sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Entrevista: Hicsos




25 anos de carreira, três álbuns lançados totalizando sete trabalhos, shows com grandes nomes do Metal mundial e um nome consolidado no cenário fluminense. Tudo dedicado ao Thrash Metal e sem interrupções, apesar dos problemas comuns que toda banda enfrenta. Hoje com Marco Anvito (vocal/baixo), Marcelo Ledd (bateria), Celso Rossatto (guitarra) e o recém chegado guitarrista Alexandre Carreiro (As Dramatic Hoamge), a banda colhe seus frutos de muito esforço e prepara um lançamento de comemoração. Sobre estes e outros assuntos, eis as palavras dos membros mais antigos da banda.

São 25 anos de carreira praticamente ininterruptos. O que a banda Hicsos tem a comemorar neste ano que completa essa marca memorável?
Anvito: Pô mano, muita coisa. Amizade dos integrantes (mesmo os ex ainda são amigos), lugares que conhecemos tocando, shows maravilhosos, reconhecimento, amor pelo Metal e acima de tudo ainda ter saúde para estar na estrada. (risos)

Marcelo Ledd: Primeiro acho que podemos dizer que realizamos muitas coisas nesses vinte e cinco anos, vi muita banda parar e voltar e parar de novo, mas o Hicsos tem orgulho de estar aí por todo esse tempo sem tirar de dentro e sem tirar o pé do peso e da violência musical que sempre caracterizou a nossa música. Tudo de bom e ruim valeu à pena.

É uma vida praticamente e metade da vida do Heavy Metal em si. Como a banda via o cenário no início, meio e atual do Metal, principalmente aqui no Brasil?
Anvito: Acho que na década de 80 e 90 as coisas eram muito mais difíceis, mas também muito mais passionais, tínhamos que mandar carta, enviar fita demo era difícil mesmo. Hoje tem a internet que estreitou muito as distâncias, você quer escutar uma banda nova já tem um MP3 pra download, tudo muito rápido.  Por um lado bom para divulgar e por outro ruim porque a venda de CDs físicos diminuiu demais.

Marcelo Ledd: É uma vida mesmo, lembro dos anos oitenta e tinha todo esse tesão e ao mesmo tempo a inexperiência também, isso foi mudando, as bandas foram aprendendo na estrada, fazendo... E com a gente não foi diferente, a década de noventa já começou a mostrar o caminho que seria tomado e hoje acho que as facilidades encontradas tornam as bandas niveladas, mas não sei se por baixo ou por cima. Ninguém pensa mais em ter uma demo, todo mundo quer ter um álbum, mesmo que seja virtual. Antigamente ter uma demo era a meta de toda banda que estava começando, o resto é isso que o Anvito falou , somando o roubo de música com os downloads ilegais. Mas vejo uma enorme melhora em termos de estrutura.

Hicsos 2004


E quais os momentos mais marcantes na carreira de vocês, além dos mais difíceis?
Anvito: Ter tocado com grandes bandas, os grandes festivais e a tour pela Europa foram pra mim os momentos mais marcantes.  Aprendemos muito e foi muito prazeroso. Os mais difíceis... Bem sempre tem aquelas furadas de shows mal produzidos com pouquíssimo público e som horrível, mas prefiro não citar. (risos)

Marcelo Ledd: Os shows com as bandas que sempre curti desde bem jovem, os festivais, a tour europeia, a primeira entrevista para uma revista e a longa vida da banda são momentos marcantes. Os momentos ruins acho que troca de integrantes e projetos que não saíram como desejávamos .
    
Mesmo com 25 anos de carreira o Hicsos possui apenas três álbuns de estúdio. Acredito que vocês já tentaram produzir mais material, mas por que a banda não chegou a lançar mais material completo?
Anvito: Grana, conciliar trabalho com banda e troca de formação foram nossos grandes vilões.
Marcelo Ledd: É falta de grana e troca de formação atrapalha bastante, mas hoje em dia as gravadoras não investem tanto quanto foi no passado, isso também inibe os projetos.

Aliás, foram 14 anos até lançar o debut. Por que essa demora?
Marcelo Ledd: Exatamente por causa de custos, as gravadoras começaram a ter uma queda em suas vendas do meio dos anos noventa pra cá, isso foi só o reflexo do que viria.

D.R.I., Mercyful Fate, Anthrax, Ratos de Porão, Korzus, Destruction, Obituary, Napalm Death são apenas alguns nomes dos quais vocês já dividiram o palco. Olhando pra trás e vendo isso, qual o sentimento? E como foi se apresentar com esses ícones?
Anvito: Sentimento de sonho realizado. Dividir palco com aquelas bandas que ouvimos muito e somos fãs é uma sensação indescritível.  Com esses shows nós adquirimos mais experiência e crescemos muito musicalmente.

Marcelo Ledd: Como o Anvito disse, sonhos de conhecer os caras que sempre estiveram na minha vitrola. O ganho de experiência é sempre maior quando estamos fazendo shows com bandas de porte, mas às vezes também vem as decepções com alguns produtores sobre o tratamento com as bandas de abertura.

Hicsos 1990


A banda é adepta do Thrash Metal, provavelmente influenciada pelo ‘boom’ da cena na década de 80. Ou seja, vocês também passaram pela baixa do estilo e viveram o ‘revival’ que há uns 5, 6 anos o estilo vem vivendo. Como enxergam esse novo ‘boom’ e como vocês vêem essas novas bandas surgindo?
Marcelo Ledd: É, os anos oitenta foram fonte de inspiração mesmo, fizemos o som que ouvíamos na época. Mas só vimos a baixa no mainstream, o nosso cotidiano continuou o mesmo, a única coisa que realmente mudou foi que as gravadoras desistiram do Thrash e hoje querem as bandas novas que fazem o som velho. É bom ver bandas de Metal surgirem, em qualquer estilo que seja, isso é que mantém uma cena viva.


Aliás, vocês indicariam alguma banda de Thrash Metal da nova geração?
Anvito: Eu tenho amigos pessoais de bandas de Thrash que curto demais o som deles. O No Remorse é um ótimo exemplo de banda de Thrash da nova geração.
 
Marcelo Ledd: Acho que o No Remorse e o Vox Morten aqui do Rio.

Gostaria que vocês comentassem sobre cada um de seus discos na resposta seguinte: “Eatin' Concrete” (2004), “Technologic Pain” (2007) e “Circle of Violence” (2013).
Anvito: O “Eatin’ Concrete” foi nosso debut, com ele aprendemos muito sobre gravação profissional. No “O Technologic Pain” ficamos morando por 15 dias no estúdio Mr. Som em SP e demos uma atenção mais profunda nas gravações além de termos algumas participações de músicos renomados como Pompeu e Heros do Korzus e Regis e Edu do Scars. “O Circle of Violence” nós gravamos em nosso estúdio e mandamos o material para mixagem e masterização no Mr. Som.  Foi um trabalho muito mais cuidadoso desde o material sonoro até a arte do CD.

Marcelo Ledd: “Eatin’ Concrete” - primeiro disco que tem seus bons e maus momentos, mas serviu de aprendizagem.
“Technologic Pain” - Esse foi bem mais trabalhado, fizemos as músicas com mais calma, pensando na gravação. A produção foi muito melhor e as músicas representaram o que é o Hicsos em sua essência .
“Circle of Violence”: Em termos de produção foi o melhor de todos, mas acho que musicalmente não representou o que somos como banda, o trabalho é muito bom, mas as composições ficaram na mão de uma só pessoa e isso não me agradou, sempre fomos uma unidade. Esse disco teve uma ótima resposta assim como o “Technologic Pain” e ainda esta nas lojas.

Falando dos dias de hoje, no que vocês vêm trabalhando? O que podem nos adiantar sobre um novo lançamento?
Anvito: Hoje estamos entrosando a nova formação, fazendo novas composições e trabalhando no projeto de filmagem e edição de nosso DVD de comemoração dos 25 anos.

Marcelo Ledd: Aguardem que teremos várias participações nesse DVD que reproduzirá em imagens a nossa história.

Enfim, qual a fórmula para tanta persistência e se manter na ativa dentro do Metal que é um estilo não tão aceito por aqui?
Anvito: Amor pelo Metal. E acima de tudo amizade entre nós. Gostamos de estar juntos tocando e gostamos demais do Metal!

Marcelo Ledd: Tesão por essa música chamada Thrash Metal, enquanto aguentarmos estaremos fazendo esse som.

Parabéns! Fica este espaço pra vocês deixarem uma mensagem aos fãs que os acompanham ontem, hoje e sempre.
Anvito: Obrigado a todos vocês do Blog Arte Metal. Queria agradecer também a todos os nossos fãs e amigos que nos dão força e motivação para seguir em frente. Visitem nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/officialhicsos) e site (www.hicsos.com.br).Abraço a todos.  Stay Heavy!


Marcelo Ledd: Obrigado pelo espaço e apoio. Todos os fãs podem esperar pelo DVD que será muito bacana de assistir, sempre teremos mais alguma coisa pra mostrar, não deixem de ver a nova formação que está muito bem entrosada.

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