quarta-feira, 22 de abril de 2015

Entrevista



Levando uma vida pacata no Texas, onde mudou-se recentemente, o agora guitarrista e baixista Dave Starr continua produzindo música, porém apenas gravando sem fazer shows. Se o músico lhe soar familiar, não estranhe, afinal ele integrou a formação clássica do Vicious Rumors, além de ter gravado com o Chastain e ser um dos fundadores do Lääz Rockit. Hoje, ao lado de sua esposa London Wilde (vocal/teclado) e do baterista Josh Foster, Dave compõe e lança trabalhos no WildeStarr. Conversamos com o gentil Dave que falou sobre como está compondo o terceiro álbum de sua banda, além da sua carreira importante no Metal e seus pontos de vista.


Olá Dave! Primeiramente muito obrigado pela atenção. Fale-nos um pouco sobre seu atual momento com o WildeStarr. No que tem trabalhado atualmente?
Dave Starr: Obrigado por me ter aqui Vitor! O WildeStarr é formado por mim, minha esposa London Wilde, além do baterista Josh Foster. Estamos gravando o nosso terceiro álbum "WildeStarr III", que será lançado ainda este ano. London e eu formamos o WildeStarr há cerca de 10 anos. Nosso primeiro CD, “Arrival”, foi lançado em 2010 e o segundo, “A Tell Tale Heart” em 2012. Eu toco guitarra e baixo na banda, somos muito mais de estúdio, pois nunca tocamos ao vivo ou fizemos turnês. Talvez no futuro o WildeStarr possa cair na estrada.


E como anda esse processo de composição do novo trabalho do WildeStarr? As composições seguem a linha dos álbuns anteriores?
Dave: Basicamente eu componho e organizo cada música e depois passo à London que compõe as letras e melodias vocais. Costumamos fazer ajustes nas canções até obtermos o que achamos certo e estamos felizes com o novo trabalho. Esse método foi usado praticamente em todos nossos trabalhos.


E como foi a repercussão do álbum “A Tell Tale Heart”? Vocês chegaram a ter retorno aqui do Brasil?
Dave: A resposta foi grande, comentários incríveis em todo mundo e um excelente ‘feedback’ de nossos fãs. Eu vejo comentários de fãs brasileiros o tempo todo pedindo para nós tocarmos por aí.


Dave, falando agora de sua carreira toda, você teve destaque no Vicious Rumors, integrando a formação clássica e permanecendo na banda por cerca de 10 anos (tirando o tempo que ficou fora de 1993 a 2007). Fale-nos um pouco da importância do Vicious Rumors na sua carreira.
Dave: O Vicious Rumors foi uma grande banda e fizemos músicas incríveis juntos. A banda deveria ter sido gigante no mundo todo, mas as coisas não funcionaram do jeito que esperávamos. Mesmo que eu tenha o WildeStarr agora, o Vicious Rumors será sempre especial pra mim, e uma grande parte de minha vida e carreira. 10 anos é muito tempo e nós fizemos sete álbuns juntos. Ainda ouço muitos fãs do Vicious Rumors e os álbuns que gravamos ainda vendem após todos esses anos.



Em sua passagem pelo Vicious Rumors, quais momentos você destacaria?
Dave: Eu acho que fazer o primeiro álbum "Soldiers of the Night", em 1985, foi um grande negócio para todos nós, e muito emocionante. Primeiro assinar contrato com a Atlantic Records foi muito bom, isso foi em 1989. Turnês pelo mundo, vídeos na MTV, grandes momentos e memórias maravilhosas! O Japão foi realmente ótimo em 1992. Fãs unidos e tocando em todo o mundo, foi uma experiência mágica para todos nós.


O momento mais difícil na banda foi a morte do vocalista Carl Albert em 1995? Como vocês lhe deram com a situação na época?
Dave: Deixei a banda em 1993 e Carl faleceu 18 meses depois. Foi realmente difícil de lidar, e ainda é após 20 anos. Nós nunca nos falamos novamente depois que eu saí da banda, e eu não sei o porquê. Isso vai me assombrar para o resto da minha vida. Carl era um grande cara e um talento incrível. Ele e eu éramos muito próximos durante todos os anos que estivemos juntos na banda. Eu e o guitarrista Mark McGee tínhamos entrado na banda por intermédio dele, e essa formação definiu o line-up clássico do Vicious Rumors, e sou muito orgulhoso disso.


Você ainda gravou um álbum com o Chastain, “In an Outrage” (2004). Como foi trabalhar com a banda e principalmente com David T. Chastain?
Dave: Foi um álbum interessante, eu nunca havia conhecido David Chastain até o CD ser concluído! Foi a minha primeira experiência em fazer um CD assim, todos nós vivemos em lugares diferentes e eu trabalhei com David via e-mail. London produziu as faixas de baixo para mim, de modo que foi a primeira vez que realmente trabalhamos juntos antes do WildeStarr. David Chastain é um grande talento e um cara muito legal, e eu gostaria de trabalhar com ele de novo algum dia.


No início de sua carreira você também passou pelo Lääz Rockit, banda que possui certo nome na cena Thrash americana. Conte como foi que se deu isso?
Dave: Isso foi em 1982-1983, eu estive na banda por cerca de 18 meses. Eles estavam procurando por um baixista, e eu tinha um emprego em uma loja de música local. Eles me ligaram e nós nos encontramos. A banda tinha um nome diferente, e eu vim com Lääz Rockit. Foi um tempo muito louco, para ser honesto. Eu realmente não achava que a banda fosse muito boa... Éramos todos muito jovens. Tivemos um show num grande palco, mas nenhum de nós eram músicos muito bons ou compositores. Na época, eu pensava que o Lääz Rockit era um grande negócio, mas eu fui para coisas muito maiores e melhores em minha carreira.

Dave Starr e Carl Albert na época do Vicious Rumors


Em todas essas bandas você tocou baixo e hoje, mesmo comandando o instrumento, seu foco maior é na guitarra. Você sempre teve a intenção de desenvolver seu trabalho como guitarrista?
Dave: Eu sempre toquei guitarra ao longo dos anos, coisas suficientes para mostrar minhas composições ao Vicious Rumors, ou coisas assim. Mas oficialmente não toquei até 2005, quando parei de beber, fiquei totalmente limpo e realmente fiquei bom na guitarra. Amadureço rápido, e realmente estou mais maduro como músico e compositor. Ainda toco baixo, porque faço as duas funções no WildeStarr, mas passei mais focado na guitarra nos últimos tempos até porque estou sempre compondo.


E como você vê o cenário do Metal atualmente? Quais as principais diferenças da cena de 20 anos atrás em relação ao momento atual? Enfim, quais vantagens e desvantagens da cena antiga e a atual?
Dave: O fato triste é que a internet tem arruinado o negócio da música. Muitas coisas eram melhores antes da internet. Naquela época, ninguém sabia quem você era a menos que você tinha um contrato e estava na MTV ou em turnê. Agora, cada banda do planeta tem um site, vídeos, facebook, twitter... Os fãs são bombardeados todos os dias com um milhão de opções do que ouvir, com certeza isso é excelente para as bandas que nunca tiveram qualquer exposição antes, mas há muitas bandas que lutam por um pedaço do bolo. E você combinar isso com todo o download ilegal, é um desastre. Eu não sei qual é a resposta, mas eu tento não me preocupar com isso. Acabo fazendo o melhor som que eu posso, e essa é a maneira como as coisas são. Não me interpretem mal, a internet é uma grande coisa, é uma ótima ferramenta para se conectar com as pessoas, mas para o negócio da música tem sido horrível.


De alguma forma essas bandas por quais você passou influencia na sua forma de compor no WildeStarr?
Dave: Eu acho que as 3 grandes bandas para mim são Judas Priest, Kiss e Thin Lizzy. Eu acho que você pode ouvir um pouco dos três no WildeStarr. Eu amo todo o tipo de música, mas na medida do Metal/Rock essas são as bandas que tiveram a maior influência sobre mim. Você pode realmente ouvir as influências de Thin Lizzy em minhas harmonias de guitarra. Priest, eu adoro suas épicas/canções clássicas e tento obter essa mesma sensação no WildeStarr. London tem muito a ver com isso, já que ela tem uma voz incrível que muitos comparam com Rob Halford. O velho e clássico Kiss tem alguns grandes ganchos e riffs cativantes, e eu acho que você pode ouvir no WildeStarr também. Eu amo outras bandas como UFO, Scorpions, BOC, etc.


Em relação ao Brasil novamente, vocês pretendem tocar no Brasil com a banda algum dia? O que acha que falta para que isso dê certo?
Dave: Não sei. Somos questionados sobre várias turnês, mas eu sempre digo não. Estou praticamente aposentado, acabei de comprar uma casa no Texas, eu amo a vida doméstica com London e nossos três cães. Estou feliz de gravar no estúdio de casa e lançar CDs. Talvez algum dia façamos uma turnê, mas nada planejado no momento. Eu nunca fui ao Brasil, mas gostaria de ir pra aí!


Além do WildeStarr, você pretende lançar ou está trabalhando em algum projeto paralelo para 2015?
Dave: Eu tive a ideia de terminar o novo CD “WildeStarr III”, passando em seguida para tentar algo diferente. Mas, eu mudei de ideia. Eu quero manter WildeStarr, mas vamos fazer as coisas um pouco diferentes. Eu gostaria de trabalhar com outros músicos, sob o nome WildeStarr. Durante 3 álbuns toquei todas as guitarras e baixo. Eu gostaria de ter outro guitarrista e um baixista, e ver como isso vai funcionar para London e eu, só para dar-lhe um sabor ou som diferente. Eu já conversei com vários músicos sobre isso, por isso vamos ver como vai ser!


Muito obrigado, mais uma vez Dave! Pode deixar uma mensagem aos seus fãs brasileiros.
Dave: Muito obrigado Vitor! Um ‘alô’ a todos meus amigos e fãs no Brasil, em particular ao grande amigo e cantor Mario Pastore.






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