sábado, 16 de agosto de 2014

Entrevista



“Dark Side”, lançado em 2012 é um álbum primoroso de Thrash Metal que tenta se desvencilhar do comum no estilo. E é exatamente soar diferente, mas com as características do gênero que o Vingador, quarteto de Macaé/RJ, consegue soar. Falamos com o baixista Diego Neves que deu mais detalhes sobre a banda, o álbum e o futuro do grupo em uma entrevista detalhada.

O álbum “Dark Side” foi lançado há quase 2 anos. Como tem sido a repercussão do trabalho até então?
Diego Neves: Tem sido sensacional. Para gravar o álbum concentramos todos os recursos que tínhamos pra poder ter um registro do que tivemos de mais representativo em nossa juventude, gravamos a maioria das músicas que compomos desde a nossa adolescência com esse intuito, pois a banda esteve próxima do fim com a saída anunciada de nosso baterista co-fundador, o Bruno Oliveira. Mas no fim, nos surpreendemos com a continuidade da banda. Entrou o Leonardo Bento na sequencia do lançamento nosso debut, e percebemos uma mudança na troca de energia nos shows que se sucederam. Antes, tínhamos alguns amigos que gostavam e acompanhavam nossa trajetória, depois do lançamento do CD, cada show que fazíamos, víamos novas caras cantando e batendo cabeça insanamente junto com a gente. Fizemos muitos novos amigos, em cada cidade que passamos.

Vocês esperavam este reconhecimento quando o estavam compondo?
Diego: De forma nenhuma. As primeiras composições da banda surgiram ainda no ano 2000, eu nem fazia parte da banda ainda, pois entrei apenas em 2002 durante a gravação do nosso EP “Circle of Death”. Nessa época, eles eram meninos com menos de 17 anos que ensaiavam na garagem de casa e tocavam eventualmente para alguns amigos. Eu nessa época era amigo dos integrantes e costumava assistir alguns ensaios e shows quando aconteciam, curioso. Boa parte do que foi composto e estava no EP foi regravado e apareceu no debut, caso de Circle of Death, Hellstorm, Ashes of Fire e Darkness is the Only Light, por exemplo. Mas como disse antes: essa gravação foi feita primordialmente para que tivéssemos nossa lembrança materializada, foi feita por pessoas que amam aquilo que fazem para que pudessem ter uma recordação futura de como foi boa a juventude. Mas conseguimos uma tiragem em maior quantidade, pois o selo Dark Sun acreditou no trabalho e nos apoiou na prensagem.



É interessante notar que o Vingador se mostra uma banda diferenciada em meio a tantas bandas que também praticam o Thrash Metal. A variação rítmica e a energia transmitida pela banda seria o diferencial? Qual fator ou fatores a banda apontaria a respeito disso?
Diego: Acreditamos que o que nos leva a soar as variações rítmicas que você mencionou seja a essência do nosso gosto musical. Desde o início da banda, quando começamos a compor, decidimos que nossa onda seria surfar entre o Heavy Metal Clássico e os primórdios do Thrash Metal, mas no meio do caminho, conhecemos várias bandas interessantes desses e de outros estilos e, inconscientemente, elementos do que estávamos ouvindo em cada época foram sendo incorporados. Nos inspiramos muito em bandas da NWOBHM e mesmo algumas de Death Metal em alguns riffs.

Logo após o lançamento de “Dark Side” vocês soltaram o single “Old Rituals of Death”. Qual foi o motivo de já lançarem um single no mesmo ano do debut?
Diego: Na época do lançamento do álbum, o Danilo (co-fundador) ainda não havia retornado à banda, mas foi convidado a gravar um solo alternativo para Circle of Death, pois essa música também é de composição dele. Poderíamos ter incluído a faixa como um bônus no CD, mas o mesmo já estava em processo de prensagem. Então resolvemos lançar esse single, de forma virtual, disponível para download em nossa página, entre outros materiais, como faixas ao vivo, etc.

No trabalho há uma única faixa cantada em português, Morrendo de Paz, e soou muito boa. Por que gravaram apenas uma faixa em português?
Diego: Então, sempre tivemos essa contradição na banda a respeito de composições de Metal em Português. Eu, particularmente aprecio demais o nosso idioma e, portanto acredito nisso, sempre defendendo que façamos. Mas o Alexandre, que é o nosso principal compositor, já não concorda que soe bem em qualquer situação. Por isso, em mais de uma década, somente conseguimos chegar nessa música como consenso e ela apareceu em nosso debut. Mas já estamos decididos a ampliar a proporção de músicas em português nos nossos próximos trabalhos, inclusive já temos alguns embriões de novas músicas assim.



Aliás, trata-se da faixa escolhida para um videoclipe. Por que optaram por ela?
Diego: Essa faixa foi composta em 2003, e na ocasião definimos que precisava ser assim, para marcar firmemente nossa posição e facilitar a compreensão pelo público de nossa linha política. Mais de dez anos depois ela veio ser escolhida para o clipe, pois achamos que o momento político do Brasil, com o povo nas ruas mostrando sua indignação, tinha tudo a ver com ela. E também os planos foram traçados às vésperas da Copa do Mundo, um evento totalmente burguês e elitista, construído com o suor do povo pobre e manchado com o sangue dos operários que morreram nas obras feitas a toque de caixa, removendo centenas de famílias pobres de seus lares para “higienizar” a cidade, maquiando-a para os gringos verem.

E como foi gravar o vídeo? Quais vantagens e desvantagens vocês vêem em gravar algo neste formato?
Diego: Foi muito bom. Uma experiência totalmente nova pra gente. Saímos na cara e na coragem, procurando uma usina em ruínas, sem saber se conseguiríamos entrar, mas tinha que ser naquele dia, pois as edificações estavam sendo demolidas. Como não encontramos os responsáveis, literalmente invadimos o local para aproveitar a iluminação natural e começamos o trabalho. Mas depois conseguimos contato com o vigia e foi tudo bem. A vantagem é que hoje temos o trabalho lançado e no geral as pessoas têm se manifestado positivamente pra nós a respeito do clipe. A desvantagem é que, mesmo não tendo nada de valor lá, exceto os equipamentos que levamos, na prática éramos invasores e poderíamos ter tido tratamento não amistoso por parte da segurança do local... enfim.

Vocês já estão trabalhando em outro álbum? Podem nos adiantar algo sobre os planos da banda?
Diego: Sim, estamos há alguns meses em estúdio, ensaiando novas músicas e ajustando alguns detalhes. Temos outras já prontas para serem trabalhadas também, o que será feito na sequência. Podem esperar que vem coisa nova por aí. Se não em 2014, com certeza em 2015!

E como anda a agenda de shows?
Diego: Com relação a shows, o próximo será no dia 7 setembro, em Cascadura. Tocaremos com a Jackdevil e a Forkill nesse line up. Provavelmente voltaremos com maior frequência agora, após conseguirmos resolver questões de agenda profissional entre os integrantes. Ok, vai, na verdade a maior parte dessas questões de agenda é minha. Mas realmente espero que melhore em um futuro breve.

Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Diego: Galera da Arte Metal. Falo em nome Vingador, que também é formado pelo Alexandre Cabral (guitarra e vocal), Bruno Moura (bateria) e Danilo (guitarra): fortaleçam sempre a cena Underground e valorizem as bandas, especialmente as autorais e todos aqueles que fazem o underground acontecer. United we stand! Tripas de Metal!


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