quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Entrevista



Retornando após sete anos em silêncio (ou seria 4?! – risos), a banda carioca Avec Tristesse, que lançou dois ótimos álbuns no início dos anos 2000, trouxe em 2013 o ótimo “Use & Control”. Lançado de forma independente, o novo disco traz a essência ‘Dark’ da banda adicionada a novos elementos que vão desde o Progressivo até o Jazz. Conversamos com o agora guitarrista e vocalista Nathal Thrall (antes Nathan era responsável pelas baquetas) sobre este retorno, o novo trabalho e muito mais. Completam o time atual: Pedro Salles (vocal/guitarra), Rafael Gama (baixo), Rigeu Romeu (teclado) e Braulio Azambuja (bateria).

Por que a banda resolveu parar em 2009 e como surgiu a ideia do retorno?
Nathan Thrall: A banda parou só em 2009? (risos) Eu me afastei em 2005, as gravações do disco “Use & Control” foram finalizadas em 2006 e durante essa fase a banda fez alguns shows. Mas desde 2006 a banda esteve adormecida, acredito.

E como foi o processo de composição de “Use & Control”? Há composições que estavam guardadas da primeira época da banda?
Nathan: Tínhamos algumas coisas antigas que achamos que seriam usadas, mas o processo de composição desse disco não abriu portas para essas músicas. Músicas essas que tenho vontade de lançar em um EP junto com algumas regravações do “Ravishing Beauty” (primeiro álbum da banda lançado em 2002) e outras surpresas. Vamos conversar e ver o que pode acontecer, afinal estamos sem gravadora e com uma vontade grande de lançar os 3 álbuns na ‘gringa’, para abrir uma porta forte por lá.

Acredito que o novo álbum traz a essência Dark/Prog Metal dos dois primeiros lançamentos, mas abrange muito mais estilos. Qual a comparação você faz de “Use & Control” em relação aos dois primeiros trabalhos?
Nathan: Respondo sobre o processo de composição da outra pergunta e agora sobre essa comparação entre os álbuns, como no “How Innocence Dies” (2004), esse disco foi bem coletivo, mas ao mesmo tempo bem pessoal, pois cada música tem muito a personalidade e gosto de cada compositor. O que para mim até muda um pouco das canções do “How Innocence Dies”, onde todas tinham um pouco de todos os estilos e nesse disco cada música puxa mais para cada estilo. Mas ficamos muito felizes com a adição de novos elementos como instrumentos de sopro e termos conseguido uma qualidade muito boa na gravação e finalização.

Aliás, há elementos de jazz, música clássica e até música brasileira...
Nathan: Esse foi um dos pontos fortes do álbum, pois há muito tempo pensamos em como trazer um pouco da nossa cultura e cantar em português ainda não nos deixou satisfeito. Pretendemos trazer sempre elementos novos ao nosso som. Não escutamos só Metal e tudo que possa nos agradar e combinar será bem vindo, afinal não existem barreiras se for feito com qualidade.

E é interessante notar, que mesmo com toda essa versatilidade uma aura melancólica permeia todo o disco. Esse é o sentimento que a banda quis passar ou isso surgiu naturalmente?
Nathan: O Avec Tristesse é essa melancolia! Tudo vem a partir disso e é adicionado como elemento para contar uma história. Esse disco é uma continuação do conceito do “How Innocence Dies”, que não acabou feliz, não tinha como esse continuar diferente. Não somos pessoas tristes, ‘deprês’, somos humanos, demasiadamente humanos, logo sentimos, sofremos, temos bons momentos, mas musicalmente escolhemos contar o lado triste da vida, pois isso ajuda a colocarmos tudo isso para fora. Sabemos que acabamos por encontrar muitas almas assim, e com o passar dos anos descobrimos que nossas letras, pensamentos e forma de contar isso ajudou muitas pessoas a tirar, externar essa dor. Acredito que quando se confronta o medo e a dor, se tem chance de colocar isso pra fora e se libertar. Mas quem sabe com o passar dos anos amolecemos e focamos mais doces e felizes musicalmente.


Pedro Salles ficou a cargo da produção do disco que é mais um ponto positivo de “Use & Control”. Por que decidiram por um membro da banda produzir o trabalho? Chegaram a cogitar algum nome de fora para produzir o álbum?
Nathan: Porque não tínhamos gravadora! Produção quer dizer PAGOU A PORRA TODA! (Risos) A produção musical sempre foi feita por nós mesmos, da forma que queríamos, mas sinceramente da forma que podíamos! A Hellion foi maravilhosa com a gente na produção do “How Innocence Dies”, mas depois nos separamos e até hoje cuidamos do nosso próprio rabo.

A arte da capa do novo disco foge um pouco do conceito da banda, principalmente em relação aos outros discos. Aliás, até o logo mudou. Pode nos falar um pouco mais a respeito?
Nathan: Bom, eu estive fora da banda de 2005 até agora 2013. Eu teria feito toda a arte diferente. O Rafael é um puta artista, mas o meu conceito para a arte seria diferente.

Como tem sido a repercussão de “Use & Control” até então? O trabalho chegou a ser lançado no exterior?
Nathan: Estamos procurando tempo para fazer os contatos certos, mas todos tem que pagar contas e não vivemos da música. Fica complicado...

Como chegaram até a Warlock Produções e como tem sido o trabalho com o selo?
Nathan: O Pedro fez todo o contato e realmente tem sido muito bacana! O Rodrigo é muito profissional e dedicado! Recomendo a outras bandas.

Vocês já têm se apresentado ao vivo? Como tem sido a recepção do público para as novas músicas?
Nathan: Muito boa! Como o disco vazou sem a mixagem final e masterização, muitas pessoas já sabiam cantar as músicas. Foi muito interessante ver as pessoas cantando junto músicas que haviam sido lançadas a 2 semanas atrás! (risos) Como desde 2005 larguei as baquetas, cedendo o posto ao Bráulio, estar a frente do palco cantando e ver as pessoas de perto, cantando, se emocionando é algo muito gratificante! Realmente da para sentir mais toda a emoção!

Uma pergunta padrão já que estamos chegando ao fim do ano. Quais os 5 melhores álbuns de 2013?
Nathan: 1- Aoria – “The Constant”
2- Tristania – “Darkest White”
3- Katatonia – “Dead End Kings” (2012 mas tem q entrar porque escutei muito em 2013)
4- Daft Punk – “Random Access Memories”
5- Avec Tristesse – “Use & Control” (gargalhadas, merchan!;)

Muito obrigado, parabéns pelo trabalho e que este retorno seja duradouro! Este espaço é de vocês.
Nathan: Forte abraço a todos os leitores e nós também esperamos pela longa vida da banda novamente. Nos encontramos na estrada!


Um comentário:

  1. Ótima banda, original e promissora!
    Mas as dificuldades de se manter como músico aqui no Brasil...

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