quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Entrevista



Um dos principais representantes da forte cena extrema do Ceará, o Obskure está há quase um quarto de século na ativa. Mesmo assim, no ano passado a banda soltou apenas seu segundo álbum oficial, o excelente “Dense Shades Of Mankind”, que saiu 15 anos após o lançamento de seu debut. De qualquer forma, Amaudson Ximenes (guitarra), Daniel Boyadjian (guitarra), Jolson Ximenes (baixo), Wilker D'ângelo (bateria), Fábio Barros (teclados) e Germano Monteiro (vocal), nunca pararam no tempo e mantiveram a chama da banda acesa. Conversamos com Amaudson e Fábio sobre estes aspectos, “Dense Shades Of Mankind”, o hiato de 15 anos e ainda sobrou espaço para Amaudson nos falar um pouco da Associação Cultural Cearense do Rock de qual o guitarrista faz parte, confira na entrevista a seguir.

A pergunta que não quer calar e você deve ter respondido muito a respeito. Por que o segundo trabalho saiu somente 15 anos após o lançamento do debut?
Amaudson Ximenes: Boa pergunta. Realmente, a demora é uma curiosidade que aguça os editores e as pessoas que acompanham o trabalho da banda. A principal delas foi a instabilidade e a mudança de formação. Dois anos após o lançamento do “Overcasting” (1997) tínhamos um bom material para compor um novo álbum. Entretanto, vieram as trocas e as mudanças. A formação só viria ganhar estabilidade nos idos de 2006. A partir dali, finalizamos a composição do álbum. Outros problemas de ordem pessoal com os integrantes (mudança de domicilio, paternidade, etc) viriam ocorrer. Na reta final, tivemos problemas com as artes que foram todas perdidas, o material foi todo refeito. E finalmente, o álbum chegou.

15 anos é muito tempo e mesmo assim a banda não deixou suas características de lado. Qual a principal diferença entre o debut “Overcasting” e “Dense Shades Of Mankind”?
Amaudson: A qualidade da gravação, o trabalho gráfico, as composições ganharam consistência, ou seja, buscamos utilizar os avanços tecnológicos, o aprendizado acumulado ao longo de mais de uma década, resultando num trabalho mais maduro.

O novo trabalho foi composto recentemente ou algumas composições vêm de longa data? Como foi o processo de composição de “Dense Shades Of Mankind”?
Amaudson: O álbum foi composto entre os anos de 2001 e 2008. O diferencial é que as composições foram bastante heterogêneas. Diferente do “Overcasting” que o Daniel Boyadjian compôs praticamente 80% do álbum, o “Dense Shades Of Mankind” teve a contribuição do Jolson, do Dângelo, do Fábio. As letras foram escritas por mim.



O trabalho foi lançado através de um prêmio de um edital de incentivo à música da prefeitura municipal de Fortaleza. Explique-nos melhor isso.
Amaudson: A Prefeitura de Fortaleza lançou um edital no ano de 2007, voltado para o incentivo à música em nossa cidade. Nós já nos encontrávamos em estúdio nesse período, e resolvemos submeter o projeto ao Edital em questão. O prêmio viria a proporcionar um álbum com melhor qualidade, posto que teríamos um volume considerável de recurso para fazê-lo. Acabamos sendo contemplados.

É interessante notar no novo trabalho que as três primeiras composições definem bem a sonoridade do Obskure. Ou seja, cada uma representa um elemento que compõe a sonoridade da banda, o Death Metal, a melodia e influências de Gothic Doom Metal. Sei que isso não foi proposital e que banda nenhuma gosta de falar disso. Mas como você definiria a musicalidade do Obskure?
Amaudson: Metal

Aliás, na quarta composição, Hidden Essence Rescue, há todos esses elementos juntos. Nessa música há a participação da vocalista Claudine Albuquerque que tem uma belíssima voz. Como chegaram até ela e como foi ter a participação dela no álbum, enfim ela é envolvida com música pesada também?
Amaudson: A Claudine, antes do trabalho atual com a Nafandus, cantava em bandas covers de Hard Rock e Heavy Metal locais. O arranjo casou bastante com a voz dela. Chegou inclusive a se apresentar ao vivo conosco em diversas ocasiões.

Tudo no álbum soa coeso, desde riffs, solos, a cozinha. Mas um grande destaque e que não influencia no peso das músicas são os arranjos de teclados. Fale-nos um pouco sobre esta parte essencial na música de vocês e que nem sempre é bem aceito pelo público mais extremo.
Fábio Barros: É interessante observar que ainda hoje há quem estranhe um pouco a presença de teclados nas nossas obras. Sou suspeito para falar a respeito, mas acho muito natural a inserção desses elementos na música da Obskure, embora não tenha estado presente ali desde o início. Basta atentar para as nuances de uma peça erudita, por exemplo, algo que costumo utilizar nas performances. Para mim, muito daquilo equivale ao Rock, no que deveria mais importar a qualquer bom ouvinte: a atitude, a energia envolvida nas composições. O espírito da coisa deveria sempre ser pautado na emoção. Música é isso, e quanto mais forte melhor. Sim, os teclados não atrapalham o peso da banda; muito pelo contrário, a atmosfera é notadamente essencial, quando não o principal em algumas músicas. Não vejo a orquestração como uma mistura de padrões híbridos, mas um componente até esperado para o que tocamos em grupo. A reação positiva de maior parte do público nos shows comprova o que digo. Respeito as opiniões contrárias, mas, sinceramente, creio que se trata somente de uma falta de conclusão mais esclarecida sobre o assunto. Não entendo que existam instrumentos inadequados para determinado estilo musical. No final, terá de haver mesmo é o mérito de quem faça bom uso deles, seja qual for a área.

Vocês lançaram um clipe muito bem feito para Christian Sovereign. Como surgiu a ideia de lançar um clipe e como foi produzi-lo? Hoje esse tipo de divulgação em vídeo é bem mais viável que antes, não?
Amaudson: A ideia do clipe nasceu dentro do projeto “Rock.Doc” capitaneado pela Associação Cultural Cearense do Rock, entidade local que ajudamos a fundar e desenvolver diversos projetos. Na ocasião, promovíamos um curso de áudio visual em nossa cidade voltado para a produção de documentários musicais e videoclipes de grupos ligados à entidade. Apresentamos a nossa proposta para o grupo e acabamos por produzi-lo. Foi uma experiência muito boa e a nosso ver muito importante na divulgação das bandas do circuito underground. E a rede social e a internet são fundamentais e fazem a diferença no momento de divulgar.

“Dense Shades Of Mankind” foi lançado ano passado. Como tem sido a repercussão do trabalho? O álbum chegou a ser lançado no exterior?
Amaudson: A repercussão tem sido bastante satisfatória, tivemos o material resenhado em revistas e sites do Brasil. Começamos também enviá-lo para o exterior, mas ainda não chegamos a receber nenhuma proposta concreta para lançá-lo. Entretanto, dois dos primeiros trabalhos nossos de estúdio foram lançados em vinil no exterior, na Alemanha. “Opressions in Obscurity”(demo), lançada originalmente em 1992, foi relançada ano passado (2012). E a “Uterus and Grave” (primeira demo de 1990), encontra-se na fábrica. Trata-se de um Split-EP com o No Sense, banda importante da cena brasileira. Ambos capitaneados pelo selo TLB Records, sediado em Hamburgo, na Alemanha.

Amaudson, sei que você está envolvido com a Associação Cultural Cearense do Rock, que inclusive organiza o famigerado Forcaos. A quantas anda o trabalho da associação?
Amaudson: Esse ano completamos 16 anos de existência. Foram muitas conquistas, muitas batalhas. O ForCaos é uma delas, e teve sua 15ª edição ocorrida recentemente. Devo dizer que foi importante a sua realização que ocorreu de forma itinerante e simultânea em muitos espaços da cidade e de forma gratuita. Essa experiência associativa contribui bastante tanto no nosso crescimento pessoal, quanto da cena de nossa cidade. Foram debates, publicações, livros, shows e muitos eventos ao longo da trajetória da entidade.

Este espaço é para as considerações finais.
Amaudson: Muito obrigado pelo espaço, pela oportunidade de estarmos aqui divulgando o nosso trabalho. Parabéns pelo trabalho.


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