segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Entrevista



O Tellus Terror pode não ser nenhum pioneiro em mesclar diversos estilos dentro do Metal em sua música, mas é o inventor do termo Mixed Metal Styles que, mais precisamente, foi criado pelo vocalista Felipe Borges. Os cariocas lançaram no ano passado um dos álbuns de estreia mais impactantes de 2014 e já vêm colhendo frutos devido à qualidade de seu trabalho. Felipe falou com o Arte Metal e, com respostas objetivas, contou um pouco mais sobre todo processo do álbum, além de mais coisas detalhadas da banda, que atualmente também conta com Wederson Felix e Nelson Cordeiro (guitarras), Arthur Chebec (baixo), Ramon Montenegro (teclados e sintetizadores) e Ali Ghazzaoli (bateria).

Já que a curiosidade mata se não saciada, enfim, qual o significado do título do álbum “EZ Life DV8”?
Felipe Borges – O “EZ Life DV8” (lê-se Easy Life Deviate, tradução – Desvio Fácil da Vida), retrata o início dos acontecimentos que deram origem à nossa vida, mostrando como causas naturais e por efeitos da humanidade, mudam toda a trajetória de nossas vidas.

E como foi compô-lo? Vocês compõem coletivamente ou cada um traz uma ideia e depois as juntam nos ensaios e/ou estúdio?
Felipe Borges - Todas as músicas foram compostas em conjunto na maior parte. Aconteceu também de modificarmos e criarmos riffs novos durante os ensaios das músicas.

Desde que fundaram o Tellus Terror em 2012 a intenção era mesclar estilos, como a banda demonstra no álbum “EZ Life DV8”?
Felipe Borges – Esse é o plano para a identidade da banda desde o começo quando eu criei o estilo M.M.S. (Mixed Metal Styles), a fim de usar tudo o que as vertentes do Metal e até mesmo do Rock N’ Roll têm a oferecer, para usar da melhor forma que pudermos.

Muitas vezes bandas que optam por incluir diversas influências em sua sonoridade acabam se perdendo e perdendo até a identidade. Com o Tellus Terror isso não acontece, qual seria a ‘receita’ disso?
Felipe Borges – Em minha opinião isso se deve ao fato de não sermos 100% mecânicos, mas sim deixarmos o feeling ter voz alta no momento das composições, para não acontecer o famoso efeito robótico/mecânico em nossas músicas. Por isso falamos com total convicção que fazemos músicas para as pessoas em primeiro lugar.

A faixa Stardust é uma das composições mais intensas e uma das melhores músicas de abertura que ouvi em anos. Ela foi uma das primeiras composições da banda?
Felipe Borges – A Stardust foi a 4ª música que começamos a compor para o disco, e na época ela era o patinho feio das músicas (risos), com o tempo fomos amadurecendo a música, e ela tomou nova forma e ficou ideal para a abertura do disco.



Um dos maiores destaques individuais da banda são os seus vocais versáteis. Seria essa uma forma de se diferenciar e sair do comum? Felipe, como você encaixa seus vocais nas composições? A variação de estilos facilita essas alternâncias?
Felipe Borges – Desde o começo da banda, eu havia decidido que eu utilizaria variados estilos de voz, tais como: gutural, rasgado, urrado, drive, voz de peito e lírico. Basicamente, quando estamos compondo as músicas, fazemos um plano inicial de quais estilos vamos seguir para cada música, e com isso defino cada tipo de voz para cada bloco, de cada riff e passagem das músicas visando acompanhar o estilo e também encaixar estilos diferentes para vertentes diferentes. Sem dúvida a alternância dos estilos de voz facilita muito para que eu possa tentar fazer algo diferente.

De alguma forma, vocês consideram a música do Tellus Terror complexa? Como é executá-las ao vivo?
Felipe Borges – As músicas do “EZ Life DV8”, em nossa opinião, são simples e relativamente fáceis de executar, tanto para gravar, ensaiar e tocar ao vivo de forma fiel ao que gravamos. Já estamos compondo as músicas do 2º disco e com certeza elas terão um nível de complexidade bem maior, porém, sem perder a básica essência de que às vezes menos é mais. Estamos compondo balanceando 50% técnica e 50% feeling.

Por que decidiram lançar “EZ Life DV8” de forma independente, sendo que o álbum é de extrema qualidade?
Felipe Borges – Nós decidimos desde o começo da banda não fazermos shows, não divulgarmos quase nada até o disco estar lançado, justamente para trazer um disco pronto de uma banda que ninguém, até então, nunca tinha ouvido falar. É claro que nós fizemos todo um planejamento de distribuição dentro e fora do país por meio de excelentes gravadoras/distribuidoras junto com um plano a parte de marketing e divulgação. O plano para o 2º álbum que estamos compondo, é de fazermos uma produção superior à do 1º disco e manter o plano de trabalho do 1º disco de forma mais abrangente. O que não impede de escutarmos, caso aconteça, propostas de gravadoras.

E como tem sido a repercussão do álbum, tanto por parte da crítica, quanto por parte do público?
Felipe Borges – A repercussão por parte da mídia e crítica, dentro e fora do Brasil, foi fantástica e nos rendeu diversas grandiosas resenhas e nomeações como um dos melhores discos de Metal de 2014. Quanto ao público, darei o exemplo do primeiro show da banda abrindo para o Behemoth em São Paulo, no Carioca Club, onde o público (3.200 pessoas) nos recebeu muito bem e nos deu um momento que ficará para a história do Tellus Terror quando durante e no final do show, eles gritaram o nosso nome e gritaram “Do caralho” (risos). Isso nos deixou extremamente gratos, e São Paulo, sem dúvida tem um lugar especial na história de nossa banda.

Bom, saindo um pouco do disco, o Tellus Terror mescla diversos estilos. Ultimamente temos visto no underground confronto de tribos, enfim, Black Metal contra Grindcore, Heavy melódico que nunca foi tolerado por Death Metal, confrontos desnecessários. O que vocês pensam a respeito?
Felipe Borges – Dentro do Tellus Terror temos políticas internas muito rigorosas, tais como: fãs em primeiro lugar acima de tudo, respeitar toda e qualquer pessoa por igual independente de raça, sexo, classe, religião, opinião política e estilo que curte. Nós sinceramente esperamos que as pessoas percebam que, se dentro do Rock e do Metal não tiver separação de tribos, nosso espaço como um todo será muito maior e muito mais forte.

E quais os planos para 2015? Como está a agenda de shows da banda, algo que nos possam adiantar...
Felipe Borges – Nós temos uma estrutura complexa de palco o que, infelizmente nos limita a tocar em algumas casas de shows, mas estamos estudando alguns eventos, e esperamos estar divulgando shows em breve. Nosso foco principal é de compor e gravar o nosso segundo disco (o qual já estamos compondo), para gravarmos no final deste ano. O que posso adiantar é que iremos gravar, editar, mixar e masterizar o segundo disco fora do país, em um estúdio extremamente conceituado.

Muito obrigado, parabéns pelo trabalho. Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Felipe Borges – A todos os leitores e fãs, muito obrigado pelo seu tempo em ler esta entrevista, e saibam que estamos trabalhando bastante para trazer mais um disco full lenght para vocês, e esperamos vê-los nos shows por aí!! Muito obrigado também por este excelente espaço para ceder esta entrevista. Muito Obrigado!!!


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