sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Entrevista


“Keep It Hellish”, terceiro disco do Hellish War é uma aula de como se fazer Metal tradicional, assim como a musicalidade que a banda impõe desde seu surgimento em 1995. Após enfrentar alguns problemas com o posto de vocalista, JR (baixo), Vulcano (guitarra), Daniel Job (guitarra) e Daniel Person (bateria) encontraram no vocalista Bil Martins a voz certa para o Hellish War e rumou, após o lançamento do novo álbum, para a sua segunda turnê europeia, local onde a banda conquistou um grande espaço. Falamos com JR e Bil Martins sobre estes e outros assuntos da banda de Campinas/SP.

Vamos à pergunta que não quer calar. Por que tantos problemas com o posto de vocalista?
JR - Como todos já sabem, o Roger Hammer saiu da banda por questões já esclarecidas há mais de dois anos, assim como nossa primeira escolha, a Thalita. Simplesmente o que ocorreu foi que após a saída do Roger, fizemos uma aposta na Thalita. O que provou na época não ter sido a melhor escolha pra banda. Ela não se encaixou no dia a dia do Hellish e optamos por não continuar com ela. Mas já acertamos isto e estamos agora com Bil Martins, que gravou o “Keep It Hellish”, fez turnê europeia já e está há mais de um ano colaborando com o Hellish War.

E como chegaram até Bill Martins (DarkWitch, ex-Heavenly Kingdom)?
JR - Quando decidimos por não continuar com a Thalita, ele mandou uma versão da Son Of The King (faixa do segundo álbum da banda “Heroes of Tomorrow”, de 2008) e surpreendeu a todos. Chamamos ele para o teste e tivemos nossa confirmação de que ele seria o cara certo para o posto e tem se provado que estávamos mais do que certos desta vez (risos).

“Keep It Hellish” tem um espaço de 5 anos para o último trabalho de estúdio “Heroes Of Tomorrow” (2008). O novo álbum foi composto durante este período todo ou as músicas foram compostas mais recentemente? Aliás, Bill participou do processo de composição do disco?
JR - De fato, cinco anos é um longo período, mas a grande maioria das músicas foram escritas em 2010, após nossa primeira tour pela Europa, ainda com o Roger na banda. Ele chegou a gravar algumas músicas, quando ele saiu já tínhamos o álbum 90% finalizado. Algumas faixas, ou pelo menos trechos das mesmas, vem de 2009 ainda. Inclusive chegamos a tocar Battle At Sea na tour europeia de 2009. Agora, quanto a contribuição do Bil, ela se deu na melodia vocal da Phantom Ship que, tirando o refrão, ainda não estava definida, e também na letra dela. Nas demais músicas tiveram sutilezas e características dele que somaram à composição.

“Keep It Hellish” transmite garra, ou seja, mostra uma banda com ‘sangue nos olhos’. Isso pode ter sido influenciado pelos problemas de formação que a banda sofreu nos últimos anos?
JR - Creio que não. Como disse, o álbum em si já estava pronto quando estávamos com o Roger. Agora a garra e o sangue nos olhos pode ser explicado pela nossa vontade de fazer Heavy Metal e de compor músicas que representem esta vontade. Além de estarmos mais maduros musicalmente e tecnicamente falando. Tínhamos voltado de uma tour bem sucedida no exterior, tínhamos um álbum ao vivo sendo lançado, o qual foi gravado na Alemanha. Ou seja, tínhamos fatores mais do que suficientes para realizar um grande trabalho. E com a chegada do Bil, isso só cresceu.



Qual o principal diferencial do novo disco para os dois trabalhos anteriores?
JR - Existem diversas diferenças, a principal talvez esteja na pós-produção. Creio que conseguimos manter um meio termo entre a crueza e as cores presentes nos primeiros álbuns. O disco está num nível de produção mundial, assim como as músicas. Não acredito estarmos tão atrás assim de alguns ícones do Metal em termos de composição e qualidade.

O som executado pelo Hellish War é algo que poderíamos resumir como o verdadeiro Heavy Metal, ou seja, é o estilo na pratica pura e simples. Desde o início essa sonoridade sempre foi a intenção da banda?
JR - É simplesmente Heavy Metal. E esta não foi a intenção, é simplesmente o que respiramos, o que ouvimos e o que nos inspira. É natural que ao levarmos um som, este estilo seja mais latente. Temos diferenças de idade dentro da banda de até 12 anos. E todos gostamos e assimilamos este estilo nas nossas composições.

Aliás, acredito que o Brasil está em falta de bandas tradicionais de mais qualidade, principalmente o Heavy Metal. Como grandes representantes do estilo, o que vocês pensam a respeito?
Bil Martins - Creio que há muitas bandas de Metal tradicional e de qualidade. Posso citar o Hazy Hamlet, Fire Strike, Breakout, Brave e muitas outras. A cena só não é mais forte não pelas bandas, mas por outras coisas que às envolve, como promotores que investem mais em bandas covers do que em bandas autorais e o público que prefere ir a esses shows também, pagando até mais caro pra ver cópias de grandes bandas.
 
Inclusive os fãs de Metal têm se renovado por aqui e a maioria que aprecia o estilo que vocês fazem são os mais vanguardistas. Tanto que o Hellish War possui mais nome na Europa do que no Brasil. O que podem nos falar sobre isso?
Bil - Tenho notado desde que ingressei na banda, especificamente depois do lançamento do “Keep it Hellish”, que o público tem crescido para a banda, com uma faixa etária muito abrangente, tanto a galera que curte Metal há muito tempo - e é grande conhecedor de bandas tradicionalistas - quanto o pessoal mais jovem que está começando a ouvir Heavy Metal agora. Inclusive esse ano foi formado um fã clube dedicado à banda. Acho que esse fato do Hellish ser conhecido fora do país reflete bem aqui.



Falando em Europa vocês acabaram de voltar da segunda turnê pelo continente. Como foi essa passagem por lá?
Bil - Foram 14 dias, seis países, mais de 4 mil quilômetros rodados e a experiência de retornar à cidades onde a banda já havia tocado em 2009, tocar em novos lugares, rever velhos amigos, fazer novos contatos e aumentar a base de público do Hellish por lá. Passamos por Saint Éttiene, na França, Worblaufen, na Suíça, Essen e Hamburgo, na Alemanha, Roeselare, na Bélgica, Tilburg, na Holanda e Wroclaw, na Polônia. Voltaremos para a Europa em 2015 e o planejamento para essa próxima tour já começou.

Como está a repercussão de “Keep It Hellish” até então, tanto aqui quanto no exterior? Quais países tem dado mais atenção ao disco?
Bil - Posso dizer que todas as resenhas até agora foram boas, muitos dizem que esse é o melhor álbum da banda. O Hellish pode mostrar nesse trabalho a evolução em todos os quesitos, desde a produção até as composições e execução. Nos esforçamos muito. Acho que Alemanha e Suíça são os países onde a banda se destaca mais, até a próxima turnê talvez o Hellish aumente esse número, estamos trabalhando pra isso. Aqui no Brasil a repercussão está sendo muito boa também, estamos vendendo bastante CD’s e camisetas.

E como anda a agenda da banda?
Bil - A agenda está movimentada, no mês de novembro recarregamos as baterias e agora em dezembro já voltamos com tudo, estamos recebendo muitos convites para festivais e shows em casas menores pelo país. A intenção é continuar com essa vibração que a turnê europeia trouxe se apresentando cada vez mais e espalhando fogo por onde o Hellish War passar.

Muito obrigado, podem deixar uma mensagem aos leitores.
Bil - Gostaríamos de agradecer o espaço cedido pelo Blog Arte Metal para o Hellish War e mandar um grande abraço aos fãs e amigos da banda. Continuem apoiando o Hellish War e o Metal Nacional.

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