terça-feira, 25 de março de 2014

Entrevista

São quase 20 anos de carreira com um único objetivo: fazer Heavy Metal sem fechar o leque de influências que o estilo proporciona. O quinteto do ABC paulista passou por tudo que a maioria das bandas passam (como problemas na formação e imprevistos com gravadoras), mas sempre manteve o legado da banda que pode ser considerada uma das maiores do gênero no país. A entrada do vocalista Leandro Caçoilo (ex-Eterna) na em 2011 só aumentou a expectativa pelo terceiro álbum e quando “Mechanical Souls” foi lançado em 2014 foram atingidas. Um trabalho consistente, impositivo e de personalidade trouxe de volta o nome Seventh Seal ao seu devido lugar. Conversamos com os guitarristas Tiago Claro e Thiago Oliveira que, muito detalhistas, explicaram sobre a produção, divulgação e muito mais do novo álbum, além de falarem da banda em geral. A cozinha que completa o grupo é formada por Victor Prospero (baixo) e Roberto Moratti (bateria).

“Mechanical Souls” saiu 6 anos após o segundo álbum “Days Of Insanity”. Por que um espaço tão longo entre os lançamentos?
Tiago Claro - Na verdade após o lançamento do segundo álbum os irmãos Ricardo e Guilherme Busato deixaram a banda para ir morar na Europa, sendo que o Ricardo era o principal compositor da banda, então passaram outros músicos na banda até chegarmos ao Thiago Oliveira. Depois que o conheci que começamos a compor esse novo álbum. Em seguida o nosso ex-vocalista Ricardo Peres deixou a banda e o Leandro Caçoilo entrou. Então tudo isso demorou certo tempo.

Aliás, a banda tem quase 20 anos de carreira, mas apenas 3 álbuns oficiais lançados.
Tiago - Exatamente por isso que falei acima, muita mudança de formação, tivemos também problemas com uma gravadora que iria lançar nosso segundo álbum e acabou não lançando, falta de verba para gravar um álbum mais rápido, problemas pessoais de ex-integrantes, então tudo isso influiu um pouco para isso. Claro que nossa ideia é não demorar mais 6 anos pra lançar um álbum, mas prefiro não prometer mais nada (risos).
Thiago Oliveira – No underground você grava discos e ao mesmo tempo tem outras responsabilidades. Lá fora é assim também. O Tiago tem a produtora dele, o Leandro tem os mil alunos (filhos) dele. No meu caso, eu além dos alunos, as bandas que eu produzo e na mesma época da produção do CD eu tocava com a Claudia Raia no musical “Cabaret”, que chegava a seis shows por semana além das viagens. Era um ritmo maluco e muitas vezes eu tocava de noite e de madrugada eu estava gravando as minhas partes. Como eu acreditava muito no material, eu acho que todo esforço valeu a pena.

Tiago Claro

Como foi o processo de composição de “Mechanical Souls”? Qual a metodologia utilizada pela banda na hora de compor?
Tiago - O Thiago Oliveira e nosso ex-baixista Darcio Beer se juntaram na casa deles, compunha, gravava e me mandava para eu ouvir e dar minhas ideias. Depois fui e gravei a Imprint Memories e Sleepless para eles ouvirem e colocar as ideias deles. Essa época eu estava trabalhando bastante então era mais fácil para todos fazermos isso, acho que foi bom para todos.
Thiago – Foi um trabalho de mula pra mim. Além das ideias eu fiz as letras, arranjos de orquestra, corais, samples. Num trabalho desse nível é muita coisa que você faz, então não é fácil e no nosso caso a bomba caiu na minha mão.



O Seventh Seal, apesar de investir em uma sonoridade com um pouco de melodia, sempre mostrou agressividade em seu som, principalmente nas partes de guitarras. No novo trabalho isso se evidencia ainda mais. Seria essa uma das principais características da banda? Isso é algo que vocês priorizam ou surge naturalmente?
Tiago - Acho que sim, nós sempre ouvimos bandas que a guitarra estava na cara como Metallica, Megadeth, Slayer com riffs, então acaba sendo natural para nós compormos assim. Lembro que passamos por algumas fases, por exemplo, no boom do Metal melódico no final dos anos 90 e início de 2000 que tocávamos com bandas do estilo e algumas pessoas associavam a banda a este estilo. Sempre no final do show o pessoal vinha falar conosco surpreso com nosso som, por ser diferente do que pensavam, já era normal para eu escutar isso (risos).
Thiago - Engraçado que na época que todo mundo investia no melódico, o Seventh tinha outra pegada. Hoje em dia boa parte daquelas bandas sumiu e pra gente as guitarras na cara e o peso só aumentaram. Pra esse CD eu já tinha em mente certa sonoridade pra seguir, que seria um som mais moderno, veloz e pesado, porém mantendo a melodia, o que seria um diferencial.Na verdade você tem que fazer o que você gosta e o que você acredita, não o que o mercado dita.

“Mechanical Souls” possui composições que segue uma linha Prog Metal, mas que se utiliza da técnica na medida certa. Essa variação rítmica e mescla de subestilos foi algo pensado?
Tiago - Nós não chegamos e falamos, olha esse disco vai ser assim ou assado, simplesmente fomos fazendo música e deixamo-la soar. Como falei acima gosto muito das bandas de Thrash que citei, mas também voltei a ouvir muito Led Zeppelin e também algumas bandas mais novas do progressivo como Steven Wilson e Pain of Salvation, assim como o Thiago Oliveira também tem ouvido coisas novas, então é uma soma de tudo.
Thiago – Eu tenho uma veia experimental bem forte, então pra mim a coisa meio Zappa, do compositor anda no meu DNA. Além disso, tem as coisas que eu andei escutando e que acabam entrando no caldeirão, tipo o Machine Head, All That Remains, Soilwork, Protest the Hero, Sikth, Scar Simmetry entre mil outras coisas fora do Metal como por exemplo o trabalho do Andrew Lloyd Weber, Pat Metheny, Toninho Horta, Debussy, Stravinski. Música é música no fim das contas. O lance da técnica eu acho que tem que servir à música. Eu, logicamente, acho ridículo você colocar coisas gratuitamente pra se exibir, mas ao mesmo tempo eu acho que você ficar se policiando pra tocar simples é igualmente obtuso. Outro dia eu estava conversando no Facebook com um redator de um site e ele falou que não aguentava mais ouvir as bandas fazendo arroz com feijão que tocavam assim, “pra passar energia” ou pela “pegada”. Acho muito mais digno você assumir a sua limitação e ser mais despojado do que arrumar desculpa esfarrapada pra compor um som banal e valorizar a mixaria através de verniz intelectual.

Thiago Oliveira

O álbum marca a estreia em estúdio do vocalista Leandro Caçoilo (ex-Eterna, Sacred Sinner, Aquaria). Como está sendo trabalhar com Leandro e como vocês avaliam o desempenho dele no novo disco? Enfim, o que Leandro trouxe para o Seventh Seal?
Tiago - Caramba o Leandro foi do Aquaria também? Não sabia dessa (risos). Mas acho que o Leandro fez um excelente trabalho, o que mais gostei é que não tem nenhum exagero no álbum e eu acho tudo muito bem balanceado e as músicas muito bem interpretadas pelo Leandro. Lembro que o Thiago me mandava as pré com os vocais dele e já via a ideia dele de melodia e curtia de primeira, ou seja da pré foi mudada pouquíssima coisa.
Thiago – Eu acho que ele foi convidado por muitas bandas de Power Metal de renome que mudaram de vocalistas e recusou todas. Acredito o que fez ele aceitar a nossa oferta foi o lance de não ter egos envolvidos e as pré produções mostravam um nível de qualidade que vai além do que outras bandas ofereceram pra ele. O que pouca gente imagina é que além dele ter um gogó privilegiado é que ele é muito bom pra fazer boas melodias. Muito pouca coisa que ele criou nas composições eu mexi e eu praticamente deixei ele livre pra fazer o que ele sabe. Quando você tem um craque no time é absurdo você ficar podando só pra mostrar que manda. Algumas pessoas que acompanham ele desde o começo no Eterna comentam que é a melhor performance dele em CD.

Outro fator positivo do disco é a produção a cargo do guitarrista Thiago Oliveira. Por que decidiram trabalhar com alguém da própria banda?
Tiago - Foi natural, o Thiago já produzia outras e estava produzindo outras bandas, chegou até fazer cursos de áudio, quando ele falou na hora aceitamos, então foi bem natural e eles fez um ótimo trabalho. Indico-o tranquilamente para outras bandas.
Thiagi – Muita gente não sabe, mas o lance de produzir vai muito além de pilotar os controles da gravação. Você tem que organizar tudo, fazer os arranjos, limar as coisas que são redundantes, você dá uma cara pro trabalho. Como eu tive formação erudita, eu também escrevo em contraponto, faço arranjos pra coral e orquestra, o que sempre vai agregar elementos que vão fazer o trabalho sair do comum. Além de tudo isso tem que administrar o psicológico e a agenda dos outros membros, que é de longe a pior parte (risos).

A arte da capa tem sido bem comentada e além de bela, é sinistra. Como foi o processo de elaboração da mesma?
Tiago - O Thiago dava aula para dois rapazes, Giovani e Daniel Gava que trabalhavam na área e se ofereceram pra fazer. O Thiago passou o filme Blade Runner para eles assistirem e falou mais ou menos a ideia que ele tinha e os dois reproduziram perfeitamente. Quando me mandaram o esboço comecei a acreditar no potencial dos dois, quando veio pronta desacreditei (risos).
Thiago – Os dois são grandes artistas e eu recomendo sempre. Eles têm uma banda ótima chamada Chains, que eu produzi e espero trabalhar com eles no futuro novamente.

“Mechanical Souls” foi lançado no Brasil pela Shinigami Records. Como tem sido o trabalho com a gravadora?
Tiago - Excelente temos gostado bastante do trabalho da Shinigami, muito profissionais, espero trabalhar com eles nos próximos álbuns.

E qual tem sido a repercussão do novo disco tanto por parte da crítica quanto por parte do público? O trabalho chegou a ser lançado no exterior?
Tiago - A repercussão tem sido acima do esperado, resenhas maravilhosas por partes de sites e revistas, chegamos a quinto lugar no ranking da Die Hard (importante loja da galeria do Rock) dos CD’s mais vendidos de Heavy Metal, e o público vem elogiando bastante. Então estamos muito felizes com o resultado. Na Europa ainda não saiu, mas temos planos para lançar por lá, vamos torcer para dar certo (risos).
Thiago – Eu sinceramente não esperava nada. Numa época em que alguns não apoiam mais as bandas nacionais e com todo o estresse que foi o processo de gravação você perde a perspectiva da qualidade do lançamento. Outro dia o pessoal do Notturnal escolheu a banda num quadro do programa Heavy Nation da rádio UOL e eu tomei um susto com isso. Acho que no fim das contas, se você investe em ter composições decentes a coisa flui.

Quais os planos para 2014, já estão preparando turnês?
Tiago - Queremos tocar o máximo possível em 2014, produtores interessados só entrar em contato pelo email sevenstarsmanag@ig.com.br e eu mesmo respondo e fica tudo mais fácil. No primeiro CD fizemos muitos shows, viajávamos bastante, sabemos que hoje a situação é bem diferente, mas queremos tocar!

Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Tiago - Muito obrigado pelo espaço, convido todos vocês a entrar em nossa página no Facebook, sempre postamos vídeos, novidades e sempre estamos interagindo com todos amigos que estão por lá. Muito obrigado!
Thiago – Valeu pessoal pelo espaço. Espero ver vocês por aí!


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