segunda-feira, 23 de março de 2015

Entrevista



Oriunda do interior do Paraná, a banda Fire Hunter é daquelas que sabem exatamente o que querem e não temem incorporar elementos novos em sua música. A prova disso é o excelente álbum “No Fear, No Lies”, segundo full-lenght do quinteto que vem atraindo grande parte do público Metal. Conversamos com o guitarrista Adriano Burey sobre o trabalho e os aspectos que o envolve, e muito mais.

“No Fear, No Lies” mostra uma evolução impressionante em relação ao debut “Arising from Fire”. É claro que uma banda pensa em evoluir sempre, mas quais foram os métodos para atingir tal evolução?
Adriano Burey: Acredito que um dos fatores que mais influenciaram nessa evolução foi ter um objetivo mais claro do que queremos como banda, não que não tínhamos, mas a partir do momento em que se quer chegar algum lugar, novas metas devem ser traçadas. O primeiro passo que eu dei foi basicamente fazer um planejamento, comecei a fazer algumas pesquisas e depois entrei em contato com o Tito. Já na primeira conversa pudemos pelo menos traçar alguns aspectos que poderiam incorporar no álbum. Tive várias e várias conversas com ele e no final de cada conversa eu voltava a pesquisar. Analisando todas as pesquisas, vimos que se era necessário termos uma mudança, desde a sonoridade assim como a maneira de compor, pois começamos a amadurecer as ideias, pensar de uma forma mais homogênea. Assim que entramos no estúdio deixamos o Tito fazer seu trabalho, penso que sempre devemos deixar os profissionais fazerem aquilo que sabem fazer de melhor, entramos lá para sermos guiados por ele, e assim as coisas fluíram. Logo nas primeiras gravações já sentimos que tudo seria diferente, até melhor de como pensávamos, essa liberdade que demos para o Tito trabalhar foi um fator essencial. Trabalhamos juntos nos timbres, de forma que tudo soasse de bom agrado e dali em diante a nossa evolução ficou mais perceptível, porque nossas pré-gravações estavam prontas, mas foi a forma de montá-las que deu uma grande diferença. Talvez nosso objetivo de ter uma música e material de melhor qualidade, buscando um profissional da área, demonstrando nossa força de vontade e nossa dedicação para que tudo desse certo, fez com que destacasse essa evolução.  Um time sem um técnico dificilmente ganha, até pode ganhar, mas se tiver alguém pra guiar, a maneira de se vencer pode se tonar mais fácil.

E quais mais aspectos vocês destacariam para diferenciar um álbum do outro?
Adriano: A forma de compor foi um dos pontos mais importantes, tentamos trazer uma nova identidade pra nossa sonoridade, onde soasse mais original. Você percebe isso logo de cara, dificilmente você consegue achar algo em comum nas composições entre os dois álbuns, todos amadurecemos nesse aspecto, e com a evolução vem as mudanças, que foram pra melhores.

As guitarras mostram ser um grande trunfo em “No Fear, No Lies”, vocês concordam? Houve algo planejado para destacar o instrumento ou isso fluiu naturalmente?
Adriano: Só as guitarras não, acho que todos os instrumentos e a voz estão em destaque, mas lógico que sendo guitarrista vou falar que são elas (risos). Quando se falar do timbre, esse a gente planejou, pois queríamos um som limpo, com o ganho necessário pra dar peso, mas ao destaque, acho que acabou ganhando naturalmente, devido à forma que elas foram colocadas, acho que tá tudo no lugar certo e na medida certa. Aquela historia, às vezes menos é mais, e isso o Tito falava muito, foi ponderando dessa forma que conseguimos isso.

A trinca inicial que abre o disco (You’ll Fell It Now, Amaze Myself e A Better Time) mostra ser a locomotiva do álbum. Vocês realmente escolheram iniciar com essas composições tão fortes ou não esperavam tanta energia assim quando escolheram a ordem das músicas?
Adriano: Quando gravamos a intro da You Feel It Now já tínhamos certeza de que a ela seria a que abriria o álbum. Pensando em não perder o fôlego, tínhamos que manter puxada a sequencia, a Amaze Myself não deixa o embalo diminuir, aumenta, e depois a A Better Time que traz um peso maior. Assim deixamos uma boa impressão logo de cara, preferimos deixar as músicas mais lentas e com menos peso para o final do disco, já pra não quebrar muito o ritmo forte que elas formam juntas.



E como surgiu a ideia de incluir viola caipira na faixa Simple But Proud? O resultado ficou muito bom!
Adriano: Desde quando comprei minha viola, já soube que deveria misturar com Heavy Metal, sabe quando você pega um instrumento e tenta tocar alguma música que você já sabe? Tive uma experiência com uma dupla sertaneja, e isso fez com que eu estudasse e explorasse o instrumento. Tive outra banda antes e já tinha incorporado a viola, e sinceramente, ficou bom demais! Sempre que ia compor algo, pensava em incorporar a viola, mas nem sempre dava certo. Na primeira sessão de gravações de guitarra, deixamos ela de lado, pois não tivemos tempo de trabalhar com ela, foram bem puxada as sessões de guitarra, mas quando voltei pela segunda vez para o estúdio para finalizar algumas linhas, levei novamente minha viola, ai com todas as guitarras finalizadas faltava uma música, e que ainda lembro do Tito perguntar, “quer mesmo fazer”? Falei: com certeza! Aí liguei a ‘bichina’, timbramos e ele falou: “Faz o que você quiser ai.” Dessa vez pensei em uma linha mais voltada pro nosso caipira, o ponteado da intro mostra bem isso, depois foi algo mais rítmico sem perder a essência. Na letra pensei da mesma forma, tentar retratar um pouco da vida do campo, através das experiências que tive.

Vocês pretendem incluir mais elementos nesta linha nas futuras composições do Fire Hunter?
Adriano: Acho que isso já faz parte da banda, todos gostamos muito da sonoridade da viola, vemos que isso pode deixar mais atraente as composições, então vamos explorar mais e incluí-la sempre que ficar bom, quem sabe não lançar um álbum conceitual usando em todas as músicas a viola?

A faixa título foi escolhida para se tornar videoclipe. Por que a escolheram e como foi trabalhar no vídeo?
Adriano: Porque tem tudo a ver com a banda, com o momento pelo qual estávamos passando. Para banda foi uma transição, pois como precisávamos de mudança para melhorar, não podíamos ter medo em aceitar essas mudanças e tudo isso encaixou, sem contar que é uma música forte, com o nome do álbum, tem uma exposição maior do nome. Mas pra você  ter ideia, já conseguíamos imaginar um vídeo pra cada música, de tanto que gostamos dos resultados.  O vídeo foi muito legal, trabalhamos rápido nele, apesar de ser o primeiro da banda, o Eduardo teve as ideias de incorporar o personagem da capa durante o clipe e com a produção do Fabio Bombardelli (Bomba) na maquiagem, criou um clima a mais com a música. Gostamos muito da forma com que o Fabrizio (Zero Z Produções) nos dirigiu, alem é claro de ver o trabalho de pós-produção dele, ele captou bem o que queríamos, e de novo deixamos a cargo de um profissional da área, assim ele fez de uma maneira mais livre e profissional pra chegar num resultado que agradou muito a todos nós.

“No Fear, No Lies” foi produzido por Tito Falaschi (Zaltana, ex-Symbols). Por que resolveram trabalhar com Tito e como foi contar com ele?
Adriano: Já estávamos fazendo algumas gravações, eram 2 músicas que pensávamos em lançar, e no meio dessas gravações, falávamos muito sobre o futuro da banda, então  tive uma conversa com minha irmã, dessas  que a gente sempre tem com a irmã mais velha (risos), ambos somos empresários, trabalhamos sempre com pessoas profissionais das áreas especificas da qual necessitamos, e ela comentou, “Vocês devem entrar em contato com um produtor do estilo de vocês”.  Apesar de todos já sabermos sobre isso, nem todos concordavam. Comecei a pesquisar, e não foi difícil a chegar ao Tito. Minha irmã se encarregou do primeiro contato com ele e depois entrei no meio pra tratar sobre as sonoridades e dar continuidade as pesquisas. Assim se foram quase quatro meses em acordos e desacordos só pra que fosse definido que o Tito seria o produtor. E claramente o Tito foi uma peça essencial para que os trabalhos chegassem a esse resultado, pois ele ficou encarregado da produção musical bem como da parte técnica geral, ele tem muito mais experiência que a gente, então confiamos plenamente no trabalho dele. Em estúdio soube trabalhar bem com todos, todos nós estávamos dispostos a aprender com ele, ouvimos muito seus conselhos, ele ouviu nossas ideias, discutimos e demos boas risadas, então sei que sem ele como produtor, as coisas seriam diferentes, não piores, mas diferentes.
E como está a repercussão do trabalho até então? Vocês chegaram a lançá-lo no exterior?
Adriano: Estão boas demais, sempre gostamos de ler as resenhas que divulgam, sabemos do esforço que fizemos para tudo chegar a esse ponto, e saber que tanto aqui no Brasil como lá no exterior são só coisas boas, anima ainda mais. Estamos ganhando destaques em webrádios, em webzines, blogs, e acho que quando começam a te procurar por conta própria é um ótimo sinal, um exemplo é das webrádios, que ouviram em outra nossas músicas e entraram em contato solicitando material para divulgar, em algumas estamos até ganhando destaque. Quanto ao lançamento no exterior, temos a intenção sim, mas por enquanto nada definido ainda, estou aguardando a resposta de algumas gravadoras, gostaria de já estar com o produto no exterior no primeiro semestre.

Quais os planos para 2015?
Adriano: Uma das minhas metas é fazer com que esse material já esteja bem divulgado aqui no Brasil e também no exterior, fazer com que o nome da banda cresça. Mas é claro que pretendemos aumentar nosso numero de shows, pois precisamos estar na estrada pra impulsionar, porque banda também tem que ser reconhecida no palco. Pra esse ano também foi cogitado um turnê na Europa, mas precisa ter um planejamento maior antes, pra que tudo possa dar certo.

Muito obrigado, podem deixar uma mensagem aos leitores.
Adriano: Gostaria de agradecer à galera do blog Arte Metal pela oportunidade de estar respondendo a essa entrevista, fico muito feliz mesmo! Também agradecer a todos que acompanham o blog, que estão acompanhando o Fire Hunter, pois é uma banda com praticamente 15 anos de luta, enfrentando diversas dificuldades e muitos obstáculos. Hoje já podemos dizer que estamos ganhando o reconhecimento que sempre buscamos graças á todas as pessoas que dão força e incentivam a banda, a todos os leitores que depois buscam saber mais sobre a banda e acabam acompanhando nosso trabalho. Espero em breve vê-los em algum de nossos shows! Obrigado!


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