quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Aske – “Once...” – 2015 – Independente (Nacional)

Finalmente o debut dos são-carlenses do Aske em mãos e o que era de se esperar saiu melhor do que a encomenda. Afinal, a banda manteve a essência de seus lançamentos anteriores e ainda agregou a evolução natural do quarteto, além de se mostrar mais madura em termos de estrutura de composições.

A banda, que executa um Black Metal rústico com influências de Death Metal, abre mais o leque em seu primeiro trabalho completo trazendo um clima mais soturno às composições, além de apostar bastante em músicas cadenciadas que recebem elementos tradicionais de Depressive Black Metal (algo que pode até passar despercebido).

Os fãs mais extremados podem achar que a falta de mais velocidade causa um impacto negativo na sonoridade de uma banda deste estilo, mas tal fator traz um extremismo extra às músicas do Aske, que conseguem soar ainda mais maléficas e ainda nos dá o prazer de compreendê-las melhor.

A primeira faixa Carving The Flesh abre o disco intensamente, inspirada em toda maldade e um ritmo marchante de dar arrepios. Outra com início cadenciado é Kingdom que parece uma trilha para o inferno. Mais brutal, porém ainda assim não tão veloz Unchain The Seed Of Cognition também se destaca, além da longa e versátil Introspective Return Of Shadows que fecha o disco. As já clássicas Erase The Scars e Whip The Bastard, além do single Denied Regain também reaparecem no trabalho, mostrando que a essência realmente foi mantida.

Muito bem produzido, “Once...” traz uma aula de riffs Black Metal do guitarrista Dario "Dariwsh" Neves, que é acompanhado pelo baixo potente de Filipe Salvini (ex-Abdicated) e pela bateria coesa de Renato Lourenço (Abdicated, Violent Illusion). Tudo tendo à frente os vocais vomitados de Paulo Roberto (Abdicated, Beastkrieg) recitando blasfêmias.

Um pouco mais de volume na produção que captou a essência da banda corretamente e uma melhor apresentação na parte estética do trabalho ganhariam ainda mais pontos ao debut, que tem uma arte de capa sensacional a cargo de Leonildo Fonseca. São apenas detalhes que podem fazer a diferença ainda mais num futuro lançamento. Estreia magnífica!


8,5

Vitor Franceschini


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