quinta-feira, 21 de maio de 2015

Entrevista: Agressor



Um dos pioneiros do Thrash Metal fluminense, o Agressor foi desfrutar de poder lançar álbuns oficiais somente nos anos 2000 com “Victim of Yourself” (2006) e com o mais recente trabalho “Demise of Life”, lançado no ano passado. Tendo Paulo Tinoco (vocal e bateria), Alexandre Cabral (guitarra), Gustavo Lima (baixo) e Raphael Zaror (guitarra), a banda continua sua luta pelo espaço e reconhecimento merecido. Conversamos com o fundador Paulo e com Alexandre que nos falaram mais sobre a banda e suas perspectivas, além do mais recente trabalho.

São 30 anos de carreira, mas o Agressor possui apenas dois álbuns lançados e ao todo lançou apenas 5 trabalhos. A que se deve este fato?
Paulo: Naquela década de 80 tudo era novidade em termos de Metal para nós, ainda mais por morarmos numa cidade pequena de interior, onde não havia lojas de instrumentos, aulas e claro, pessoas que quisessem tocar música pesada. Por conta disso sempre rolaram dificuldades para conseguir músicos e fechar uma formação e nas vezes que conseguíamos era difícil mantê-la de forma coesa e com objetivos comuns, pois cada um pensava a banda de forma diferente. Olhando para trás nesses anos todos, o maior problema mesmo foi encontrar músicos que tivessem mais paixão e comprometimento pela banda, pois tudo ficaria menos difícil a partir disso.


E como foi compor “Demise Of Life”? Afinal são 8 anos de diferença para o debut “Victim of Yourself” (2006).
Paulo: Vejo como um processo natural aonde cada um vai compondo riffs, estruturas maiores ou até a música toda e depois nos juntamos para trabalhar nelas. Pelo fato de ficarmos um tempo grande entre uma gravação e outra, isso acabou favorecendo que as músicas do “Demise of Life” fossem mais trabalhadas com os ensaios. Era comum surgirem sugestões ao longo desse período para uma música ou outra.   
Alexandre: Para mim foi extremamente importante, visto que no “Victim of Yourself”, eu era recém-chegado na banda e só tive tempo de contribuir na composição de uma - Onde esta a coragem? - de resto fiz solos e alguns arranjos, nada demais. No “Demise of Life” eu contribui tanto quanto Paulo, passamos esse período todo juntos trabalhando nas músicas e com o lançamento do “Demise of Life”, sinto na prática que o Agressor finalmente é minha casa também. Outro ponto que considero uma diferença importante foi que no “Victim of Yourself” era minha primeira aventura a um estúdio sério e eu era ingênuo com muita coisa. Dessa vez, quase 10 anos depois, fui com outra cabeça e isso ajudou a fluir bem melhor tudo, desde ideias até a execução delas.




E qual a principal diferença que vocês vêem entre os dois trabalhos?
Alexandre: Acho que o “Demise of Life” puxou uma atmosfera mais old school, com riffs de mais velocidade e menos peso, menos cadência, o vocal do Paulo também esta diferente, puxado mais para o old school também, menos gutural e mais gritado. Temos mais músicas em português dessa vez, que é uma área que estamos cada vez mais dando mais atenção.
Paulo: Em termos de energia e musicalidade acredito que os dois álbuns tenham a mesma pegada e fiquei igualmente satisfeito com os dois trabalhos. Fora isso, o “Demise of Life” tem alguns outros pontos que poderia chamar de vantagem em relação ao “Victim of Yourself”, como um maior número de músicas em português, a arte do encarte tipo pôster e também em relação às letras como um todo, já que a abordagem das temáticas ambientais era um tema que precisava ser dito e gostei do resultado final. Veja que Save the Forest - faixa de abertura do álbum - foi feita por volta de 2007 e nela falo da questão da preservação das florestas como peça chave para a biodiversidade e obviamente pelos serviços ambientais que ela nos propicia como a “produção” de água, regulagem do clima e etc. E cá estamos em 2015 com falta de água em várias partes do país justamente por não preservarmos nossas florestas. Infelizmente os ‘(des) governos’ pouco ligam para a causa e a recente eleição presidencial mostrou que os politiqueiros praticamente ignoraram o tema. A preocupação deles são as articulações e como fazer para se manter no poder por mais tempo.


Interessante notar que em “Demise of Life” a banda se mantém atual, mesmo estando na ativa há três décadas. Isso foi algum tipo de preocupação ou fluiu naturalmente?
Paulo: As composições vão surgindo de forma espontânea, mais instintiva do que cerebral e claro que quando buscamos fazer novas músicas o objetivo é agradar primeiramente a nós mesmos e continuar na linha de som que o Agressor vem seguindo em termos musicais desde os primeiros trabalhos. A banda segue sua origem, sua raiz, calcada no Thrash Metal surgido no início dos anos 80 de forma natural.

Outro ponto alto do álbum é a intensidade. Nas 10 composições a banda mantém o pique do início ao fim, coisa rara de se ver. Essa foi outra preocupação?
Alexandre: Desde o começo, queríamos fazer algo mais direto, mais curto e grosso. Lembro-me do Paulo dizendo logo após o lançamento do “Victim of Yourself”: "O próximo álbum tem que ser um soco na cara, e quando a pessoa perceber, já acabou”. Essa foi a meta que queríamos para este trabalho.



As composições também são objetivas, não cansam o ouvinte. A produção também agrada muito e foge dos padrões artificiais dos dias atuais. Como foi este processo?
Alexandre: Esse foi um ponto bem consciente na produção, desde o começo estabelecemos com o produtor Davi Baeta - que também trabalhou conosco no ‘Victim...’ - que queríamos algo old school, no sentido de que não soasse nada artificial, que fosse tudo bem 'humanizado', para dar essa impressão de energia real de uma banda tocando. Confesso que foi trabalhoso, mas conseguimos chegar ao ponto certo e agradecemos ao Davi pelo ótimo trabalho!
Paulo: Já sabíamos que tipo de sonoridade e timbre que queríamos e fomos buscando isso juntamente com o Davi, do Estúdio DQG em Cabo Frio/RJ.


E como está a repercussão de “Demise of Life”? Vocês têm obtido respostas do exterior?
Paulo: As opiniões acerca do álbum têm sido bem positivas daqueles que já tiveram acesso ao álbum. Não vivemos de música e uma banda como o Agressor está há tanto tempo na ativa somente pela paixão pelo que faz e nada além disso. Claro que como fãs de Thrash Metal, queremos que outros fãs do estilo também possam ouvir nosso trabalho e que também possamos conhecer outras bandas, trocar uma ideia. Em relação ao exterior, cheguei a mandar algumas cópias para zines de alguns contatos antigos que tinha, mas antes mesmo do álbum sair fisicamente ele já estava em sites lá fora para download e talvez por isso tenha recebido mensagens de pessoas querendo adquirir o CD. Recebemos o contato também de outros selos de países como China, México e Colômbia querendo fazer trocas.   

E como está agenda de shows? Enfim, quais os planos para 2015?
Paulo: Pela primeira vez em todo esse tempo com a banda demos uma atenção nessa questão de shows e buscar tocar mais. Sempre temos alguns impedimentos para poder viajar e com o lançamento do “Demise of Life”, criamos a “Spirit of Thrash Tour” com alguns shows e estamos em frequente contato com o objetivo de incluir novas datas. Mas isso vai se resumir ao primeiro semestre do ano, pois também temos outras atividades que demandam atenção e tempo. Temos o objetivo de lançar o “Demise of Life” em vinil e iremos começar a definir o próximo trabalho para 2016, ano em que a 1ª demo Destruição Metálica completa 30 anos. Talvez um EP, não sabemos, mas acho que poderíamos fazer algo para não deixar passar em branco.

Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Paulo: Primeiramente tenho que agradecer o espaço e também parabenizar pelo trabalho que você faz com o blog Arte Metal. Também gostaria de convidar a todos para visitar nossa página oficial (www.agressor.com.br) para saber mais sobre o Agressor, ouvir as demos e os álbuns, inclusive o “Demise of Life” através do player. Com exceção do novo álbum, por enquanto, todos os outros trabalhos podem ser baixados sem problemas.


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