terça-feira, 29 de outubro de 2013

Entrevista


Atualmente divulgando um trabalho histórico, o fabuloso e completo “Eurocaos – Ao Vivo” (2013), os mineiros do Uganga, mesmo tendo uma ótima repercussão com o atual álbum, não esmorecem. Afinal, a banda já anunciou para 2014 um novo disco de estúdio que, segundo Manu “Joker” (vocalista, ex-baterista do Sarcófago), é o melhor registro de sua carreira. Acompanhado atualmente por Christian e Thiago (guitarras), Ras (baixo e vocal), além do seu irmão Marco (bateria), Manu mostra que está no melhor momento com o Uganga. Falamos com o atencioso vocalista a respeito disso tudo na entrevista abaixo.

O Uganga está há 20 anos na estrada, mas lançou apenas 3 discos, além do “Eurocaos – Ao Vivo”. Em 20 anos de carreira não caberiam mais alguns trabalhos aí?
Manu “Joker”Henriques: Salve mano, na verdade nós lançamos 3 demos antes do primeiro CD (“Atitude Lotus” - 2003)  e participamos de algumas coletâneas. A nossa história é um pouco complicada pois no início éramos um projeto paralelo já que todos tocavam em outras bandas mais pesadas , eu por exemplo era baterista do Nuts. A banda no início se chamava Ganga Zumba e era praticamente Hardcore com uns lances a lá Helmet. Ficamos nessa de 93 a 97 e fizemos poucos shows já que era algo totalmente ‘for fun’, sem maiores pretensões. A partir de 97 estabilizamos formação e lançamos 3 demos: “Antes Que O Mal Cresça” (97), “100 Pressa 100 Medo”(98) e “Couro Cru”(99) todas bem distantes do som que fazemos hoje, já que a proposta musical era outra, assim como a maioria dos integrantes. Nessa época inclusive tocamos no programa “Ultra-Som”da MTV que divulgava bandas novas. Em 2002 mudamos o nome para Uganga, eu passei pro vocal, mudamos a formação e lançamos nosso primeiro álbum ainda com composições da antiga fase. Já no segundo trampo “Na Trilha Do Homem De Bem” (2006) encontramos nosso som, eu me firmei como vocalista e desde então seguimos nessa trilha. Basicamente o começo do Uganga foi outra banda, mas várias idéias já estavam lá e a partir de 2003 nos encontramos e deixamos as experimentações de lado. Eu acho que precisava ter passado por tudo isso pra voltar onde comecei , em 1986, misturando Metal e Hardcore (risos). Foi um bom aprendizado e agora estamos prontos pra seguirem frente por muito mais tempo.



Manu, você é parte da cena mineira conhecida em todo mundo, foi baterista do Sarcófago. Porém, com o Uganga, além de deixar de tocar bateria e assumir os vocais, você partiu para uma proposta musical totalmente diferente. Fale-nos um pouco a respeito disso?
Manu “Joker”: É aquilo que estava falando, minha escola na real é o Crossover, eu comecei tocando esse estilo no Angel Butcher em 1986, é dali que eu venho. O lance do Death Metal veio depois com o Sarcófago, banda que eu já era fã desde a primeira demo. No Angel Butcher nós já tínhamos blast beats, ouvíamos muito Cryptic Slaughter, Hardcore finlandês, etc... Eu já era amigo do Wagner e quando resolveram gravar o “Rotting” me chamaram, aceitei e me adaptei bem à sonoridade da banda. Pra ser sincero eu nunca fui de ouvir um só estilo de música, desde o início meu gosto foi bem variado e bandas que foram influência pro Sarcófago no início, como Sodom, Destruction, Discharge, também fizeram parte da minha formação musical.

Aliás, por que decidiu deixar de tocar bateria?
Manu “Joker”: Por necessidade. O Uganga vinha quebrando cabeça com vocalistas desde que o Leospa (nosso primeiro vocal) deixou a banda em 99. Inclusive acho que esse foi o principal fator pra termos ido para uma linha musical mais leve naquela época. Eu e o Leospa éramos o núcleo inicial da banda e depois que ele saiu me vi tocando com músicos de outras escolas. Foi legal por um tempo, abriu novos horizontes, mas não iria dar certo pra sempre.  No meio das gravações do primeiro disco o pau quebrou de vez e com a saída do baixista e do segundo vocalista assumi a função em definitivo já que cantava e tocava algumas partes desde o início. Eu ainda toco bateria no Angel Butcher ocasionalmente, toquei na tour do Tributo Ao Sarcófago anos atrás e em outros projetos paralelos, mas no Uganga sigo como vocalista tendo meu irmão Marco cuidando muito bem das baquetas .

Vamos falar do disco “Eurocaos – Ao Vivo”, afinal é um trabalho histórico. Como foi o planejamento todo do lançamento deste álbum? Acredito que tenha sido bem trabalhoso, não?
Manu “Joker”: Na primeira tour do Uganga pela Europa em 2010 nos foi oferecido gravar o show do “Razorblade Festival” na Alemanha, com excelentes condições técnicas e um preço impossível de se imaginar aqui no Brasil. O Fernando da Metal Soldiers também disse que iria gravar o show do Side B em Benavente (Portugal) e nos preparamos bem para ambos. Na verdade o que se ouve ali é o que foi tocado, nada de overdubs, etc... É a banda crua, sem maquiagens, um o registro fiel do que era nosso show em 2010. É possível até ouvir alguns pequenos erros, mas como não somos uma banda de Prog Metal tá tudo certo (risos).

Obviamente que quando vocês viajaram para a Europa vocês tinham em mente registrar aquilo tudo. Mas já havia a idéia de lançar esse material registrado por lá?
Manu “Joker”: A idéia inicial era colocar essas gravações de bônus no próximo CD de estúdio ou algo do tipo, mas depois de ouvirmos o material resolvemos juntamente com nosso empresário Eliton Tomasi que valeria lançarmos um álbum ao vivo. Optamos pelo show da Alemanha completo e os dois covers que fizemos em Portugal (Sarcófago e Seputura). Como iríamos participar de 2 CD’s tributo (Stress e Pastel De Miolos) também colocamos essas faixas de bônus junto com outras vinhetas e acabou ficando um material bem interessante. Além disso, o CD tem faixa multimídia com um documentário sobre essa primeira tour e com 2 clipes, tudo feito pelo nosso chapa Eddie Shumway da produtora Travesseiro. O “Eurocaos – Ao Vivo” estava fechado pra sair só na Europa pela Metal Soldiers mas o pessoal da Sapólio Radio de Uberaba entrou na jogada junto com a Incêndio e lançamos aqui também com uma embalagem de luxo, encarte com 16 páginas, diário da tour, slipcase... Estamos bem satisfeitos com o resultado, como disse é cru, sem maquiagens e ao meu ver é isso que se espera de um disco ao vivo.



Por que decidiram registrar um material histórico como este na Europa e não aqui na Brasil? Até porque vocês cantam em português.
Manu “Joker”: Por ter aparecido a oportunidade de fazê-lo por lá e por ser algo não muito comum em se tratando de bandas brasileiras. Comercialmente falando acho que foi uma decisão bem acertada. Sobre cantarmos em português isso nunca foi um problema, estamos voltando da segunda tour por lá, tocando ao lado de bandas que cantam em inglês, e a resposta pro Uganga foi ainda melhor dessa vez. Na Europa tem bandas fazendo sucesso cantando em Sueco, Polonês, Finlandês... Ah! ainda  tem o lance da cena nacional dos anos 80 ser muito cultuada por lá, bandas como Holocausto, Vulcano, Ratos de Porão  etc... Essa ditadura já era e quem quiser nos ouvir será assim.

E como tem sido a repercussão de “Eurocaos – Ao Vivo” tanto aqui como na Europa?
Manu ‘Joker”: Na verdade como  o álbum ainda não saiu na Europa só temos o feedback do Brasil até o momento, e está sendo extremamente positivo. Sem exageros é nosso álbum mais elogiado pela crítica até agora e as vendas estão muito boas tanto pelo correio quanto nos shows. Na Europa ele sairá no começo do ano e aí teremos como avaliar a recepção por lá.

Recentemente vocês retornaram da segunda turnê europeia. Como foi a segunda passagem pelo velho continente? Qual a diferença entre essa turnê e a turnê de 2010 que originou “Eurocaos – Ao Vivo”?
Manu “Joker”: Essa segunda tour foi ainda melhor que a primeira. Pegamos estrada junto com a excelente banda de Thrash Metal polonesa Terrordome, caras muito legais por sinal e foi uma grande festa. Ficamos menos tempo que da primeira vez, só 15 dias, mas rodamos bastante e por onde passamos fomos recebidos de braços abertos. Mesmo cantando em português a resposta foi surpreendente, esperamos voltar em breve!



Agora falando no futuro. Vocês anunciaram o lançamento do novo disco de estúdio que se chamará “Opressor”. O que você poderia nos adiantar a respeito do novo disco? Qual a previsão de lançamento?
Manu “Joker”: Cara estamos muito felizes com esse álbum. É aquilo, todo mundo fala que o novo CD é o melhor né (risos)? Mas definitivamente esse é nosso melhor trabalho e deixa longe tudo o que já lançamos até aqui. Tanto individualmente quanto nas composições, produção , arte, tudo! Pra falar a verdade eu considero meu melhor trabalho na música desde que comecei a tocar em bandas em meados dos anos 80. Fizemos um pré-produção bem cuidadosa que levou mais de um ano, gravamos com o Gustavo Vasquez no Rocklab (Goiânia) onde já tínhamos feito o cover do Stress e a previsão é sair no começo do ano. Estamos ainda negociando com alguns selos e logo que oficializarmos tudo iremos anunciar pra geral. Acredito que o “Opressor” irá levar a banda para novos horizontes.

Muito obrigado pela entrevista e sucesso sempre!
Manu “Joker”: Obrigado vocês pelo espaço. Um salve a todos que leram essa entrevista e esperamos vê-los na estrada, paz!


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