sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Entrevista



Sem esconder suas verdadeiras influências e sem medo de investir (inclusive em termos de produção) no Heavy Metal clássico, os norte-americanos do Lady Beast têm surpreendido o continente Europeu com seu Metal tradicional de grande categoria. Formado por Deborah Levine (vocal), Tommy Kinnett e Twiz (guiatarras), Adam Ramage (bateria) e Greg Colaizzi (baixo), o quinteto de Pittsburgh divulga atualmente seu primeiro registro, o EP (ou LP?) auto intitulado. Falamos com Greg Colaizzi que nos contou mais detalhes sobre o novo trabalho, a polêmica do formato do disco, o futuro primeiro álbum e até do Brasil

Apesar de contar com 9 músicas, “Lady Beast” foi lançado apenas como um EP. Por quê?
Greg Colaizzi: Há! Eu me pergunto o mesmo! Eu lancei o vinil pelo meu selo Cobra Cabana Records e sempre se referi a ele como um "LP" . São cerca de 32
minutos para ter o melhor som em 45 rpm. Isso foi até a Infernö Records lançar o álbum na Europa e as publicações de lá começaram a citar ele como EP nas resenhas. Hey! “Reign Blood” (álbum do Slayer de 1986) tem 29 minutos, pode chamar nosso trabalho do que quiserem.


Como foi o processo de composição do primeiro trabalho?
Greg: A banda sofreu algumas mudanças antes de começarmos a gravar, de modo que se tornou uma mistura louca de composições que resultaram nestas músicas. Quando tínhamos finalmente a formação ideal para entrarmos em estúdio já tínhamos uma forma de compor mais padronizada. Todos nós gostamos de vários estilos de música, mas todos sabem que o Heavy Metal é o som certo para se tocar no Lady Beast. Dito isto, temos uma grande dupla de compositores, nossos guitarristas Tommy e Twiz. Eles trazem esboços de riffs que são preenchidos por Adam (baterista) e eu. Uma vez isso feito, Deb entra num processo de convulsão e sua boca começa a espumar durante os ensaios, e assim saem as letras.




A produção do trabalho é muito boa e não soa plastificada como a maioria dos discos de hoje. Como foi o trabalho de produção e mixagem do EP?
Greg: Sim, isso foi intencional. Preferimos um som seco, como as produções mais antigas. Com poucas exceções de bandas atuais, nós não somos muito fãs de Metal com som mais moderno. Se você me perguntar se prefiro só velharia, posso lhe dizer que há certo status quo para a produção de Metal que faça tudo soar a mesma coisa. Todos os membros da Lady Beast vêm da cena ‘do it yourself’ punk. Isso faz com que pensemos que o som mais moderno seja ‘superproduzido’ ou até ‘brega’. Nosso baterista prefere perder um braço, como aconteceu com o do Def Leppard, do que ter que utilizar ‘triggers’, e eu concordo com isso. Felizmente encontramos Dave Watson para gravar e mixar este LP (ou EP?). Dave está na mesma página que nós e sabe exatamente qual o som que nos representa melhor. Tudo flui facilmente entre Dave e a banda e vamos trabalhar com ele no segundo registro.


A banda lançou o EP em 2012 de forma independente. Em 2013 o trabalho foi lançado pela Infernö Records. Como surgiu a oportunidade de ter o EP lançado pelo selo francês e como tem sido o trabalho com eles?
Greg: Eu não estou totalmente certo, na verdade! Fabian da Infernö entrou em contato com a Deb, e nós apenas fomos lá! Até aí tudo bem ! Minha gravadora
Lança somente vinil, e a Infernö lança CDs e fitas (!), por isso tem funcionado. Nós estamos muito satisfeitos com o que a Infernö tem feito por nós, nos proporcionaram diversas entrevistas e resenha pela Europa. Toda a imprensa tem sido muito positiva em toda a Europa, nós realmente esperamos que surja uma chance de fazermos uma turnê por lá e tocar nos festivais daquele continente.


A sonoridade do Lady Beast prima pelo autêntico Heavy Metal puro e direto. Essa sempre foi a proposta da banda?
Greg: Totalmente. Isto está muito em falta hoje em dia. Nós fazemos o Heavy Metal que queremos ouvir.


Nota-se influências de Accept e Judas Priest no som da banda, claro preservando as características próprias do Lady Beast. Vocês concordam com isso?
Greg: Sim! Isso é o que fazemos e não escondemos nossas influências. Usamos a NWOBHM como nosso foco central e misturamos com Rock, Thrash Metal e velocidade.




Aliás, está cada vez mais raro bandas investirem em um Metal mais clássico atualmente. O que vocês pensam a respeito?
Greg: Na minha perspectiva há mais bandas que tocam este estilo no EUA e Canadá do que em outros lugares. Mas ainda não há uma cidade, cena ou evento que seja sinônimo de Metal clássico na América do Norte. Mas quem sabe? Há alguns anos o Thrash tem renascido, tendências vêm e vão, mas eu acho que em algum lugar sempre haverá público para o Heavy Metal clássico.


No relançamento há um bônus para o cover de Ram It Down do Judas Priest. Por que decidiram incluir um cover e como escolheram a música?
Greg: Na verdade, voltando a sua primeira pergunta, a Infernö Records achou o trabalho um pouco curto para o seu público. Aí Fabien (proprietário da Infernö Records) sugeriu que incluíssemos um cover. Escolhemos Ram It Down, pois é uma grande canção e raramente é coverizada. Raramente o Judas Priest a toca ao vivo. Então, pensamos que seria uma boa escolha, inclusive para colocar no nosso set list.


Como tem sido a repercussão do EP até então? Vocês têm obtido resposta do Brasil?
Greg: Todo feedback positivo tem nos deixado sedentos para tocar em todos os lugares e lançar ainda mais registros. Acho que tivemos algumas resenhas no Brasil.


Aliás, conhecem a cena brasileira? Pretendem tocar por aqui?
Greg: Gostaríamos muito de poder tocar no Brasil. Qualquer pessoa que promova shows e festivais no Brasil podem entrar em contato conosco. Sabemos que o Brasil tem uma longa história no Heavy Metal. Sou um grande fã do Punk e Crust de nomes como Besthoven e Ratos de Porão. Gostaríamos muito de conhecer aí.


Há algo sobre um full-lenght que possa ser adiantado?
Greg: Sim, estamos encerrando a fase de composição e logo entraremos em estúdio novamente com Dave Watson para gravarmos um álbum com cerca de 40/45 minutos para não haver confusão no tipo de formato! Há algumas breves demonstrações das novas músicas no Youtube.


Muito obrigado. Podem deixar uma mensagem aos brasileiros.
Greg: Caminhe forte e livre, Brasil! Mandem-nos um convite e iremos para a sua festa! Felicidades!


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