quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Entrevista



Formada inicialmente para tocar covers de Metallica e Slayer, a banda carioca No Remorse está na ativa desde 2003. De lá pra cá, o agora power trio formado por Igor Rodrigues (vocal/guitarra), Erick Mamede (bateria) e Pedro Pellacani (baixo), passou a compor sons próprios e estabilizou seu line-up. No ano passado enfim, a banda lançou seu primeiro registro oficial, o EP “DemoHATE”. Conversamos com o divertido trio sobre tudo que envolve a banda, desde seu início até os planos para o debut na entrevista a seguir.

Conte-nos um pouco como a banda se formou e por que demoraram 10 anos para gravar o primeiro registro?
Igor Rodrigues: A banda se formou em meados de 2003, eu sou o único remanescente da primeira formação, onde contava com o Henry (bateria), Carlos Felipe (baixo) e Felipe Santos (guitarra solo), nenhum deles hoje tocam em alguma banda. Todos moravam no mesmo condomínio e, como fanáticos por Metallica, decidimos nos juntar para tocar algumas músicas apenas por diversão e acabamos arranjando nosso primeiro show como Metallica cover no início de 2004. No final do mesmo ano já estávamos fazendo shows como Metallica e Slayer cover. Tivemos diversas mudanças na banda até chegarmos à formação de hoje. O Erick (batera) já conhecia a banda desde 2004, quando começamos a tocar em eventos juntos, ele tocava em duas bandas de Heavy Metal tradicional, Corsarius e Rhamses, já éramos muito amigos, e ele entrou na No Remorse em 2006. O Pedro (baixo) entrou 2012, nos conhecemos na empresa que trabalhamos. Logo após ele ter visto nosso primeiro show, em 2011, quando retornou de SP, nosso baixista da época, Carlos Felipe, teve que sair da banda por problemas pessoais. Então, o Pedro praticamente comprou sua vaga na banda quando combinamos de tocar algumas músicas na casa dele e ele encheu a geladeira de cerveja. Mas, além disso, ele toca muito bem e agita muito, então era o que estávamos procurando. Já no primeiro ensaio foi excelente! Em 2013 também ficamos sem o Paulo Curty (guitarra solo que gravou o “demoHATE”), devido a problemas internos, e decidimos assumir a posição de Power Trio. E é como estamos fazendo em todos os shows e está dando muito certo! Demoramos tanto para lançar nosso primeiro registro, principalmente por causa da falta de comprometimento com a banda mesmo, por diversos momentos paramos por um tempo, não criamos nada novo e meio que era uma sensação geral, de simplesmente arranjar shows, tocar e foda-se. Não tínhamos uma visão além ou clara do que queríamos realmente, e muitos compromissos e problemas fora da banda prejudicaram. Mas o “demoHATE” saiu no momento certo, com a banda muito mais madura e com todos os músicos de fato comprometidos e com uma visão de onde queremos chegar.

E como foi o processo de composição do EP “DemoHATE”? As músicas foram compostas antes do lançamento ou havia composições que datavam do inicio da carreira da banda?
Igor Rodrigues: A única música que não é do início da banda é a Cannibal Assault, que compusemos durante uma ‘jam’ na casa do Pedro, enquanto bebíamos vodka (eu acho). Também mexemos na letra da Death Clock. Tirando a Cannibal Assault, todas as outras músicas foram criadas entre 2005 e 2008, algumas por mim e outras pelo Carlos Felipe. Growing Hate inclusive, é o primeiro riff que fiz na minha vida.
Pedro Pellacani: Eu apenas refiz a letra de Death Clock, e o Igor juntou com uma letra dele e fez uma grande salada com a letra original, que o Carlos Felipe tinha me pedido para mudar durante uma bebedeira. Fora isso, compusemos Cannibal Assault bebendo vodka na minha casa enquanto esperávamos o Paulo chegar pra ensaiar. Ele chegou depois inexplicavelmente mais bêbado que a gente, e fazendo uns solos fodas! Aqueles dedos gordos dele realmente se moviam rápido.



Apesar de investir no Thrash Metal, noto uma diferença na banda em relação a avalanche de nomes do estilo que vem surgindo não só aqui no Brasil. Afinal, as bandas se influenciam mais pelo gênero direto da década de 80, enquanto o No Remorse aposta num lado mais contemporâneo e técnico, com influências de Metal tradicional. Vocês concordam?
Igor Rodrigues: Sim, concordo, e isso é o que torna o som original. Vejo também que essa nossa característica ajudou na aceitação e apreciação do nosso som. Cansei de entregar CDs da No Remorse para pessoas que não são fãs de Thrash Metal ou mesmo de qualquer estilo de música mais pesada e agressiva, e receber o seguinte ‘feedback’: “Pô, eu não gosto de música pesada, mas adorei o som de vocês!”, isso aconteceu diversas vezes. Acho que essa pitada de originalidade no nosso som, não sendo um Thrash Metal oitentista crú, ajuda muito também a atingir outros públicos.
Pedro Pellacani: Eu não sei, cara, eu apenas tento tocar o baixo da maneira mais forte e agressiva possível... Isso não tem nada de técnico. Mas ultimamente eu não tenho quebrado o baixo ou arrebentado as cordas, então acho que é uma evolução.
Erick Mamede: Acho que devido às influências variadas que temos, isso de certa forma fica nítido no nosso som, claro, a nossa base é o Thrash Metal, mas naturalmente as músicas são levadas para um lado diferente, não sendo tão oitentista, mas que de certa forma fica bem foda.

Desde o início essa foi a proposta da banda?
Igor Rodrigues: Na real, no início não tínhamos de fato uma proposta de como seria exatamente nosso som, isso simplesmente aconteceu, então é uma característica intrínseca minha e do Carlos (antigo baixista) com relação ao processo criativo das nossas músicas. Eu acho que no próximo CD isso vai ficar ainda mais evidente, pois hoje sim temos um direcionamento de como queremos nosso som e amadurecemos muito, além de aparecerem criações tanto do Erick  quanto do Pedro. O Erick é um cara que manja bastante de Black e Death Metal, o Pedro é um cara inteligentíssimo para música e com uma influência muito forte de Heavy Metal tradicional e Hard Rock dos anos 70, e eu sou alucinado por Thrash e Death. Então, para o próximo CD vocês podem esperar algo ainda mais foda! Já tem algumas músicas que estamos tocando ao vivo e a aceitação é simplesmente sensacional, não tem como estar melhor, as rodas e a bateção de cabeça são sempre insanas!

Mesmo lançando um EP vocês investiram forte na produção do disco, tanto gráfica (em digipack) quanto na qualidade sonora.
Pedro Pellacani: Nós devíamos isso aos nossos fãs. Nunca vamos oferecer um trabalho inferior para eles, isso está fora de cogitação.
Igor Rodrigues: Cara, eu sinceramente fiquei super orgulhoso da gente com o material que foi lançado, pois ralamos MUITO para ter tudo pronto, todas as ideias das artes e como seria o material físico foram nossas, e feitas no photoshop pelo Pedro, que manja legal do programa. Com relação à qualidade sonora do EP, devemos isso aos irmãos Pirozzi, o Romulo e o Murilo, eles são sensacionais e graças a eles conseguimos esse resultado sonoro final. Pra quem não sabe, na capa do EP tem umas mensagens subliminares, essa foi ideia do Erick, ele mandou bem pra caralho! Cabe a vocês descobrirem.

O título “DemoHATE” soa forte e impositivo. Por que escolheram esse nome?
Pedro Pellacani: Isso foi uma brincadeira entre eu e o Erick. Nós três trabalhamos na mesma fábrica, e uma vez eu encontrei com o Erick em algum corredor fétido, começamos a falar algumas merdas e esse nome saiu. O Igor gostou e virou o nome do disco.
Erick Mamede: Nós antes pensamos em colocar o nome de alguma música para o nome do álbum, mas quando eu encontrei o Pedro, chegamos nesse nome. Não me pergunte como, mas acabou saindo perfeito.

Muitas bandas atualmente lançam direto um trabalho completo, um full-lenght. Vocês apostaram em um EP. Qual a importância, na opinião de vocês, em lançar um trabalho neste formato antes de embarcar direto em um trabalho oficial?
Igor Rodrigues: Na verdade lançamos primeiro esse EP pois sentimos que precisávamos urgentemente lançar algo, se fez necessário pra dar uma alavancada e como já tínhamos essas músicas no gatilho, optamos pelo EP. O bom é que o EP serviu para nos adaptarmos a toda essa atmosfera e a mecânica de funcionamento da gravação, adquirindo experiência para lançar um full com ainda mais qualidade.
Pedro Pellacani: “DemoHATE” é um trabalho oficial. O fato de ter 6 músicas não quer dizer muita coisa. Melhor ter 6 músicas fodas que 10 ou 12 faixas merdas cheias de enrolação e riffs lixo. Nosso disco é 23 minutos de Heavy Metal puro.

Aliás, quais os planos para o debut? Podem adiantar algo?
Igor Rodrigues: Bem, como já falei mais acima, podem esperar algo ainda mais original, técnico e pesado do que vocês ouviram no “DemoHATE”, estamos muito empolgados com esse full-lenght que pretendemos lançar ainda esse ano, e até final de março pretendemos lançar um single. Provavelmente teremos nesse debut de 8 a 10 músicas. A ansiedade já é grande, pois as músicas estão muito boas!!
Erick Mamede: Se você gosta de Judas Priest , ou de Behemoth, na certa você vai curtir muito.
Igor Rodrigues: Isso sim é ser original (risos gerais).

E como está a repercussão do “DemoHate”? Chegaram a lançar também no exterior?
Pedro Pellacani: Minha mãe ficou orgulhosa...
Erick Mamede: Eu tenho uma sobrinha de 6 anos que adorou.
Igor Rodrigues: É, minha família gostou bastante também... (gargalhadas gerais) Então, os feedbacks com relação ao “DemoHATE” estão excelentes, e isso só nos motiva ainda mais para o próximo lançamento. Já tivemos resenhas publicadas em diversos blogs e sites, inclusive em sites gringos, como o metal-temple.com, que teve resenha assinada pelo Marcos Garcia. Saíram ainda duas resenhas muito boas no site whiplash.net, essas assinadas por você e o Junior Frascá. Tivemos também uma resenha na edição #178 de Novembro/2013 da revista Roadie Crew feita pelo Criatiano KODA. Estamos também com a assessoria do Renato Gimli, através da Heavy and Hell Press, a partir da qual esperamos ter um alcance ainda maior do EP. Inclusive, com esse suporte, conseguimos uma parceria com uma web radio americana, a DMM Company, onde nossas músicas estão sendo transmitidas.

E como anda a agenda da banda?

Igor Rodrigues: Fizemos nosso primeiro show do ano no dia 01 de fevereiro, aqui no Rio, com a banda Supresion, da Argentina e algumas bandas locais. Temos já agendados shows para os dias 15 de fevereiro, também no Rio, e três shows no Rio Grande do Sul, nos dias 01, 02 e 03 de março, em Charqueadas e Porto Alegre. Quem está organizando tudo por lá é o Flávio Soares, do Leviaethan, uma banda gaúcha de Thrash Metal que iniciou suas atividades na década de 80. Em breve aparecerão mais datas para participações, fiquem ligados na página da banda pelo Facebook (https://www.facebook.com/no.remorse.thrash) e nos veículos de comunicação para mais informações.

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