quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A Brazilian Tribute To Napalm Death – “Siege Of Grind” – 2013 - Terceiro Mundo Chaos Discos/ Old Grindered Days Records/ Cianeto Discos/ Zuada Recs/ Contra-mão Records/ Cipreste Negro Records/ Equivokke Records/ Lazy Bones Records (Nacional)

Vários selos e gravadoras, além de 21 bandas do Metal extremo brasileiro se juntaram para homenagear essa instituição do Grind/Death Metal mundial. Sim meu caro, ao menos o Grindcore, os ingleses do Napalm Death poderiam até patentear, pois não teria problema nenhum. Afinal, desde 1981 a banda vem maltratando os ouvidos mais sensíveis.

Como todo tributo e compilação, este trabalho possui seus altos e baixos. Não. espera aí! Este tributo não possui baixos, sério! Possui momentos de bons pra cima e o mais interessante de tudo é que a maioria das bandas impôs suas características nas músicas, prestando assim uma sincera homenagem.

Nenhuma das 21 bandas pode ser tachada de ruim ou fez uma produção de péssima qualidade. Nota-se um interesse mútuo e intenso por parte de todas, ou seja, a coisa aqui foi feita com prazer mesmo.

O primeiro acerto foi escolher a banda Into The End para abrir o disco. Chocante o som dos caras que contam com uma mulher no vocal (!). A execução do medley Multinational Corporations/Instinct of Survival/Your Suffer – todas do debut “Scum” (1987) é tão intensa que parece puxar o ouvinte pra dentro do aparelho para que ele possa ouvir o CD de acordo!

Mantendo a chama, a banda falecida Prey Of Chaos, executa The Kill de forma odiosa, mostrando um baita conhecimento de causa. O Social Chaos não deixa por menos em Social Sterility, do “From Enslavement to Obliteration” (1988), mantendo a fúria da original, acrescentando ainda mais podridão.

Mais um destaque, a Subcut rasga tudo com seu Grindcore em Dementia Acces, do ótimo “Utopia Banished” (1992). O Forbidden Ideas dá uma cara Death/Grind e até Thrash para Antibody, enquanto o Homicide dignifica ainda mais Right You Are de “The Code Is Red... Long Live the Code” (2006). Ainda destaco as versões de Expurgo, Expose Your Hate (ótima versão de Suffer The Children) e Ressonância Mórfica, que também ficaram magníficas.

Não soando pejorativo, algumas versões ficaram bem diferentes como o Reiketsu em Inside The Torn Apart, que mostrou uma versão Thrash/Harcore, na linha do Pro-Pain. Além dos paulistas da O Mito da Caverna que fizeram uma ode macabra para Envolved As One.

Sem exageros, “Siege Of Grind” é um dos tributos mais equilibrados que já ouvi. O fato de ser totalmente nacional, sem dúvidas, nos enche de orgulho. O melhor mesmo é comprovar a capacidade que o Metal extremo brasileiro possui. Duas palavras resumem este trabalho: merecido e digno.


8,5


Vitor Franceschini

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