quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Entrevista




O guitarrista Marcos de Ros dispensa apresentações. Um dos mais talentosos do instrumento no Brasil, De Ros sempre foi criativo e tem uma enorme contribuição dentro do Rock/Metal nacional. Seja como Marcos De Ros, Akashic (sua ex-banda) ou com o De Ros, o gaúcho sempre lançou trabalhos memoráveis. Em 2013, o guitarrista soltou “Sociedade das Aventuras Fantásticas”, um álbum duplo baseado nas histórias clássicas da literatura e do cinema, onde o músico criou trilhas para as mesmas. Talvez o trabalho mais ousado da carreira de De Ros que, muito simpático e bem humorado, nos concedeu essa entrevista para falar sobre o novo álbum.

Como surgiu a ideia de gravar composições baseadas em histórias clássicas?
Marcos De Ros: Eu acho que a cultura pode realmente mudar vidas, então, cheguei nessa fórmula - Usar a minha música para ajudar a difundir livros que me tocaram na infância, adolescência e por que não, até os dias de hoje. Tirando fora o Superman e o Jack Sparrow, todas as outras músicas não baseadas em literatura.

Em algum momento você chegou a cogitar em regravar temas originais das histórias?
De Ros: Não, nem me passou pela cabeça. A ideia era justamente apresentar minha visão daquelas obras.

Qual foi o processo de escolha das histórias? Há alguma que o inspirou de imediato a compor e que não poderia ficar de fora de jeito nenhum?
De Ros: Quando eu escolhi as histórias que queria musicar, eu tinha mais de 50 títulos. Quando fiz a lista do que seria completamente essencial, me dei conta que teria que fazer um CD duplo (risos)!

Impressiona como as músicas captaram o clima exato das histórias. Isso soou natural pelo fato de você conhecer todas as histórias ou você teve que estudá-las intensamente para chegar até esse resultado?
De Ros: Conhecia todas as histórias, são de livros que marcaram a minha vida. Muitas eu reli para ter certeza do que estava fazendo. Uma, em especial, foi a Pinóquio. Confesso que só conhecia a história através do filme da Disney. Quando li a história original, vi que a coisa era muita mais pesada do que o desenho mostrava, por isso a música é bem mais Heavy do que o pessoal espera.



Um fator importantíssimo que colaborou com isso foram os arranjos e a participação maciça da sua banda. Enfim, apesar de ser um trabalho focado na sua guitarra, há espaço para os outros instrumentos. Como foi trabalhar com Éder Bergozza (teclados), Thiago Caurio (bateria) e Marcel Van Der Zwan (baixo)?
De Ros: São todos amigos que conheço a longa data, e músicos de muita experiência! O segredo de produzir um disco assim, não é ficar no estúdio dando o direcionamento todo o tempo, mas sim escolher os músicos certos, que falam a mesma linguagem que você e são capazes de tocar aquilo que você pede para eles sem grandes dificuldades.

Geralmente discos de guitarristas primam pela técnica e virtuose. Em “Sociedade das Aventuras Fantásticas” isso fica em segundo plano, deixando a música fluir.
De Ros: Esse é um dos maiores elogios que alguém poderia me dar!

Aliás, o disco apresenta as nuances Rock e Metal. Você procurou manter essa essência ou isso aconteceu naturalmente?
De Ros: Às vezes eu trabalho fazendo trilhas sonoras. Para compor uma trilha, tu tem que primeiramente, entender a visão do diretor. Depois, interpretar aquilo na forma de música para encaixar na cena. Nesse caso, eu era o diretor, então, o que você ouve no disco, é exatamente o meu gosto musical. Como eu toquei Rock e Metal a vida inteira, bom, daí já viu, né?

A produção do trabalho ficou por conta de Juliano Boz e você. Como foi trabalhar com Juliano?
De Ros: O Juliano é um grande amigo, e um guitarrista excepcional! É fácil trabalhar com ele, ainda mais porque ele é um cara que realmente saca de sonoridades. Tem muitos arranjos no CD que são bem complexos, as vezes uma grande orquestra é substituída por uma banda de rock no próximo compasso, então, é necessário muita sensibilidade e conhecimento técnico para que a transição soe natural. O Juliano sabe como fazer esse tipo de coisa sem o menor problema.



Hoje em dia, devido aos downloads na internet, a venda de CDs caiu abruptamente. Mesmo assim você acaba de lançar um álbum duplo. Isso não é muita ousadia?
De Ros: Concordo contigo e, realmente acho que fui muito ousado. Mas tenho certeza que o cara que está lendo essa entrevista, sentado em frente ao computador, está pensando agora: “E se eu comprasse esse CD? Será que é caro, ou é bem barato? Acho que se eu comprar esse CD e levar na escola, a galera vai curtir! E se eu mostrar para a professora, ela vai adorar, e bobeou, vai sugerir da gente fazer uma audição do CD e comentar o que achamos das músicas! Putz, no CD tem uns textos legais que falam sobre as músicas, vai ser legal! E vou ganhar uma carteirinha de sócio da SAF! Cadê o e-mail do De Ros, vou comprar essa parada agora!!!”

Como tem sido a repercussão de “Sociedade das Aventuras Fantásticas”?
De Ros: Cara, tem sido muito legal! O que me deixa mega contente é que tem uma galerinha muito mais nova que está adorando! E as criticas tem sido bem positivas, justamente pelo fato do CD não ser tão voltado à guitarra, e sim, para as melodias e arranjos orquestrados e pesados.

Você tem apresentado as músicas ao vivo? Tem algum plano de fazer apresentações temáticas utilizando as músicas como trilha? Talvez um teatro?
De Ros: A ideia seria legal, mas não conheço pessoas que comprariam a ideia de encenar algo mais teatral, sem contar que a produção seria caríssima. Eu tenho tocado muito com trilha, o que me possibilita viajar com baixo custo. Mas uma banda está nos plano sim.

Muito obrigado pela entrevista e parabéns pelo trabalho! Este espaço é para deixar uma mensagem aos leitores.
De Ros: Agradeço demais pelo espaço e por ajudara divulgar a “SAF” (Sociedade das Aventuras Fantásticas). Para quem quiser conhecer mais sobre o meu trabalho, acesse:
E aqui, muitos vídeos (mais de 400):
E se você quiser adquirir o CD da "SAF", me manda um e-mail:

2 comentários:

Shinigami Records