela. Porém, quando o EP foi lançado, ela rapidamente se destacou frente às outras músicas, o que, pra mim, é inexplicável!! (risos). Temos recebido esse feedback de todas as pessoas, então, respondo com sinceridade: concordo, surpreso, mas concordo!!



Como tem sido a repercussão de “Engraved” até então? Chegou a receber alguma resposta do exterior?
HZ: A resposta tem sido excelente! Nenhum de nós estava no meio musical há tempos, então não havia expectativa do mercado em relação ao nosso trabalho... Todas as mídias que receberam nosso material nos responderam, sem exceção, com comentários positivos e elogios. Um marco que gosto de mencionar é que enviamos o material para a Roadie Crew pelo email da revista, como orientado no site, sem atravessadores, nem indicações, simplesmente enviamos o material, por email e, pra nossa surpresa, 2 meses depois, na edição 171, estávamos como destaque na seção de demos e no mês seguinte, mencionados como promessa do Metal Nacional na edição comemorativa de 15 anos da revista! Isso é algo maravilhoso de se ver! Para o exterior, temos uma parceria fechada com a Corrosive Musik, que é uma empresa da Alemanha, fundada por brasileiros. Graças a eles, temos resenhas do nosso EP de sites da Itália, Alemanha, Holanda e Grécia até agora. Os links estão no nosso site oficial ou direto na nossa fanpage no Facebook. Estamos muito no começo, porém muito bem incentivados pelas críticas atuais!

E a agenda de shows da banda? Bastante lugares para se apresentar?
HZ: Essa é a parte dura do trabalho. Infelizmente não temos muitas propostas. Estamos em contato com alguns produtores de shows, mas a cena está complicada. Poucos locais preparados para isso cedem espaço às bandas autorais e, os festivais são muito competidos entre as bandas. De qualquer forma, temos uma festa oficial de lançamento do CD programada para acontecer aqui em SP, voltada à imprensa especializada, onde vamos convidar todos os que nos têm ajudado a uma audição, ao vivo do EP e do material novo e, já temos parcerias fechadas com bandas de amigos aqui de SP para alavancarmos uns shows em conjunto ainda no mês de Julho. Só não quero colocar datas, porque dependemos demais de fatores externos. Então divulgaremos quando estiver 100% certo! Aproveitando: produtores que quiserem nos contatar para shows, basta enviar email para contato@attractha.com! (risos)

O que vocês podem nos adiantar sobre o debut, que eu sei que a banda já está preparando pra lançar? (risos)
HZ: Nada! É segredo!! (risos gerais). Temos cerca de 60% das músicas prontas e devemos tirar uma folga em outubro pra finalizar o restante e gravar entre dezembro e janeiro. O CD deve mostrar definitivamente nosso estilo e nossa capacidade. Acho que deve ser o ponto final da frase de introdução do AttracthA no cenário brasileiro. Queremos fazer melhor que o EP, em tudo, desde as músicas até a apresentação do trabalho. Musicalmente adianto que está mais pesado que o EP e vai trazer outros elementos das nossas influências individuais que não foram captados até agora. Vai ser 100% guitarra, baixo, batera e vocal, como um disco de Metal deve ser!

Muito obrigado, podem deixar as considerações finais.
HZ: Bom, não posso deixar de agradecer a você e ao Arte Metal pelo espaço e suporte desde o primeiro momento - e parabéns pelo trabalho de vocês! Este tipo de espaço é valiosíssimo para as bandas daqui e poder fazer parte disso é sensacional! No mais quero agradecer às pessoas que têm nos apoiado nesse início, que têm divulgado nosso trabalho em todas as mídias sociais mundo afora e nos mandado mensagens de incentivo e parabéns! Obrigado de coração. Aos leitores do Arte Metal, um apelo: ajudem a melhorar a cena Metal no Brasil! Sabemos que muitos de vocês ajudam, divulgam e comparecem aos shows, mas as bandas ainda precisam de mais! Liguem pros seus amigos Metalheads de sofá e os convidem aos shows, tirem eles de casa, vamos montar uma cena mais participativa! Só depende de vocês! Um abraço a todos e espero vê-los em breve!


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