terça-feira, 11 de agosto de 2015

Verborragia Sonora

Heavy metal “brazileiro”

Por Luis Carlos

Amamos o Heavy Metal e sabemos o quanto existem fãs do estilo em nosso país, ao mesmo tempo em que sabemos que se comparados a outros estilos o Metal não tem tantos fãs como outros estilos.

Até aí problema nenhum, o fato de não ser um estilo Brasileiro não tira o mérito de ser bom ou ruim e o que realmente interessa é que gostamos demais, afinal, décadas atrás existiu uma passeata contra as guitarras e a música estrangeira feita por músicos da MPB, diga se de passagem, com participação de muitos “artistas malas” que ficaram aí falando de “Sepultura e Nirvana”, porém, o que eu pergunto é: “E o Heavy Metal Brasileiro?”, “O público do país valoriza e conhece?”

Eu acho que não é bem por aí, pois eu conheço casos de pessoas que ao ser perguntado da existência de uma Dorsal Atlântica, sensacional banda carioca da década de 80, a pessoa sequer conhecia, e que me perdoem, pois pode até não ser uma obrigação ter esse conhecimento, mas que é uma vergonha não conhecer algo que é do próprio país, isso é, me desculpem. De fato o Rock in Rio trouxe para o Brasil grandes nomes do estilo em 1985, porém, muitos já tinham esse conhecimento, assim como já existiam bandas em nosso país praticando o estilo e muito já se fazia pelo “underground” do Brasil, e claro, acabaram não sendo valorizadas por este evento e muito menos por grande parte dos fãs do estilo e realmente o que se soube de Rock foi através das bandas mais pop que estavam surgindo na época como Blitz, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, e nada contra elas também, até porque eu gosto de muitas delas, mas quem se importaria realmente com o Stress? E olhem que chegaram a gravar um disco por uma grande gravadora na época, caso do “Flor Atômica” (1985). Quem se importaria com o Metalmania, banda do excelente guitarrista Robertinho do Recife, quem se importaria com o Sepultura (em sua fase mais radical) naquela época, se estavam ali o Ozzy, Whitesnake, Iron Maiden, AC/DC?

Sinceramente eu acho que o brasileiro deveria gostar mais do brasileiro no sentido de apoiar o que temos aqui e não é por sermos do mesmo país ou fazer algum discurso patriota aqui, mas de que realmente existem bandas tão boas ou melhores do que muitas que existem lá fora. Não, não se trata de dizer que você “chupa aquilo ou não” de gringo, mas de parar para pensar e raciocinar de forma razoável que o estilo cresceu no Brasil e bandas como as que eu citei e se incluir mais algumas na lista como Ratos de Porão, Metalmorphose, Salário Mínimo e tantas outras, eles sim, foram nosso heróis e responsáveis pelo que temos do estilo em nosso país hoje. Eu acho que o Ozzy é um cara sensacional, mas por que o Bala do Stress também não é? Não conhece a história dessa banda paraense e desse cara? Acho que você deveria.

Roosvelt Bala (Stress) gravando música tema para o documentário Brasil Heavy Metal


Outro cumulo é quando dizem que “cantado em português” fica ruim, tudo bem, é questão de gosto pessoal, mas ruim por causa das letras? Será que você sabe mesmo o que diz muitas das canções em inglês? Ouça “Kill`em All” (1983) do Metallica, que é um grande álbum, e óbvio, uma excelente banda, mas vai lá e traduz algumas letras... E por favor, não seja um fã ardoroso da banda e resolva me “apedrejar”, até porque eu também adoro os caras. A própria mídia do estilo apoia da melhor forma possível e é provável que não dê até mais espaço para o estilo porque não vende e infelizmente é uma verdade, dificilmente você vê uma banda nacional figurando em alguma capa, a exceção mesmo das mídias mais “undergrounds” que é onde o Metal brasileiro acaba encontrando mais espaço e tendo mais valor.

O que acaba chegando até ao público brasileiro acaba sendo aquelas que tiveram mais sucesso e oportunidades no exterior, caso do Sepultura e Angra, mas isso é muito pouco, porque até lá pra fora vai muito mais bandas do que essas, aliás, quase não vêem essas próprias bandas fazendo turnê dentro do nosso país, muito difícil e vai saber o motivo, se por questões financeiras, ou de um público que geralmente acaba só frequentando shows gringos ou grandes festivais.

Qual banda não quer tocar em grande festival e mostrar que o Brasil tem muito mais? Mas e depois de tocar, o que resta fazer mais? E será mesmo que todas essas bandas que acabam tocando em um festival estão ali por méritos musicais? Sejamos brasileiros e honestos. Realmente eu não vejo nesses festivais o que se reflete na cena brasileira pro estilo, aliás, bandas que surgiram do dia pra noite, enfim, sem comentários. Só espero mesmo que depois disso não achem que toda “Boyband” seja ruim. Cada um sabe do seu, mas acredito que o público brasileiro é inteligente e sabe diferenciar o que parece real ou não, então, vamos dar oportunidade para o Heavy Metal no Brasil? VAMOS, mais ainda, VAMOS APOIAR O METAL BRASILEIRO, procurem porque tem muitas bandas legais fazendo um excelente trabalho pelas mídias.










LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

4 comentários:

  1. faz sentido... não conhecer Dorsal é o fim rs

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  2. Concordo plenamente, Carlinhos. Nos anos 80, cheguei ao cúmulo de ser criticado por acompanhar e ser roadie de bandas do Rio de Janeiro e sempre apoiar as bandas nacionais. Desde aquela época eu já dizia que nossos músicos e nossas bandas nada deviam aos de fora, apenas tínhamos mais dificuldades em obter bons equipamentos. Dificuldade essa que ainda perdura hoje, embora em menor escala, pois o que falta hoje é grana. É isso aí, apoiar sempre o Metal Nacional!!!

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  3. Muito bom! Precisamos mesmo acordar para o Brasil! Poderia citar umas 2 páginas de nomes de grandes bandas nacionais maravilhosas, que trabalham duro e investem em sua música. Hoje vemos ótimas bandas anunciarem o fim das atividades, e muito disto vem pela falta do apoio, pela preferência no que é fabricado fora do País. Passou da hora de acordar e olhar pro lado, em nosso bairro ou cidade pode ter uma banda precisando de nós. Rock on!

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  4. Acredito que haja um problema ainda maior do que esse, veja como a música como um todo está imbecilizada. Pra mim isso é reflexo de um sucateamento da educação de modo geral dos últimos 20 (e por que não dizer 30?) anos, então não tem como mesmo!

    Outra coisa importante é: como vamos competir com os gringos que nascem estudando música na escola desde criança? Chega a ser desleal até... Os que sobressaem como músicos aqui já nascem, normalmente, em alguma casa de músicos, tem o contato desde criança, e algumas desenvolvem interesse por instrumento e passam a estudar desde cedo (por pura força de vontade). Veja esses funkeiros mesmo, eles sentem vontade de se expressarem musicalmente, mas o máximo que conseguem é fazer aqueles lixos sonoros. Independente do estilo, a música só está empobrecendo cada vez mais, ao ponto do público também preferir músicas mais simples, diretas, curtas, etc... pela mais pura ignorância musical.

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Shinigami Records