quarta-feira, 8 de abril de 2015

Entrevista



Oriundo da prolífica cena mineira, o Sweet Storm passou por todas as dificuldades que 99% das bandas do underground passam para gravar seu primeiro álbum. Mesmo assim, atingiram um bom resultado com o conceitual “Collector of Souls”, disco lançado no ano passado que mostra uma sonoridade que tenta fugir ao comum do Metal extremo. Falamos com a vocalista Camilla Porto que deu mais detalhes sobre o trabalho e o quem vem sendo feito.

Como foi compor “Collector of Souls”? Sentiram algum tipo de pressão ou ansiedade por ser o primeiro trabalho?
Camilla Porto: “Collector of Souls” teve uma composição bem cautelosa. Por ser o primeiro trabalho ainda estávamos tentando acertar o que seria a identidade da banda e dos integrantes dela, queríamos achar o elemento certo, e ele foi um álbum digamos de teste. Tem vários elementos dos quais muitos iremos levar adiante e outros possivelmente ou descartar ou minimizar. A pressão foi em cima do estilo, era algo novo tanto para nós que tocamos como para quem escuta, então creio que a pressão é normal diante destes fatores.

E por que abordar um tema baseado na Divina Comédia de Dante Alighieri? “Collector of Souls” pode ser considerado um álbum conceitual? Fale-nos um pouco mais a respeito do conceito do álbum.
Camilla: Na verdade a escolha foi inicial, os meninos me deram liberdade para escolher os temas e escrever as letras, uma vez que me falaram o que gostam e o que não gostam em uma música (letras), todos da banda são muito ligados com temas cosmológicos, ciência e etc. Por ser um trabalho inicial, ou seja, primeiro escolhi a Divina Comédia pela escrita, e também por abortar a cosmovisão do século XIV. Atualmente nosso mundo se encontra vivendo através dos olhos e das crenças antigas ou alheias, como se fôssemos fantoches, e isso é a cosmovisão, é ver e viver fatos através de outros. Um grupo uma sociedade, e por ser nosso primeiro trabalho, nada melhor do que retratar o tema que mais prende e abala a humanidade, que é a religião. A escolha do livro além da escrita é a forma narrada dos fatos, e existe outro mistério na escolha, é o mistério dos três, que iremos levar adiante no nosso próximo CD que estamos terminando de compor. Vários mistérios da humanidade começaram anos e anos atrás e com toda certeza irá nos deixar preocupados à procura de resposta anos após. Sim, consideramos nosso trabalho conceitual.

Falando agora da sonoridade, a banda tem o foco no Death Metal, mas não soa comum dentro do estilo, incluindo melodia, linhas progressivas e soturnas nas composições. Vocês concordam? Isso é proposital ou flui naturalmente?
Camilla: Sim concordamos, procuramos a voracidade do Death Metal em questão de composição e procuramos infundir isso com as anomalias dos outros estilos, como Progressivo, e etc. Ao mesmo tempo em que é proposital também flui naturalmente, assim como havia dito anteriormente, procurávamos um foco de composição e uma identidade e encontramos. O fato de ter vários elementos diferentes é também o fato de querermos compor algo novo, mas que não seja 100% desconhecido aos ouvidos.

As músicas também mostram foco maior nas bases e riffs de guitarra, deixando solos praticamente em terceiro plano. Isso dá um ar ainda mais soturno e carregado às composições. Fale-nos um pouco a respeito.
Camilla: Atualmente é um pouco complicado de explicar o porquê ficou assim, nosso primeiro CD tínhamos um segundo guitarrista que iria ficar a cargo disso, mas quando ele deixou a banda meio que demos foco aos elementos que gostamos, e o fato dos solos terem ficado de lado não foi proposital, apenas aconteceu. No nosso novo CD que estamos compondo, muitos elementos foram arrumados e recolocados, como o baixo, por exemplo, que terá uma atenção mais evidente e solista. Acredito que isso também se dá ao tema, “Collector of Souls” tem um tema muito denso, e eu queria que os meninos passassem isso na música, o que conseguiram ao meu ver muito bem. A intenção também é que cada obra soe conforme seu tema, sem deixar os elementos da banda de fora.



Vocês também não se preocupam muito com a velocidade, mesmo variando no andamento das músicas...
Camilla: Não que não nos preocupamos, foi natural a composição, atualmente estamos focando os elementos em cada música nova, mas queremos testar antes de expor se a velocidade vai se adequar bem ao que queremos tocar, pois não adianta fazer um riff super bacana e tocar tão rápido que não possa ser entendido. Não que a velocidade não seja importante, mas ainda não encontramos uma adequada para a nossa música.

Interessante notar que, mesmo fazendo um som de certa forma diferente das clássicas bandas de Minas como Sarcófago, Sextrash, o Sweet Storm mantém a aura tradicional das bandas extremas mineiras. A que vocês acham que deve este fato? Vocês se influenciam pela cena de Minas Gerais?
Camilla: Eu acredito que sim, respeitamos muito nossas raízes, e temos influências de tudo que você pensar, desde ao Metal neo clássico ao Metal mais extremo, como Brutal Death e etc. Eu acompanho há muito tempo várias cenas da região como a geral que é a de Minas, e sempre quis fazer algo diferente do que já estava sendo feito, mas respeitando as características dos estilos que escolhermos tocar. E a escolha do estilo foi simples, temos muitas influências, e queremos falar sobre muitos temas, e o Death Metal nos dá essa liberdade de compor. Posso fazer tudo dentro dele e isso é o que queremos.
E como foi o processo de produção de “Collector Of Souls” feito pelo baixista Peterson e Bleno Junior?
Camilla: Isso, como ainda estamos no começo não temos tanto dinheiro para investir numa mega produção (cenário de quase todas as bandas), mas mesmo assim queria fazer algo decente, investimos em equipamentos básicos para estúdio, e começamos a gravar. Levou muito tempo, pois o Peterson teve que aprender praticamente tudo, e quando já estava tudo gravado o Bleno apareceu do nada, foi conversando na net e eu mostrei nosso trabalho para ele, ele na hora já lançou as críticas e eu achei o máximo, por que foi muito construtivo, ele ensinou muita coisa pro Peterson e nos ajudou e vem ajudando bastante. Tenho certeza que sem ele não teria ficado 70% do que ficou no trabalho final, e tenho certeza que se a gente tivesse os conhecimentos iniciais dos que tem agora teria ficado 100% melhor o trabalho final. Mas a experiência é o que importa.

E como está a repercussão do álbum até então? O álbum chegou a algum destaque no exterior?
Camilla: Infelizmente com “Collector of Souls” ainda não tivemos nenhum destaque estrangeiro, mas tivemos com o EP “Alma” anteriormente que saiu na NME dos Estados Unidos. Tivemos o lançamento citado em alguns blogs fora, mas nada muito aprofundado que possa se dizer que foi um destaque. Mas estamos trabalhando para isso, foi um momento muito corrido, ir atrás de baterista, eu fiquei doente, e acabou que no começo do ano por conta do álbum tivemos muitas datas o que eu acho ótimo, e creio que para tudo vai ter seu tempo.

Além de divulgar “Collector of Souls” quais os planos para 2015?
Camilla: Temos muitos planos, estamos com um novo lançamento já para começar a gravar o EP “Surface of Revolution” que vai contar com 5 faixas e 1 videoclipe.   Pretendemos também lançar um StudioLive de “Collector of Souls” até o segundo semestre de 2015 estamos somente acertando as músicas com o novo baterista.

Muito obrigado. Pode deixar uma mensagem.
Camilla: Gostaria de agradecer a oportunidade de estar expondo nosso trabalho e falando mais sobre ele.


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