sexta-feira, 5 de julho de 2013

Entrevista



Em meio ao tradicional Metal extremo nordestino, os pernambucanos do Still Living surgiram em 2004, na cidade de Garanhuns, com uma proposta bem diferente e desafiadora: tocar Hard/Heavy Metal com uma boa dose de AOR. Sim, buscando fazer um som mais acessível, a banda, que conta hoje com Renato Costa (vocal), Eduardo Holanda (guitarra), Leandro Andrade (baixo), Clécio de Souza (bateria) e Thiago Nascimento (teclados), lançou duas demos antes de soltar seu primeiro trabalho “From Now On” que saiu ano passado e desde então vem surpreendendo não só a crítica como os fãs do estilo. Falamos com Renato, Eduardo e Thiago sobre tudo isso nas linhas abaixo, boa leitura.

Conte-nos um pouco como a banda se formou? Quando vocês criaram o Still Living vocês já sabiam que direcionamento iam tomar?
Eduardo Holanda: A banda foi formada em 2004, inicialmente conversei com Renato Santos (ex-baixista) e com Clécio (bateria) sobre a ideia de montar uma banda novamente. O que foi interessante à época foi justamente a sintonia de ideias, todos queriam a mesma coisa em termos de sonoridade, conseguimos firmar um vocalista (Esdras Freitas) e começamos ensaiar. Nesse princípio nossa sonoridade era um pouco diferente, era aquele “hardão” mais “bluesy”, na linha dos primeiros álbuns do Whitesnake e Fastway, tocávamos alguns covers, mas já começamos a compor material próprio desde o princípio também.

Como foi o processo de composição de “From Now On”? O fato de ser uma banda independente fez com que vocês se sentissem mais à vontade na hora de compô-lo?
Renato Costa: Com certeza, o fato de sermos independentes nos deu realmente uma liberdade maior no processo de criação. Nós criamos ao longo de muito tempo e selecionamos aquelas canções que representavam melhor o contexto do qual queríamos falar e até mesmo no contexto de mudança pelo qual a banda passava. Tudo foi feito com muito empenho e compromisso, porém, também com muita tranquilidade.
Eduardo Holanda: Da composição à produção do CD foi tudo muito espontâneo, conversamos e testamos muitas possibilidades para as músicas, todos opinaram e decidimos o que achamos melhor para elas, desde os arranjos até os timbres usados. O fato de sermos independentes nos dá autonomia para estas decisões, de certa forma isto nos fortalece, ainda mais com o resultado que obtivemos após a conclusão do trabalho, creio que acertamos, temos recebido excelente retorno por parte da mídia especializada e pessoas que escutaram ou adquiriram o trabalho, temos muito orgulho de “From Now On”.



A banda possui uma sonoridade que transita entre o Hard Rock, o AOR e até o Heavy Metal, estilos que possuem fãs no Brasil, público, mas não são bem divulgados por aqui, principalmente o AOR. O que vocês podem falar sobre isso?
Renato Costa: Realmente temos um pouco mais de dificuldade quanto à divulgação. Aqui no nosso estado (Pernambuco) e em alguns outros estados do Nordeste, por exemplo, a cena é mais voltada para os sons mais extremos. Mas não podemos reclamar da repercussão que nosso trabalho tem tido por aqui, apesar disso. Essa repercussão tem sido bastante boa e isso nos tem feito trabalhar ainda mais.
Eduardo Holanda: O Hard Rock tem um pouco mais de difusão por aqui do que o AOR, apesar de distintos em sua essência, os considero igualmente ricos, existem grandes bandas e grandes músicos em todas estas vertentes, há um grande universo musical proporcionado por estas bandas e é um grande desafio compor nesta linha,  isto nos motiva, cada nova música é um novo desafio para cada um de nós. Concordo com o que você citou acima, existem fãs destes estilos no Brasil, e torço realmente que estas pessoas mantenham suas mentes abertas para descobrir novas bandas.

Aliás, as composições de “From Now On” possuem uma veia calcada nos 80, mas conseguem soar atemporais. Fale-nos um pouco sobre isso.
Renato Costa: Gostamos bastante do som que fazemos! Era esse tipo de som que gostaríamos de reviver. Acredito que o que dê essa atemporalidade às canções é realmente a dose certa de melodia, juntamente ao contexto lírico sobre o qual trabalhamos. O amor e a dedicação em todo o processo também garantem a qualidade do trabalho.
Eduardo Holanda: Isto é um grande elogio para a Still, muito obrigado! Apenas compomos e tocamos com honestidade, fazemos o que gostamos, essa “veia” 80, também é um grande elogio! Foi uma década especial para a música, bandas e músicas imortais! Apesar de também achar a década de 70 fantástica com toda aquela criatividade! Nós não usamos fórmulas para compor, mas é natural que as influências venham à tona na hora de criar, não dá para fugir disso, nem acho que devamos, é interessante quando alguém diz: “essa música tem uma levada meio Whitesnake...” Considero isso um elogio também!

Mesmo sendo um lançamento independente, o álbum mostra profissionalismo por parte de vocês. O quão vocês acham importante esse investimento em um disco hoje em dia?
Renato Costa: Nessa época de internet, downloads e de uma maior facilidade de acesso à mídia, consideramos que ainda é importante o lançamento de um disco “físico”. Principalmente para os admiradores do tipo de som que fazemos. Eles realmente gostam de adquirir o álbum, ler o encarte ouvindo o CD. Valorizamos isso porque também o fazemos. Então nada mais justo do que prepararmos um álbum físico de qualidade para quem acompanha nosso trabalho.
Eduardo Holanda: Levamos a sério todos os processos, desde a composição, gravação, mixagem, masterização, arte gráfica até a prensagem, sei que muitos já decretaram o fim dos CDs, mas eles continuam sendo lançados! E nada como uma cópia física de um trabalho para comprovar o respeito de uma banda para com seu próprio trabalho e também com o ouvinte que ainda adquire o CD. Acredito que muitas pessoas ainda mantêm essa chama viva hoje em dia...

Outro fator que chama atenção são as melodias na dose certa, não deixando as músicas soarem piegas ou melosas demais.
Eduardo Holanda: Mais uma vez obrigado! Acredito que este equilíbrio adquirimos com a fluência dos ensaios, até uma música como Ghost In The Rain que é uma balada, para mim soa melancólica e não melosa... As melodias são muito importantes para nós, trabalhamos muito nos arranjos de modo geral.



Como está a repercussão do trabalho até então? Vocês lançaram ou tentaram lançar “From Now On” no exterior?
Renato Costa: Sim, porém temos tido dificuldade também quanto a isso. Tentamos contatos no Japão e em alguns países da Europa, mas não tivemos retorno. O fato é que continuamos procurando e fazendo contatos com distribuidoras mundo afora.
Thiago Nascimento: A repercussão está muito boa, nosso material já se encontra em vários estados do Brasil, estamos procurando alguma proposta para o exterior.
Eduardo Holanda: Realmente, aqui no Brasil está excelente! As pessoas que conhecem o trabalho entram em contato elogiando as músicas, ou o trabalho como um todo, a mídia especializada tem publicado excelentes reviews para o CD, tivemos o CD indicado a “melhor álbum nacional” e também “melhor vocalista nacional” de 2012 em uma votação feita por uma revista muito influente nacionalmente ao lado de nomes já consagrados. Estivemos em uma lista entre os dez melhores trabalhos nacionais resenhados em outro site especializado, excelentes blogs têm nos procurado para falarmos mais sobre o álbum, tudo está correndo muito bem, e não temos uma divulgação maciça como as bandas que tem gravadoras! Mesmo independentes temos conseguido mostrar nosso trabalho a cada vez mais pessoas. Quanto ao exterior, como disse Renato, no momento estamos trabalhando duro para viabilizar este desafio, é algo muito difícil, mas estamos fazendo nossa parte!

O nordeste tem uma cena forte dentro do Metal, mas principalmente no Metal extremo. Como o público aí tem recebido o Still Living, que faz um som mais acessível e de certa forma até comercial?
Thiago Nascimento: O público sempre nos recebeu muito bem, até então já participamos de eventos como: WACKEN METAL BATTLE, tocando com bandas Thrash e Death Metal, e nunca houve nenhum problema, pelo contrário, alguns nos parabenizavam pelo estilo de som que fazíamos, e isso é muito gratificante.
Renato Costa: Temos tido uma boa recepção, apesar da cena mais extrema. Como você mesmo diz, nosso som tem essa peculiaridade de ser mais acessível e até mesmo mais comercial. Então temos agradado “gregos” e “troianos”, dentro das possibilidades.

Como está a agenda de shows da banda? Pretendem ou vocês já tem algum contato com promotores do sul e sudeste do país?
Renato Costa: Essa tem sido nossa maior dificuldade. Gostaríamos muito de tocar em outros estados, de divulgar nosso trabalho para um universo maior de pessoas, mas não temos tido tanto êxito no contato com promotores do sul e do sudeste. Mas não desistimos. Estamos buscando novos contatos que estejam dispostos a nos levar até essas regiões.

Muito obrigado, podem deixar uma mensagem.
Renato Costa: Quero agradecer ao pessoal do Arte Metal pela divulgação e por toda a força que nos foi dada. É importante perceber que ainda há um pessoal que realmente ajuda as bandas que estão buscando seu lugar ao sol! Um grande abraço e muita paz pra todos!
Eduardo Holanda: Inicialmente agradeço a você Vitor pelo espaço que está nos concedendo para falarmos um pouco mais sobre nosso trabalho, é muito importante para todos nós, admiro muito o trabalho dedicado e respeito com que vocês tratam as bandas, em especial, as independentes, digo vocês porque há uma série de pessoas que tem nos dado esta força! Nunca esqueceremos isto, estamos no melhor momento da banda e só temos a agradecer por poder compartilhar isto! Agradecemos também as pessoas que tem nos apoiado nestes quase dez anos de banda, muito obrigado!

PALCO MP3 (download de três músicas):   http://palcomp3.com/still_hardrock/

Contatos e compra do Cd pelo e-mail: still_hardrock@hotmail.com

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