quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Entrevista: Sky In Flames



Apesar de ser formado em 2003, o Sky In Flames só foi lançar seu primeiro EP neste ano. Oriundo de Esteio/RS, o grupo atualmente é formado por Wagner Santos (vocal/guitarra), Fabiano Oliveira (guitarra), Jeverson Eberle (baixo) e Jeferson Pereira (bateria), que praticam um Death Metal sem fechar o leque abrangendo Thrash e Black Metal. Quem nos falou mais sobre o trabalho e a banda foi o vocalista e guitarrista Wagner, confira nas linhas abaixo.


São mais de 10 anos de carreira, mas até então o Sky In Flames não tinha lançado nenhum trabalho ‘oficial’. Qual o motivo disso?
Wagner Santos: Não tínhamos uma agência de assessoria e imprensa para nos direcionar às gravadoras o que torna muito difícil gravar algo. Tendo esta ferramenta agora ao nosso lado tudo fica menos difícil, precisávamos deste trabalho em mãos para poder seguir em frente com shows e ter nossa própria banca de marketing para fazer a banda viver dela mesma ao invés de ficarmos injetando dinheiro nela o tempo todo, o que torna tudo mais desgastante.


Dado isso, como foi o processo de criação e produção de “In Cailleach Winter Veil”?
Wagner: As músicas que estamos lançando como inéditas neste trabalho são composições antigas e a muito aguardavam o momento de serem lançadas, particularmente eu não aguento mais ouvir elas (risos). As músicas bônus foram adicionadas ao CD, pois elas não tiveram lançamento físico por uma gravadora, a demo “Blinded by Hate” (2007) teve uma tiragem que não atingiu 50 cópias pois foi feita por nós mesmos e o single “Carnal Putrefaction” (2007) foi duplicado da mesma forma para que pudéssemos apresentá-lo em um show que fizemos em São Paulo na época.


O disco traz uma sonoridade focada no Death Metal, mas com uma boa dose de melodia. Poderíamos considerar o Sky In Flames uma banda de Melodic Death Metal?
Wagner: As últimas resenhas que tenho lido sobre este lançamento eu já li dizerem que a banda é de Death Metal Melódico outras de Brutal Death Metal, Algumas de Old School, Black Death Metal, então baseado nisso eu prefiro não intervir, deixo que cada um faça seu próprio critério. Se você escutar a música Nights Of Sacrifice vai perceber que ela é uma música que soa como Death Metal mas ela não é melodiosa, agora se escutarmos a Into The Light ela se torna um Death Metal Melódico autentico. Shadows tem um ambiente tão sombrio na intro e termina de forma extrema, sem falar que a letra é totalmente atípica do que estamos escutando nas bandas que estão surgindo de 10 anos para cá. Temos a Subliminal Neurologic Destruction que questiona a própria existência e a música já inicia sendo de forma brutal, então eu acredito que o melhor que temos a fazer é deixar a banda sendo conhecida pelo gênero Death Metal e dentro disso deixarmos que os ouvintes decidam o que estão escutando. 


Aliás, ainda há elementos típicos do Black Metal que se consagrou na década de 90...
Wagner: Sou um grande fã de Black Metal e recebo material de muitos lugares do mundo e hoje graças às grandes produções de estúdio o gênero vem consagrando bandas de países de fora da Europa. No início de tudo era terrível, pois as gravadoras não entendiam a proposta das bandas e acabavam por não lapidar melhor a produção dos álbuns na época, e hoje as bandas que estão surgindo já não se guiam mais por aqueles materiais, hoje as bandas estão prezando pela produção do trabalho que estão para lançar, e isso não é diferente de nossa proposta pois as letras da banda possuem um enraizamento muito forte dentro do Black Metal e temos muito orgulho disso.



Falando sobre a produção do trabalho, ela é de qualidade e soa mais orgânica e fiel do que o que nos acostumamos a encontrar hoje em dia. Esse foi o objetivo da banda? Como foi esse processo?
Wagner: Se eu te contar que este álbum não foi finalizado você vai acreditar? E se eu te contar que o que você está escutando é apenas o material capitado dentro de estúdio e apenas foi alinhado os volumes você acreditaria? Pois bem, isso foi o que aconteceu, gravamos os instrumentos e a voz em um único final de semana e não tivemos tempo para mixar ou masterizar, quando começamos a gravar tínhamos fechado contrato com uma gravadora que pagaria gravação deste trabalho, mas aí os meses foram se passando e o valor negociado não veio. Então decidimos cancelar a agência de assessoria e imprensa que havia fechado o contrato e estamos à espera da resposta desta gravadora até hoje sendo que esperamos que ela não tenha esquecido que temos um contrato assinado e gravado em vídeo disponível para todos verem no Youtube. Como não tínhamos a verba para fechar o pacote e recolher o material decidimos correr atrás de outra agencia de assessoria e imprensa e eis que surge a Heavy And Hell Press que passa a administrar a banda, colocamos o Renato Gimli Sanson a par de toda a história e prontamente ele começou a fazer contato com as gravadoras do Brasil, em 7 dias ele tinha 5 propostas de contrato para nossa análise e acabamos por fechar com a Cripta Discos. Mas como toda a gravadora tem seus prazos limites, com esta não foi diferente e em uma semana tinha que ser decidido lançar desta forma ou abortar a missão de vez e imagine você qual decisão tomamos? (muitos risos)


Um dos fatores importantes na música do Sky In Flames é que mesmo se utilizando de uma boa dose de melodia em suas composições, a banda consegue manter a aura maléfica em seu som, sem soar ‘água com açúcar’. Qual seria a fórmula disso?
Wagner: Trabalhamos com melodias que não são convencionais, é terrível escutar uma música em que se sabe em que momento vai entrar o refrão, ou em que momento vai entrar o solo, isso é muito chato... Então quando estamos compondo, primeiro alinhamos a música e depois mudamos a cara dela desagregando os padrões notáveis da linha musical. Hoje em dia é um saco escutar uma música de 6 minutos, mas se você escutar a Shadows nem vai sentir que se passou todo este tempo. A forma em que compomos as músicas vai dar o que falar quando lançarmos o próximo material e aí sim poderemos mostrar do que a banda é capaz. Todos nós estamos preparados para lançar um material que certamente irá mudar o cenário rítmico do Death Metal sem tornar o gênero mais um clichê esporádico no underground. Na mudança de formação em 2012 com a entrada de Fabiano Oliveira (guitarra), o entendimento de melodias e construção musical foi mudado em 75%, eu não tenho como explicar em palavras como isto tudo está sendo de grande valor à banda, mas posso afirmar que o próximo material não será convencional mas será aquele trabalho que será escutado várias vezes e não será igual a nada já escutado antes.


Aliás, as letras fortes anti-religião podem ser um dos fatores que mantém essa aura. Fale-nos um pouco do contexto das letras de “In Cailleach Winter Veil”?
Wagner: É sempre um desafio criar uma letra sem parecer com algo hoje em dia e quando o assunto é religião isso parece que piora ainda mais por que não teve banda que não tirou uma parte controversa da bíblia, ou do corão ou da tora, então tento mesclar isso com a política, ou aos costumes antigos. Já estou em processo de finalização das letras do próximo trabalho e sempre tem uma coisa aqui e outra ali para mudar, eu sempre mostro as letras para a banda quando termino de escrever, mas acredito que tudo que mostrei já foi mudado tantas vezes que nem me lembro da matriz inicial (risos). Mas sempre visando a melhoria do entendimento de tudo como um todo, de nada adianta eu falar de um Deus Sumério que só eu e a banda leu ou ouviu falar, quando isso acontecer deve ser de forma contada sem ser fatídico. A letra da Nights Of Sacrifice é direcionada ao Black Metal e ao War Metal, e quando se lê uma letra daquelas adicionada a um padrão rítmico tão intenso como o dela você sente realmente que tem algo ali que te passa o sentimento de raiva na guerra.


E como tem sido a repercussão de “In Cailleach Winter Veil”?
Wagner: O show de lançamento será dia 12 de setembro e estamos ansiosos para saber das pessoas o que elas acharam do que estão escutando, e pelo que tenho acompanhado em nossa página no Facebook os nossos seguidores, fãs e amigos estão felizes por nós, mas nem todos usam as redes sociais para isso, então nada melhor do que poder ver isso em um show; Sempre fomos bem recebidos por todos os lugares que passamos e esperamos que este novo trabalho possa trazer mais contatos para shows. Em 2014 tocamos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e este ano temos este lançamento, parece que tudo está se encaminhando para nós.


Enfim, falem-nos dos planos da banda para este resto de ano.
Wagner: Por enquanto estamos focados apenas no lançamento deste trabalho e em finalizar o as músicas novas. Sobre shows isso fica a cargo da nossa assessoria, pois são eles que mantêm a nossa agenda em dia; Este ano foi muito puxado para nós mesmo estando mais tempo em estúdio do que tocando em festivais, estamos dando o máximo de nós para poder trazer um material mais extremo e bem mais coeso, sem tanta melodia também (risos).


Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem
Wagner: Agradeço ao Blog Arte Metal pela oportunidade de estar falando sobre a banda, ao Estúdio Audiocore que é o local onde ensaiamos a TENENT que é meu patrocinador; a Heavy and Hell Press por estar conosco nesta caminhada e a todos os nossos amigos e seguidores. Horns up \m/.



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