quarta-feira, 1 de abril de 2015

Necromesis – “The Poet´s Paradox” – 2015 – Shinigami Records (Nacional)

Enfim em mãos um dos lançamentos mais esperados do underground nacional, afinal de contas o Necromesis prometia muito com seus lançamentos anteriores que incluía uma demo e dois EP´s, sendo o último “Echoes of a Memory” (2014) um dos grandes marcos do quarteto do ABC paulista até então.

Quem já conhece a banda sabe que seu principal foco sempre foi o Death Metal, mas o que é demonstrado neste debut vai muito além do estilo. Sabiamente, a banda lançou seu primeiro álbum no auge de sua criatividade e tudo fica exposto em “The Poet´s Paradox”, onde a técnica se une à brutalidade e a agressividade se alia à melodia.

O que mais chama atenção inicialmente sem dúvidas é a qualidade das 11 composições do álbum (incluindo aí até a intro End of Cloistered), pois todas possuem suas qualidades e se encaixam perfeitamente à proposta da banda, que evoluiu e muito em relação aos seus lançamentos anteriores.

Essa evolução fica latente quando sentimos maior variação nos andamentos das composições, a versatilidade dos vocais de Mayara Puertas e a inclusão de elementos oriundos tanto do Black Metal, quanto do Metal Progressivo, além de arranjos e passagens acústicas e de teclados (sem exagero). Tudo soando com uma produção de ótimo bom gosto a cargo do guitarrista e vocalista Daniel Curtolo.

Não se pode deixar de fora a cozinha, com o baixo de Gustavo Marabiza que mostra linhas que parecem não ter limites e a bateria de Gil Oliveira com sua incansável pegada. Não bastasse isso tudo, participações especiais de Fernanda Lira (Nervosa), Paolo Bruno (Desdominus), Vitor Rodrigues (Voodoopriest) e Marcel Briani (In Soulitary) apimentam ainda mais o conteúdo do álbum.

Faixas como Envolving a Paradox, Condemned by Themselves e The Omission of Living são memoráveis, mas o que dizer de uma composição como The Last Stage of A Mind? Uma música que com pouco mais de onze minutos, mexe com os brios e resume um disco inteiro, sendo uma das melhores composições da história do Metal extremo brasileiro. Agressiva, versátil, cheia de quebradas e com vocalizações atípicas, encanta desde a primeira vez que é ouvida e dificulta ser distinguida em palavras. Enfim, um trabalho memorável que já merece atenção redobrada.


9,0

Vitor Franceschini


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