quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Verborragia Sonora: Os mistérios do Rock and Roll



Por Luis Carlos

Como muitos amantes do Rock and Roll que começaram a curtir som no começo da década de 80 e entrou de cabeça no Rock and Roll pelo Kiss, eu sou mais um desse time. A banda que veio ao Brasil em 1983 e divulgava aquele que é considerado como um dos melhores discos deles, “Creatures of the Night” (1982). Pra variar, a banda fez um estardalhaço na mídia (ou seria o contrário?), e ainda mais naquela época, todo tipo de bobagem foi dito sobre o Kiss na mídia. Bem, nada que o “marqueteiro mor” Gene Simmons se incomode, mas acho que isso despertou mais curiosidade e interesse pelo grupo do que afastou a banda.

O Kiss sempre despertou muito mais do que a boa música, porque todo aquele aparato e lendas criadas em torno do grupo eram mantidos por eles e o que fazia com que nós fãs sempre ficássemos naquela expectativa sobre algo. O grande exemplo era sobre a identidade daqueles mascarados que se escondiam por trás de personagens. Com minha idade assumida e sabedor de que muitos faziam a mesma coisa (eu tinha 11 anos de idade), quem não reverenciava tudo aquilo e se sentia um pouco parte de toda ficção criada em torno da banda?

Quando eu era moleque me pintei, fingia que tocava um instrumento e tinha uma banda e olhem onde tudo isso foi parar? Com exceção da pintura, acabei aprendendo um instrumento e tocando em banda, aliás, eu não me importava para bateria e preferia a guitarra, mas acabei me tornando um baterista, e claro, com Eric Carr sendo um dos meus preferidos, e discussões de fãs a parte, muito melhor do que aquele que faz parte da formação clássica, Peter Criss, e não sendo implicante, cantando bem melhor também.



Hoje o Ghost assume esse papel, pois ninguém sabe ao certo quem são aqueles “mascarados satânicos” que fazem um som que eu considero um híbrido de Black Sabbath com Mercyful Fate, mas com um apelo mais Pop, o que de fato se tornou mais evidente a partir do segundo disco. Gosto da banda e já assisti dois shows, recentemente lançaram o terceiro disco e vamos ver se sobreviverão ao tempo como aconteceu com o Kiss, aliás, fica a dúvida se conseguirão se estabelecer como aconteceu com o Kiss nos meados dos Anos 80 quando resolveram tirar as máscaras. Quando o Kiss fez isso eu continuei gostando e o primeiro disco dessa fase chamado “Lick it Up” (1983) é muito bom.

Será que o Ghost ficaria bom sem as máscaras? Quando eu vejo toda a molecada curtindo o grupo, é meio que parecido com aquela sensação de quando curtia o Kiss, a exceção de que o Kiss já tinha muitos trabalhos lançados e era uma banda super estabelecida no mercado, o Ghost é muito bom e tem muitos fãs, só que ainda não pode ser considerado um “super grupo”. Uma pena que para igualar a polêmica com o Kiss, dessa vez não tivemos nenhum “Secos e Molhados” atual, aliás, pelo estado que se encontra o Rock nacional de Nx Zero e Malta da vida acho improvável, afinal, o Secos e Molhados era uma banda excelente.

Bem, de uma coisa nós sabemos que não existe mistério, “a de que o Rock and Roll vai se reinventar sempre” e que isso sempre seja assim e para quem sabe lá em 2035 surgir outra banda assim. Eu não tenho mais idade para “brincar de Ghost”, mas acho o máximo essa garotada curtindo e apoio, pois já estou cansado de tanta gente séria e chata demais.











LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

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