quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Entrevista



Fazer Metal no Brasil é complicado e se arriscar a trabalhar em uma Metal Opera triplica a complicação. Mas, o paulista Marcelo Beckenkamp deixou a paixão falar mais alto e aos poucos vem realizando um sonho de colocar seu projeto definitivamente em prática. Para isso, em parceria com o guitarrista e produtor Vinicius Almeida, já juntou um grande time de músicos nacionais e internacionais e lançou dois singles que têm dado o que falar. Com muita paciência e perseverança, sem dar o passo maior que as pernas as coisas têm caminhado no rumo certo. Falamos com o idealizador e os músicos envolvidos (parece até uma ‘entrevista opera’) sobre esse ousado processo e todo seu desenvolvimento.

Como surgiu a ideia e vontade de montar um Metal Opera?
Marcelo Beckenkamp (idealizador/fundador): Tudo começou em 2013, quando notei que, dos projetos do gênero já existentes, além de soarem quase a mesma coisa, poderiam ser feitos de forma diferente. Foi então que me reuni com Vinícius Almeida, do DRK Studios e expus a minha ideia de fazer um novo Metal opera diferente, sem que a essência fosse perdida. Ele gostou e, a partir de então, começamos a gerar novas ideias, tirando tudo do papel e deixar o projeto mais real, passar a dar vida ao Waterghost.

Marcelo Beckenkamp
Acredito que, no Brasil, montar um projeto desses moldes tenha a dificuldade multiplicada. Quais os maiores desafios em se trabalhar em uma Metal Opera?
Marcelo Beckenkamp: Não há dúvida alguma que as dificuldades sejam multiplicadas quando o assunto é Metal no Brasil, ainda mais um Metal opera. Nesse caso, acredito que a maior dificuldade esteja em apresentar algo verdadeiramente novo para os fãs, sem perder a real essência. Além do mais, fazer com que esses novos elementos comprovem que podem funcionar muito bem, resultando em uma aquisição da confiança merecida do público, onde as pessoas comecem a olhar com bons olhos isso tudo.

Vinicius Almeida
Até o momento, foram lançados dois singles: “Let's Carry On” e “The Four Elements”. Como foi trabalhar nestas músicas?
André A. Ferrari (vocal): Bem tranquilo, pois o Vinícius, além de talentoso, é um cara fácil de trabalhar e aberto a ideias de pequenas mudanças nos arranjos para criar as linhas vocais das duas. Na “Let’s Carry On”, como já conhecia os trabalhos do Dantas e da Mischa, foi fácil imaginar linhas para ambos, visando soar bem legal.
Ignacio López (baixo): Eu tive a oportunidade de trabalhar de forma simples, em “Let’s Carry On". Gravei em um estúdio de Buenos Aires e depois enviei as linhas de baixo para o Brasil. No resultado final, fiquei muito surpreso com o nível musical da canção, composta pelo produtor Vinicius Almeida; Uma música rápida e técnica, contando, nessa gravação, com um time grande. Além disso, eu gosto muito desses tipos de músicas, com força, técnica e velocidade.




Raphael Dantas
Raphael Dantas (vocal): Para mim, foi muito fácil. Após terem definido a música que eu iria gravar, só estudei um dia e, no outro, peguei a linha guia que o André Anheiser fez e gravei com minhas características.

Nestes singles se nota uma sonoridade voltada ao Prog e ao Power Metal. Estes estilos serão o foco do futuro álbum ou vocês pretendem fazer algo mais abrangente?
Marcelo Beckenkamp: Independente do estilo musical que venha a calhar num possível álbum, no Waterghost, a prioridade é criarmos as músicas com ênfase ao peso nas melodias e utilizarmos de poucos recursos sinfônicos, algo sem exageros, ainda que esses elementos vão existir no novo Metal opera.
André A. Ferrari: A veia progressiva, acredito, seja comum para todos os envolvidos, então, ela estará sempre presente como a marca do Waterghost, pendendo sempre para o lado mais pesado. Talvez surjam ideias diferentes para enriquecer futuros trabalhos, o que não temos objeção alguma quanto a isso, caso surja coisas realmente nada previsíveis.

Basak Ylva
E como tem sido a repercussão dos singles até então?
Raphael Dantas: O retorno tem sido muito positivo e isso reflete positivamente em nossas carreiras, principalmente a minha, que está apenas começando (risos).
Ignacio López: Na Argentina, as pessoas receberam muito bem o Waterghost! Muitos estão ansiosos pelo primeiro CD. Particularmente, estou muito feliz e animado pelos feedbacks do público!

Fabio Carito
Até o momento, o Waterghost conta com os vocalistas André Anheiser Ferrari (Mr. Ego); Basak Ylva (Dream Ocean / Turquia); Germán Pascual (Ex-Nárnia / Suécia); Gui Antonioli (Tierramystica); Helyton Camargo (Shadow of Mercy); Mischa Marmade (Zaltana); Raphael Dantas (Perc3ption), com os baixistas Fábio Carito (Shadowside, Instincted e SupreMa); Ignacio López (Skilltron/Argentina), com os guitarristas Stefan Lindholm (Vindictiv / Suécia) e Vinícius Almeida (Legendary), além do tecladista Flávio Sallin e o baterista Otávio Nuñez (Vandroya). Como você chegou até esses músicos e por que os escolheu?
Marcelo Beckenkamp: Todos esses músicos são pessoas que eu admiro, tanto pessoal, quanto profissionalmente, as quais possuem uma grande carreira musical, mesmo com as bandas por onde passaram, até mesmo pelo enorme sucesso que fazem atualmente. Então, acredito que foi algo natural o processo de escolha, sem contar que, poder convidar artistas que você admira seus trabalhos e tê-los em seu time, é algo fantástico!
Sou muito grato a cada um dos nomes citados pelo esforço de todos e, juntos, realizarmos um trabalho de altíssimo nível no Waterghost.

Flávio Sallin
O projeto conta também com músicos estrangeiros, como foi mencionado, como Basak Ylva da Turquia, os suecos Germán Pascual e Stefan Lindhom, além do argentino Ignacio López. Como foi contatá-los e qual o interesse que eles tiveram quando receberam o convite e também em relação ao projeto?
Basak Ylva (vocal): Eu realmente não me recordo como foi a primeira vez. Eu acho que o Marcelo me enviou os projetos e a primeira faixa, a qual eu realmente gostei do resultado! Quando eu vi que ele estava reunindo uma banda internacional, eu não sabia que ele poderia se interessar por uma cantora de ópera lírica, mas ainda eu lhe disse que gostaria de saber se ele estava interessado com a minha voz e, caso a resposta fosse positiva, eu poderia cantar com o Waterghost. Então, ele disse que seria perfeito e foi quando tudo começou para mim.
Mischa Marmade (vocal): Me senti muito honrada ao receber o convite, pois é um projeto com excelentes músicos que já vinha recebendo ótimas críticas. É um projeto bem executado e ambicioso, a qual eu fiquei feliz em poder contribuir, além de ter a chance de conhecer pessoas criativas e talentosas.

Germán Pachoal
E como está o trabalho com todos os músicos até então?
Vinícius Almeida (guitarra/produtor): Está muito bom! Todos compreendem a necessidade de cada som, além dos aspectos com responsabilidades e prazos. Os músicos atuam de forma incrível e matadora, timbres, ideias, pegadas, agressividade e muito feeling... É tudo que o Waterghost precisa!

Ignacio López
Tem mais convidados que você poderia nos revelar?
Marcelo Beckenkamp: Bem, essa é uma das perguntas típicas em que ainda precisamos manter um mistério no ar! (risos). Tudo que eu posso adiantar é que, no mês de maio, o novo Metal opera, Waterghost, completa um ano de existência e, coincidentemente, vem a calhar com a produção do quarto single que ainda iremos lançar. Dessa forma, estamos a formular uma surpresa bem legal para os fãs e, espero eu, que venham todos a gostar!

E a quanto a produção do full-lenght, há algo que você possa nos adiantar?
Fábio Carito (baixo): Ainda não pensamos em um full-length, nesse momento. A prioridade agora é nos concentrarmos no próximo trabalho, que será o terceiro single e também fechar a formação, pois como se trata de um Metal Opera, são muitos músicos envolvidos.
Flávio Sallin (teclado): Antes de iniciarmos o full-lenght, ainda faremos o lançamento de alguns singles, que contarão com participações especiais. Já estamos trabalhando no CD, mas ainda no sentido da parte conceitual e letras, com apenas algumas ideias musicais, tudo muito vago. Como se trata de um metal ópera há detalhes a serem considerados e absolutamente tudo vem deste conceito principal.

Otavio Nuñes
E após o lançamento do álbum completo, você pretende realizar concertos ao vivo?
Marcelo Beckenkamp: Esse é o nosso principal objetivo! Damos total prioridade na elaboração de um CD físico e, logo depois que conseguirmos esse feito, adquirirmos uma gravadora/selo e o nosso material circular no mercado musical, aí sim iremos focar no agendamento das primeiras datas para as apresentações ao vivo do Waterghost. Ainda há muito trabalho pela frente, mas, com muito empenho e esforço, espero que ainda possamos ‘chegar lá’! (risos).

Mischa Marmade
Muito obrigado, sucesso! Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Fábio Carito: Agradeço a Arte Metal pelo espaço concedido e, fiquem ligados, pois virá muita coisa legal do Waterghost. Valeu!
Marcelo Beckenkamp: Muito obrigado a toda equipe por essa entrevista fantástica e, não menos importante, gostaria de ressaltar sobre o trabalho que vocês realizam; É simplesmente fantástico! Além do mais, a camiseta do Waterghost já está a venda na loja online da OBSKULL. Quem quiser adquirir, é só acessar o site www.obskull.com.br
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