terça-feira, 12 de maio de 2015

Entrevista



Não há dúvidas que os gaúchos do Harmony Fault são uns dos maiores representantes nacionais do Goregrind. Aliando seu som ao Death Metal, a banda hoje formada por Guilherme Freiberger (vocal/baixo), Pulga (guitarra) e Calebe (bateria/vocal), promove seu melhor registro até então, o ótimo “Savage Horror Dementia” (2014). Conversamos com Guilherme sobre este trabalho, além de outros assuntos, incluindo a cena Goregrind no Brasil.

De praxe, conte-nos como foi o processo de composição do segundo álbum “Savage Horror Dementia”?
Guilherme Freiberger: Primeiramente gostaria de agradecer em nome da Harmony Fault pela oportunidade em participar desta entrevista, deste importante meio de divulgação do underground. Bom, o nosso processo de gravação segue a mesma linha desde o princípio da HF. Algum integrante chega com uma idéia, seja na guita, batera ou baixo, toca e os demais tentam encaixar algum riff, base ou batera, ou a idéia surge no meio do ensaio mesmo e tentamos encaixar o instrumental, o vocal geralmente fica para o final. É um sistema muito simples, mas nos tem dado um bom resultado.

Que comparações vocês fariam com o primeiro disco “Rotting Flesh Good Meal” (2011)?
Guilherme: Acho que isto é uma coisa inevitável para qualquer banda, mas apesar de gostar muito do primeiro disco e ainda escutar ele muito, creio que evoluímos tanto musicalmente como em termos de gravação neste segundo disco. Os sons, apesar de manter a nossa sujeira características estão mais “audíveis”, pois pode-se escutar mais detalhes nos sons. O nosso entrosamento também tem melhorado e o Ismael do estúdio também evoluiu quanto ao resultado final da gravação.

O novo trabalho inclui três regravações. Por que decidiram regravar essas três composições?
Guilherme: Decidimos regravar estes sons com uma nova “roupagem”, trazendo eles para a nossa atual fase, pois eram sons que foram importantes para nós na época do início da banda. Além disso, digamos que foram sons que se tornaram “clássicos” da banda naquela época e o pessoal pedia e ainda pede muito nas ‘gigs’ (shows).

Ainda há um cover para Bleeding Peptic Ulcer do Regurgitate. Porque decidiram por incluir um cover no trabalho e a escolha da faixa?
Guilherme: Faz algum tempo que tiramos covers de bandas que curtimos e que nos influenciam musicalmente, já tocamos Sarcastic, Agathocles e GUT também. Desta vez optamos por tocar o Regurgitate, pois todos curtimos muito e por isso resolvemos gravar como uma forma de homenagem a esta doente banda sueca.

“Savage Horror Dementia” traz certo distanciamento do Death Metal presente no primeiro álbum, mas ainda há resquícios. Vocês concordam?
Guilherme: Exato, concordo plenamente, este resquício já vem conosco desde a segunda demo “Sangue e Vísceras” (2004), talvez pela mudança de formação e até querendo trazer a banda mais próxima ao estilo Goregrind que é o que todos curtimos, só que na época não conseguíamos fazer (risos). Então esta evolução veio naturalmente e hoje podemos dizer que estamos fazendo o que sempre gostamos e queríamos fazer, Goregrind com groove e violência, mas sem deixar as influências de Death Metal que sempre gostamos.

Aliás, essa pegada de Death Metal fica mais evidente nos riffs de guitarras. O trabalho de guitarras é um dos destaques. Fale-nos um pouco a respeito disso.
Guilherme: O integrante mais influenciado pelo Death Metal é o nosso ‘guita’ Pulga, ele gosta muito de bandas como Death, Obituary, Cannibal Corpse e afins. A entrada dele antes do lançamento do “Rotting Flesh Good Meal” (2011), trouxe um novo gás pra o HF e uma nova roupagem pra banda, ele encaixou muito bem na nossa proposta e hoje podemos dizer que ele é um dos grandes responsáveis pela boa repercussão da HF musicalmente falando.



O peso do novo álbum se dá por conta da cozinha que varia no ritmo. Esse peso e essa variação surgem naturalmente ou a banda foca nestes quesitos?
Guilherme: Surge naturalmente como tudo na HF, o Calebe e eu sempre gostamos de intensidade sonora e “podridão”, pois sempre fomos influenciados por bandas Gore, Grind, Porn e Splatter como Sarcastic, Vômito, Regurgitate, GUT, CBT, Agathocles e uma penca de outras bandas. Então acabou sendo natural investirmos em equipamentos que tem esta função como caixas, pratos e pedais específicos, que em conjunto acabam dando um peso a mais.

Outro diferencial do disco é a boa produção a cargo de Ismael Foppa junto com a banda. Como foi produzir o álbum com Ismael?
Guilherme: É sempre muito bom trabalhar com o Isma, ele já conhece a HF desde o seu princípio lá em 2002 e vem acompanhando o nosso trabalho desde então. É um cara bastante técnico, que saca bem desta parte de gravação e sabe o que queremos, portanto nos dá dicas importantes sobre o nosso trabalho e nos ouve bastante também, isto é muito importante.

A arte da capa também chama atenção e foi feita por Carlos Porto, que já trabalhou com a banda anteriormente. Por que decidiram trabalhar com ele novamente e como foi o processo de concepção da arte?
Guilherme: Este também é um baita profissional, ele desenha muito bem e saca bem as nossas propostas. Decidimos trabalhar novamente com ele, pois ficamos muito satisfeitos com o trabalho dele no primeiro disco e, portanto, pra que mudar?! A idéia da arte foi dada por nós e optamos que ele poderia usar a criatividade para dar “alma” ao negócio, não queríamos limitar o trabalho dele pois sabemos que ele tem muito potencial, aí então ele nos mostrou o trabalho, fizemos pequenas alterações e finalizamos o trabalho.

Com está a repercussão de “Savage Horror Dementia” atualmente? E como está o trabalho com os selos Terceiro Mundo Caos e Cianeto Discos, responsáveis pelo lançamento do novo álbum?
Guilherme: A repercussão está muito boa não podemos nos queixar e o apoio que o Casalunga da Terceiro Mundo e o Gil da Cianeto Discos nos deram foi essencial para este lançamento. Infelizmente a Cianeto acabou fechando durante o processo de lançamento, mas o Casalunga conseguiu suprir bem esta falta na divulgação. Temos muito a agradecer a ele, pois ele sempre nos apoiou e se mostrou uma pessoa muito disponível e amiga durante todo este processo. Graças a ele o nosso disco está rodando o mundo todo e chegando a países como Japão, Europa, EUA e etc.

O que a banda poderia falar a respeito do cenário Goregrind no Brasil? Tem tido espaço para se apresentarem? Apesar do público fiel, há uma boa receptividade do gênero por aqui?
Guilherme: A cena Goregrind no Brasil tem seus altos e baixos como a maioria do underground, teve uma época que bandas como Sarcastic, Vômito e Premature Autopsy acabaram, o que foi um baque para nós, principalmente aqui do sul. Mas vemos que a cena está se fortalecendo novamente, com o retorno de bandas como a Sarcastic, Necrocéfalo (esta Grindcore) e Dead Fetus Collection que dão um novo gás a cena e nos motivam a continuar cada vez mais “sickos”. Bandas já tradicionais da cena como Flesh Grinder, MDK, Rancid Flesh, Syphilitic Abortion entre outras mantém a cena de pé e atuante, sem contar que sempre surgem novas bandas que estão dispostas a continuar disseminando o barulho Brasil a fora... Espaço para ‘gigs’ sempre tem, pois sempre tem algum maluco disposto a escutar um Goregrind em sua cidade e acaba nos convidando para tocar, nem sempre é possível, mas na maioria das vezes aceitamos a estes convites e procuramos incomodar aos “sensíveis” ouvidos do público (risos). A receptividade do gênero no Brasil acho que se dá mais por regiões específicas como RS, SP, SC, ES, por exemplo, que são regiões onde o estilo é bastante disseminado com muitas bandas e afins, mas certamente o Goregrind é um estilo que tem fãs em vários cantos do Brasil.

Muito obrigado, parabéns pelo trabalho. Este espaço é de vocês.

Guilherme: Muito obrigado pela oportunidade e espaço no blog Arte Metal, ficamos muito felizes em poder contribuir para a disseminação do Goregrind. Espaços como este são importantíssimos para que o underground continue se perpetuando por aí. Quanto a HF fiquem ligados que no segundo semestre teremos novidades quanto ao lançamento do nosso primeiro clip e no início de 2016 sairá um Split 7”EP com os brothers da Dead Fetus Colection via Uterous Production(Alemanha). Um forte abraço e STAY SICK!!!!
           

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