terça-feira, 25 de agosto de 2015

Verborragia Sonora: Heavy Metal não tem sexo!

Heavy Metal não tem sexo!

Por Luis Carlos

E é nesta questão que eu sempre critiquei o chamado “Female Band” por acreditar que o fato de você ter uma vagina ou um pênis nunca foi nem nunca será o mais importante para você fazer a sua música, afinal, ser homem ou mulher não tem conotação musical alguma.

Uma jogada de marketing ? Sim, é válido talvez, mas ao mesmo tempo um “tiro no próprio pé”, afinal, você está rotulando qualquer coisa em sua Banda menos a sua música que de fato é o que deve prevalecer. “Female Band” vai apenas parecer que é uma banda formada por mulheres, mas depois disso, é possível que você reclame com alguém o fato de alguém dizer: “Gostei porque a vocalista é gatinha”. “Essa Banda só tem mina gostosa”, e com um rótulo desses, será mesmo que o seu protesto será válido? Imagine então quantos “Macho Band” existem para identificar uma banda formada somente por homens, e o que diremos sobre uma banda que tem homens e mulheres? Boa ou ruim, a resposta está na música. Ninguém tem culpa pelo fato de ser bonito ou não, mas beleza não é fundamental, a música sim.

A sua banda será considerada boa pelo simples fato de que você faz uma música agradável aos ouvidos de pessoas que gostam do estilo que você toca e o que não pesa o fato de você ser mulher ou homem. É óbvio que existem pessoas que tem preconceito, mas também o fato de que um rótulo como esse acaba por fortalecer este sentimento, porque você tem que ter orgulho do que é, faz e tem, mas não por ser homem ou mulher, porque a partir do momento que o “seu sexo” fica acima de tudo e radicaliza isso, o feminismo ou o orgulho de ser mulher, o que seja, acaba se valendo da mesma ideia errada de ser homem e do machismo para se opuser ou sobrepuser quaisquer questionamentos de sua música.

Warlock
Existe beleza nos olhos de quem vê de maneira que não seja vulgarizado, o que alguns utilizam isso e nós sabemos, assim como isso não é “especialidade” de outros estilos, marketing é marketing, e aquilo que você aparenta nas fotos e/ou em cima do palco será o que possivelmente todas aquelas pessoas que a veem terão como ideia e opinião formada em suas cabeças. Quando eu vejo cantoras ou bandas como Doro Pesch (com ou sem Warlock), Lita Ford, Lee Aaron, Runaways, entre outras, o que eu consigo imaginar delas é a boa música que fazem ou fizeram em suas carreiras. Aqui no Brasil mesmo, colocando gosto pessoal à parte, vejam bandas formadas somente por mulheres como Valhalla, Flammea, Nervosa, bandas com mulheres em sua formação como Shadowside, Fire Strike, enfim, um grupo seleto que tem feito ou fizeram seus trabalhos justamente pela capacidade de se fazer música, não por serem mulheres.

Acredito até que esse “tabu machista” do Metal tenha se perdido um pouco, FELIZMENTE, reflexo de todas as mudanças que nossa sociedade anda passando, e claro, que existem mulheres que curtem “machistas”, e por que não? Vivemos em uma sociedade livre de escolhas (bem, assim eu acredito que seja uma democracia) e cada qual sabe o que é melhor para si, desde que respeite o direito de escolha do outro, afinal, podem também discordar do que eu escrevi, isso é uma coluna, não o senhor da razão. Aproveito para avisar que não sou machista, sou casado com uma mulher independente e que se sustenta com o suor do seu trabalho, é fã de Heavy Metal e eu tenho muito orgulho dela, mas não por ser mulher e/ou a minha esposa, mas pelo ser humano que é.










LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

Um comentário:

  1. Muito bom o texto, realmente não existe sexo na música, o que ela ser boa é o sentimento passa para gente.

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Shinigami Records