terça-feira, 23 de setembro de 2014

Entrevista


O Nervochaos transpira underground e nunca teve medo de dar a cara a bater. Tanto que desde 2010 a banda vem lançando trabalhos (em diversos formatos) ininterruptamente e agora com a formação estabilizada com Guiller (vocal/guitarr), Quinho (guitarra), Felipe Freitas (baixo) e Edu Lane (bateria), o grupo acaba de lançar seu álbum mais variado, “The Art Of Vegeance”. Conversamos com Edu sobre o novo trabalho e o atual momento da banda, além de outros assuntos.

Você concorda que “The Art Of Vegeance” vem a ser o álbum mais variado da banda?
Edu Lane: Com certeza. Na verdade, sempre buscamos evoluir a cada lançamento e também queremos obter a nossa própria sonoridade. Aliado a isso, sempre procuramos superar o lançamento anterior e acredito que conseguimos. Estamos extremamente satisfeitos com este novo trabalho. E é o nosso melhor trabalho até o momento. Um disco com músicas fortes, com variações de estilo e de andamento rítmico. Há momentos mais calcados no Death Metal, outros mais para o Thrash Metal e ate pitadas de Black Metal e de Doom Metal. Além do tempero Grind/Hardcore que sempre se fez presente. As letras também estão mais inteligentes e elaboradas e isso tudo sem fugir da nossa proposta inicial.

Essa variação foi proposital ou isso fluiu naturalmente durante o processo de composição do novo álbum?
Edu: Flui naturalmente. Se você ouvir os nossos CDs vai perceber como esta evolução flui e tudo isso sempre foi um processo totalmente natural de composição. Acho que com a formação estável e com a alta frequência de shows estamos bem entrosados e isso facilita bastante também na hora de compor. A banda está mais madura e creio que por isso conseguimos dar um passo à frente.

Aliás, como foi esse processo de composição, já que a banda se mostra muito prolífica nos últimos anos?
Edu: Natural como sempre fizemos. Riffs são compostos, levados ao ensaio, onde lapidamos até termos as músicas e depois colocamos as letras. Sempre fizemos desta forma e creio que a maior diferença nestes dois últimos CDs é que atualmente todos integrantes colaboram com ideias e composições. Queremos manter essa frequência de lançamentos, mas sempre nos preocupando com a qualidade deles também.

Qual a principal diferença entre “The Art Of Vegeance” e “To The Death” (2012)?
Edu: Obviamente há algumas diferenças básicas, mas vejo o novo CD como uma evolução do anterior. Fora isso, a grande diferença foi no processo como um tudo, ou seja, no novo CD tivemos (pela primeira vez na história da banda) a participação de um produtor em todo o processo, desde composição, letras e processo de gravação.

Mesmo fazendo um som de qualidade, o Nervochaos nunca se preocupou em soar extremamente técnico. Porém, a técnica é mais um elemento facilmente identificado no novo disco, desde as guitarras entrosadas e com um trabalho bem elaborado, passando pelas linhas de baixo e bateria. Pode falar um pouco a respeito dessa latente evolução de vocês como músicos?
Edu: Como mencionei anteriormente, creio que devido à estabilidade na formação estamos sendo capazes de evoluir mais rapidamente e consequentemente a técnica acaba aflorando. Como você falou, a gente nunca se preocupou em soar mais técnico ou ficar ‘preso’ a um estilo específico, sempre fizemos aquilo que gostamos e certamente continuaremos desta forma até o fim. A frequência de shows também colabora bastante nesse processo todo que flui naturalmente pra gente.

A produção ficou mais uma vez a cargo do italiano Alex Azzalli. Por que resolveram continuar com ele?
Edu: Gostamos muito do trabalho do Alex. Conhecemos ele durante a nossa turnê pela Europa, em 2011, quando ele foi o nosso técnico de som. No “To The Death” optamos por ter o material mixado e masterizado por ele. Percebemos que ele entende bem a proposta da banda e resolvemos chamá-lo neste novo CD para participar do processo todo como um produtor. Ele veio ao Brasil, ficou alguns dias conosco, esteve durante toda a gravação conosco e depois levou o material para Itália para ser novamente mixado e masterizado por lá. O resultado final ficou excelente e acredito que fizemos a escolha certa.



A arte de “The Art Of Vegeance” foge um pouco dos padrões do Nervochaos, mas é muito interessante. Fale-nos sobre o processo de concepção deste trabalho feito pelo artista Marco Donida.
Edu: Queríamos algo diferente de tudo que já havíamos feito e foi por isso que escolhemos trabalhar com o Marco Donida. Ele captou muito bem as nossas ideias e o conceito do álbum, chegando nesse resultado, que em nossa opinião, ficou maravilhoso. Neste CD procuramos evoluir como banda e justamente optamos por fazer coisas que nunca havíamos feito antes. Então o processo de composição, gravação, letras e a arte; todos deviam seguir esse conceito, de evoluir, inovar, mas sem deixar de ser fiel às nossas raízes e proposta inicial.

Desde 2010 a banda não deixou passar um ano sem lançar algo, incluindo aí o boxset “17 Years of Chaos” (2013) comemorando 17 anos de carreira. Vocês andam bem prolíficos hein? (risos)
Edu: Sim, essa é a ideia. Desde 2008 mudamos a mentalidade dentro da banda e procuramos dar mais frequência de shows/turnês e lançamentos. Acabamos sofrendo algumas mudanças de formação e finalmente em 2010 conseguimos colocar em prática a nossa estratégia. Claro que sempre nos preocupamos em lançar material de qualidade, mas com mais frequência, o que não é tarefa fácil, mas temos conseguido ser bem sucedidos nisto.

Algo mudou depois da repercussão do boxset (que conta com um documentário)?
Edu: Na verdade sim. Sentimos a evolução da banda, não apenas na parte sonora ou de frequência de shows/turnês ou de lançamentos, mas no quesito base de fãs, frequência de público em shows e nas vendas também. Creio que isso tudo é fruto de um árduo trabalho que foi iniciado há anos atrás. Sentíamos que a banda merecia um registro a altura e resolvemos trabalhar no Box-set que vem rendendo excelentes resenhas e criticas por parte do público e imprensa. Para gente foi um marco este lançamento e estamos muito orgulhosos dele.

Aliás, por que resolveram lançar a segunda parte do documentário como bônus do novo álbum?
Edu: Na verdade, quando finalizamos o Box-set percebemos que havia ficado de fora muito material. Também queríamos fazer algo especial para os fãs na primeira prensagem deste novo CD. Daí optamos por concluir o ciclo iniciado no 2º DVD do Box-set e lançar a parte dois como bônus na primeira prensagem deste novo material.

E como tem sido a repercussão de “The Art Of Vegeance” até o momento?
Edu: Tem sido excelente por parte do público e da imprensa. O que realmente importa para gente é o público estar recebendo bem este material. Como banda, estamos muito contentes com o novo material e nos motiva ainda mais quando o público recebe bem o CD.

Muito obrigado por conversar mais uma vez com a gente. Pode deixar uma mensagem.
Edu: Obrigado pela entrevista, pelo espaço cedido a banda e pelo apoio. Para saber mais sobre a banda visite www.nervochaos.com.br e vejo vocês na estrada!


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