terça-feira, 10 de junho de 2014

Entrevista


São 30 anos dedicados ao underground e sempre mantendo um passo a frente em sua sonoridade. O Necromancia, clássica banda de Thrash Metal do ABC paulista, conta hoje com Marcelo D' Castro (vocal/guitarra), Kiko D' Castro (bateria) e Roberto Fornero (baix), formação essa que vem desde 1993. Atualmente divulgando o ótimo “Back From The Dead” (2012) o grupo almeja ainda muito mais, além de poder comemorar essas três décadas de existência. Falamos com Marcelo sobre o passado, presente e futuro da banda.

Apesar de estar na ativa desde 1984 o Necromancia lançou apenas 3 full-lenghts e todos com um bom espaço de tempo. O que realmente acontece para que a banda sempre tenha esses hiatos? Estas pausas são realmente planejadas ou a banda chegou a se dissolver após o lançamento de seus dois últimos trabalhos?
Marcelo D'Castro: Só paramos de 89 até 91, num momento em que fomos estudar música e fora isso nunca paramos, vivemos da música e não é fácil estar sempre em evidência, nesses 30 anos tivemos momentos bons e ruins em nossas vidas e algumas vezes tivemos que sair de cena.

Falando do novo álbum, como foi o processo de composição de “Back From The Dead”? Alguma composição antiga foi reformulada e chegou a entrar no álbum ou vocês o compuseram logo depois do retorno da banda?
Marcelo: Como falei não estamos retornando como se tivéssemos parado de tocar, nunca paramos. Eu compus todas músicas e meu irmão Kiko num momento pós operatório e sem poder tocar, acabou compondo todas as letras. Fizemos a regravação de uma música dos anos 80 chamada Death Lust e mantivemos os mesmos arranjos da época, só que hoje nossa pegada é bem diferente do que tocávamos.

“Back From The Dead” mostra que mesmo parada há algum tempo, a banda manteve uma sonoridade atual. O que fizeram durante este hiato?
Marcelo: Como falei nunca paramos e sempre na atividade com música, vivemos da música, damos aulas de música, tocamos outros tipos de música e fazemos gravações, tenho muito contato com softwares de música, também produzo algumas bandas e faz com que agente fique antenado no mundo da gravação e sempre em contato com a música.

Aliás, desde clássico split “Headthrashers Live” (lançado em 1987 ao lado das bandas MX, Blasphemer e Cova), o Necromancia sempre se mostrou uma banda à frente de seu tempo. A que você acha que deve este fato?
Marcelo: Agradeço suas palavras e acho que temos um contato muito forte com a música, nosso avô, meu e do Kiko, era músico, tocava em cinema mudo, rádio, bailes e acho que viemos com a veia musical e misturou com o Rock N’roll mais o fato de vivenciarmos a cena Metal anos 80 e aprender a respeitar a música e principalmente ver o verdadeiro valor que representa pra nós, fazemos o que amamos e o que fazemos o que sabemos fazer melhor em nossas vidas, que é ser músico.

O novo álbum é uma grande prova disso. Você concorda que o Thrash Metal executado pela
banda no disco remete mais ao estilo nos anos 90 e o ‘groove’ nas músicas está mais constante?
Marcelo: Concordo sim, a gente quando compõe não fica buscando tendências, a gente deixa as ideias fluírem e se gostamos da ideia acaba ficando.

O mais interessante disso é que mesmo soando atual, a banda mantém-se focada em suas raízes e não soa tendenciosa em “Back From The Dead”.
Marcelo: Valorizamos muito os momentos que vivemos aqui no ABC como headbangers e essa atitude acaba refletindo no nosso som. Somos eternos Headbangers e músicos também, tentamos dosar essas coisas.

A variação rítmica das composições é outro fator preponderante no álbum. Fale-nos um pouco a respeito.
Marcelo: As músicas tem variações rítmicas como em Near Death Experience que tem uma fórmula de compasso em 7 e é uma música mais Stoner ou mais lenta. Assim como fizemos a Global Fall uma das músicas mais rápidas nossas, mantemos os ‘grooves’ como no nosso CD anterior “Check Mate” (2001), aprendemos muito com o Andreas Kisser que produziu esse disco e fica um legado pra todas as próximas composições do Necromancia.

No que você acha que “Back From The Dead” mais se diferencia em relação aos lançamentos anteriores?
Marcelo: Diferencia na experiência que adquirimos nesses anos de banda e depois de tanto tempo ainda ter um coração Headbanger pulsando forte e pesado dentro de nós.

Como tem sido a aceitação das novas composições nos shows? Aliás, como está a repercussão de “Back From The Dead”?
Marcelo: A repercussão está muito boa, positiva e nunca tivemos tantas críticas positivas, último show que fizemos foi no Hangar 110 com o Voivod e ver várias gerações num mesmo show e ter muitos elogios é muito gratificante e mostra que estamos no caminho certo.

Quais os planos para 2014? Muitos shows agendados?
Marcelo: Estamos começando a compor as músicas para o próximo CD, temos um arquivo muito grande de fotos, vídeos que queremos fazer um DVD história do Necromancia e poder passar o que vivenciamos nesses 30 anos de Necromancia. Enquanto isso ainda estamos trabalhando a Back From the Dead Tour.

O Necromancia é um dos principais nomes do Thrash Metal do ABC paulista e participou do clássico split já citado, “Headthrashers Live”. Quais as lembranças deste memorável trabalho?
Marcelo: As lembranças são as melhores, tocávamos sem muita informação musical, mas tivemos os melhores momentos da vida, aprendemos a ter atitude de uma banda de Metal e iniciar uma cena tão rica que surgiu aqui no ABC.

Muito obrigado, este espaço é de vocês.
Marcelo: Agradeço ao Arte Metal e aos leitores pelo momento de conhecer um pouco mais sobre o Necromancia, espero que tenham curtido a entrevista.


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