sexta-feira, 12 de junho de 2015

Entrevista: Uganga



“Opressor”, o mais recente disco do Uganga lançado no ano passado, consolida de vez a banda que soa como uma das mais originais do Thrashcore nacional. São mais de 20 anos de carreira fazendo um som com identidade sem se preocupar com pré-julgamentos. Conversamos com Manu ‘Joker’ Henriques que fundou a banda e é o núcleo disso tudo que a envolve. Hoje ele conta com Christian e Thiago (guitarras), Ras (baixo) e seu irmão Marco na bateria, e além de divulgar o novo trabalho, prepara um DVD comemorativo, além de outros projetos como Uganga.

“Opressor” vem em meio a um álbum ao vivo, “Eurocaos Ao Vivo”, portanto 4 anos após o último disco de estúdio “Vol. 3: Caos Carma Conceito” (2010). Houve alguma mudança no processo de composição do novo trabalho?
Manu “Joker” Henriques: Não diria mudança, mas acho que houve um refinamento no processo de composição. Trabalhamos sem prazos estourados, sem músicas finalizadas pela metade, com tempo pro processo criativo assim como maturação das músicas. Tudo como deve ser em uma pré-produção, ao menos no nosso momento atual (risos). O fato de termos lançado o álbum ao vivo entre o “Vol. 3...” e o novo trabalho também facilitou, pois a banda tinha material em mãos para promover enquanto criava.


Aliás, as turnês pela Europa e o trabalho realizado durante estes quatro anos influenciaram na concepção de “Opressor”?
Manu: Eu diria que do ponto de vista das composições nem tanto, pois já sabemos como o Uganga deve soar e nossas referências vem de estilos, lugares e épocas bem variados. É claro que sempre nos inspiramos por aquilo que nos agrada quando estamos na estrada, mas creio que a influência das tours no exterior foi mais pra fortalecer nossa pegada do que para moldar nossa música. Obviamente isso acaba tendo resultado nas composições, quando as executamos ao vivo ou em estúdio, nosso desempenho melhora com certeza!


O disco traz a banda mais direta, mas ao mesmo tempo com uma dose a mais de melodia, deixando a banda de certa forma acessível. Você concorda?
Manu: Sim, acho que realmente estamos indo mais direto ao ponto tanto nas letras quanto nos arranjos, e também concordo que “Opressor” tem partes mais melódicas que nos outros CDs. O legal é que não precisamos abrir mão do peso nem da brutalidade pra tanto, pelo contrário! Isso, a meu ver, é reflexo da nossa evolução individual e coletiva, não mudamos nosso estilo, mas seguimos nos aprimorando e compondo o que está em nossos corações.


É nítida a coesão e ápice dos músicos em “Opressor”. Você acredita que com o álbum o Uganga atingiu seus objetivos e definiu sua sonoridade de vez? Enfim, o Uganga vive seu melhor momento até então?
Manu: Sim, estamos em nosso melhor momento, definitivamente! Diria que desde o “Vol. 03...” estamos com nosso estilo bem formatado. “Opressor” veio para nos levar além dentro desse estilo. Menos procura e mais aprimoramento (risos). Natural sendo o segundo álbum com esse núcleo de integrantes.


E qual o conceito lírico de “Opressor”?
Manu: Basicamente as merdas que o ser humano vem fazendo desde que começou a andar em duas pernas (risos). E nesse conceito nos incluímos com certeza, somos tão corrompidos quanto qualquer outro nesse planeta e sabemos disso. O álbum tem essa visão genuinamente revoltada com os rumos do mundo, mas tem também uma busca por viver melhor dentro desse inevitável caos, aprender com os erros antes de querer ensinar algo. O elemento Opressor é como se fosse uma entidade criada a partir das fraquezas, das doenças, dos vícios da raça humana. Temos músicas sobre racismo como O Campo, drogas em Moleque De Pedra ou a faixa título que abrange esse conceito de maneira mais espiritual/cármico. Por outro lado, temas como Casa, Modus Vivendi ou Aos Pés da Grande Árvore são para celebrar a dádiva de estar aqui aprendendo e evoluindo, errando e acertando...




O disco conta com participações especiais como de Juarez Tavora (Scourge), Murillo Leito (Genocídio) e Ralf Klein (Macbeth). Como se deu essas participações e como foi trabalhar com o pessoal?
Manu: Todos são grandes amigos, Juarez é um irmão desde os anos 80, somos pioneiros na cena metálica do triângulo mineiro, sobreviventes mesmo (risos). Moleque De Pedra é uma música extrema e violenta e ele foi a nossa primeira opção, pois é um mestre nesse quesito. O Murillo também é outro grande camarada, participei do novo álbum do Genocídio (“In Love With Hatred” - 2013) e quando pensamos em ter outras pessoas solando no cover do Vulcano pensamos nele pois tem um estilo bem legal e característico. Por fim, o Ralf é um amigo que fizemos na nossa primeira tour pela Europa, guitarrista do Macbeth, uma excelente banda de Thrash/Heavy alemã e nos honrou com um solo soberbo. Da pra sacar bem as três pegadas nesse som, o estilo mais thrash do Christian, a pegada mais soturna e noise do Murillo e o metal clássico do Ralf. Adoramos o resultado!


Aliás, Murillo e Ralf participam da gravação do cover Who Are the True, do Vulcano. Essa não é a primeira vez que a banda apresenta um cover e de banda nacional. Por que essa escolha e a predileção por bandas brasileiras?
Manu: Basicamente por serem bandas que crescemos ouvindo e por cantarem em português. E também pela parte lírica de ambas, que tem a ver com o que acreditamos. Vulcano e Stress merecem todo nosso respeito!


A produção de “Opressor” ficou por conta de Gustavo Vazquez (Black Drawning Chalks, Macaco Bong, Krow, Hellbenders). Como foi trabalhar com ele?
Manu: Muito tranquilo. O Gustavo é um cara gente boa, da velha escola e que conhece muito bem Metal e Hardcore. Ele foi guitarrista do Siecrist, uma banda Thrash foda que já gravou pela Cogumelo, inclusive. Por outro lado ele tem a mente aberta para outros estilos, gravou Macaco Bong ,sendo inclusive premiado nessa produção, toca no MQN, isso pro Uganga ajuda muito pois não somos uma banda muito convencional (risos). A parceria deu certo e estamos trabalhando juntos de novo no DVD de 20 anos do Uganga.


A banda também gravou um videoclipe para a faixa Casa. Por que escolheram essa faixa e como foi a produção do vídeo?
Manu: Casa é uma faixa direta, bem Thrashcore e que fala de estrada, tours e levar com você a sua casa, esteja onde estiver. Como fizemos muitas imagens legais na tour do “Eurocaos”, resolvemos fazer o clipe mostrando esse lado e adoramos o resultado. Na verdade foi nosso clipe mais despretensioso e, no final, o que mais gostamos até agora. O Eddie Shumway mandou muito bem!


Manu, sendo direto. O Uganga ainda é conhecido como a banda do ex-baterista do Sarcófago? Você se incomoda com isso?
Manu: Acho que hoje nem tanto, apesar de certa parte dos fãs de Metal descobrirem o Uganga por conta desse meu passado no Sarcófago. Mas já rolou o contrário também, com a molecada mais nova. O cara curte o Uganga, descobre que toquei no Sarcófago e busca conhecer a banda, isso já rolou também em especial com o pessoal do Hardcore. Sinceramente, acho que estamos colhendo frutos pelo nosso trabalho e pela nossa música. O Sarcófago é uma banda foda e um currículo do qual tenho muito orgulho, mas são bandas e momentos muito diferentes. No palco é onde mostramos nosso real valor, pois ali, viver de passado, não resolve.


E quais os planos da banda agora, além da continuidade na divulgação do novo trabalho?
Manu: Vamos lançar ainda esse semestre o vinil do “Opressor” pela Sapólio Radio e em setembro soltamos o DVD de 20 anos que está ficando bem legal. Também faremos mais dois clipes, um ‘lyric video’ para O Campo e outro vídeo que ainda estamos definindo a música e a ideia. Fora isso, estamos focados em nossa primeira tour na América Latina assim como distribuir o “Opressor” no continente e vamos devagar compondo com a nova formação com 3 guitarras. Queremos lançar um EP ou um Split com outra banda no começo de 2016.


Muito obrigado por falar mais uma vez ao Arte Metal. Este espaço é de vocês.
Manu: É um prazer poder falar do nosso trabalho com vocês. Para conhecer mais sobre o Uganga acessem : www.uganga.com.br . Nos vemos na estrada. Pax!


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