quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Entrevista



No meio deste ano, os paraenses do a Red Nightamare soltaram seu debut auto-intitulado e já vêem colhendo frutos, afinal, além da sonoridade densa e atual, a banda demonstra talento e profissionalismo de veteranos. Conversamos com o guitarrista Igor Sampaio sobre o trabalho, sonoridade da banda e muito mais. Completam o time Leon Ferreira (Vocal), Vinicius Carvalho (Guitarra), Marcos Saraiva (Baixo) e Luciano Camara (Bateria).

Como foi o processo de composição do debut? Por ser o primeiro trabalho, houve alguma apreensão?
Igor Sampaio: O processo e composição durou uma média de um ano e meio, período esse dividido em 3 picos de 5 meses de trabalho intenso (incansáveis jams e gravações caseiras durante noites a fio, com uma garrafa de café do lado). A maior apreensão que tivemos foi no momento da gravação dos vocais, já que o Leon entrou na banda faltando cerca de 30 dias pro nosso prazo acabar... Mas como imaginávamos, ele deu conta e destruiu tudo, como dá pra ver no disco.

Apesar de investir no Metal extremo, a sonoridade da banda possui vários elementos. Como vocês se definiriam?
Igor: Gostamos de enxergar nosso trabalho como música pesada, porque já tentamos diversas vezes definir um estilo ou rótulo, mas não conseguimos. Todos da banda escutamos de quase tudo dentro do Metal. Então fica complicado tentar identificar apenas uma veia disso tudo. Uma vez conversando com o Rodrigo Balan (Metal Media) chegamos a algo bem próximo de uma definição. Seria algo como um Death Metal Moderno com elementos progressivos. Isso é o máximo que conseguimos identificar.

O trabalho destaca as linhas de guitarras. Esse foi o carro chefe da banda, já que é o instrumento característico do Metal?
Igor: Na verdade, a grande maioria das músicas começou com uma ideia de riff ou tema de guitarra, desenvolvemos essas ideias na guitarra e seguimos com o resto dos instrumentos. Foi um processo inconsciente, já que compusemos as músicas em folgas de nossas rotinas normais, o que às vezes impedia que fizéssemos jams em número suficiente a criar algo em conjunto. Então acabávamos trabalhando na estrutura da música toda em cima das guitarras e depois seguíamos com o restante.

O som do A Red Nightmare sempre buscou uma roupagem atual, mas foge das tendências. Vocês, em algum momento, se preocupam em soarem comuns diante da nova onda Metalcore?
Igor: Com certeza! Nossa principal referência, regra e filtro na hora de criar nossas músicas é o princípio “Fuja do clichê, custe o que custar”. Acreditamos que por conta da grande quantidade de bandas que surgem a cada dia (umas autênticas, outras nem tanto) em que se percebe certo padrão que se repete, temos uma enxurrada de bandas com nomes diferentes, logos diferentes, integrantes diferentes, mas soam iguais. Não estamos dizendo que somos isso ou aquilo, apenas dizemos que tentamos o máximo possível, fugir do clichê. Acreditamos que o Metal nacional merece esse esforço de fazermos o possível para fazer música pesada de qualidade.



Aliás, o trabalho foi produzido por Adair Daufembach (Hangar, Project 46), que tem um trabalho consolidado com as bandas que investem no Metal mais moderno. Por que decidiram trabalhar com ele e como foi tê-lo produzindo o disco?
Igor: Nesse particular precisamos fazer uma observação. O Adair não chegou a produzir nosso disco. Infelizmente. Então o fato de ter saído no disco o nome dele como produtor foi devido a um ligeiro erro de correção na hora de enviar o material pra prensagem. Foi publicada uma nota por nossa assessoria de imprensa (Metal Media) esclarecendo essa questão. Decidimos trabalhar com ele na parte de mixagem e masterização por gostarmos bastante da sonoridade que ele imprime aos trabalhos que faz, e não tivemos um resultado diferente. Ele é impressionante. Conseguimos justamente o que queríamos: que ele alcançasse a interpretação das nossas músicas da forma como imaginamos e ele conseguiu isso com maestria. Excelente profissional e um cara gente boa demais!

O álbum foi gravado nos estúdios The Coven (propriedade da banda) e Ná Music. Por que gravaram em dois estúdios?
Igor: Por conta de questões de agenda, tivemos que finalizar a gravação dos vocais em nosso home studio. Um atraso devido a problemas internos fez com que nosso prazo no estúdio Ná Music esgotasse. Aí corremos pro nosso The Coven, com as bênçãos de King Diamond.

A arte ficou por conta de Gustavo Sazes (Morbid Angel, Arch Enemy, Firewind, etc.), hoje o maior artista de capas de Metal do país e talvez do mundo. Como chegaram até Sazes e como foi a elaboração da arte? Vocês o deixaram trabalhar por conta ou sugeriram algo?
Igor: Fomos até o Gustavo por já conhecer o excelente trabalho dele com milhares de bandas (gigantes do Metal inclusive), e, também, por conta das influências artísticas que ele demonstrou em algumas obras, que mostraram por ser altamente compatíveis com o que estávamos buscando a nível de arte gráfica. Sugerimos algumas referências artísticas... Algo como que uma orientação “cara, é mais ou menos assim, que nem essa concepção aqui...”. Demos 3 referências artísticas e com total liberdade pra criar, ele nos presenteou e surpreendeu com algo que nem nós imaginávamos poder ficar tão assustadoramente condizente com a proposta artística do disco. Toda a atmosfera das nossas músicas foi condensada naquelas imagens!

E como está a recepção do debut até então? Superou as expectativas?
Igor: Sim! Não imaginávamos que fosse repercutir dessa forma, afinal, é um álbum de estreia. Mas tivemos receptividade em vários lugares do Brasil, Europa e EUA. Essa receptividade vinda de tantos lugares do país e dos países de fora superou nossas expectativas.

Quais os planos agora para esse final de ano? Como está a agenda da banda?
Igor: Pro fim de ano, estamos nos organizando pra poder começar a fazer shows fora do Estado a partir de 2015. De resto estamos fazendo shows locais e já trabalhando nas músicas do próximo disco.

Parabéns pelo trabalho, muito obrigado. Podem deixar uma mensagem.
Igor: Gostaríamos de agradecer a todos que nos apoiam e ajudam nessa caminhada árdua que é fazer música pesada no Brasil! Apoiem o Metal nacional, as bandas apenas sobrevivem se houver gente que acredite no que elas estão fazendo. Então se você curtir alguma vá lá e dê uma força! STAY RED!


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