quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Verborragia Sonora: Ninguém é Underground



Por Luís Carlos

“Eu acho que ninguém é underground, mas sim, ESTÁ underground.” “Underground” é um estado que se encontra determinadas posições de um meio, seja ele produtor, músico ou dono de um estabelecimento, enfim, todo aquele que se caracteriza por uma atividade do qual não vive ou no máximo se sobrevive de sua atividade, que está longe do chamado “mainstream”, ou seja, do grande público, pessoas aquelas que sequer frequentam e/ou nem sabem da existência do local e de tudo que faz parte do underground.

Muitos adotam uma ideia de que sair do underground é traição, é fazer com que seu trabalho seja ruim, o que de fato depende da “cabeça” de quem assim faz o seu trabalho, porém, existem valores diferentes e muitas coisas envolvidas que fazem, ou pelo menos, dizem fazer para que “corrompa” os valores e a honra de não ser reconhecido por todos, ou digamos, “por qualquer um”. Iron Maiden e Metallica são bandas respeitadas no mundo todo, verdadeiras “instituições” do Heavy Metal mundial, e ainda que não seja uma unanimidade entre todos aqueles que dizem “viver o underground”, é impossível não valorizar e parabenizar pessoas que vieram dali, ou não? Saibam a história dos grupos e saberá o quanto eles cresceram pelo fruto do seu trabalho.

Não podemos usar o underground para fazer algo mal feito, não pode ser desculpa de um lugar sem estrutura, sem segurança, sem equipamento, de gravação mal feita e por aí vai, isso não é ser underground, isso é ser amador! Outra coisa a se considerar é que underground não é contra tecnologia, afinal, é melhor que todas essas pessoas saiam do Facebook e resolvam viver com uma máquina de escrever. O mesmo se aplica ao ridículo de serem contra mídia que usem os recursos atuais de um blog ou um site pra fazer fanzine, até porque é óbvio que existem fanzine, mas se fazia somente fanzine naquela época porque não existia esses recursos tecnológicos. Então, não basta ser amador, mas também não ser um tapado de querer viver uma época pelo qual não viveu, pois uma coisa é saudosismo, outra é fantasiar.

É uma realidade de que praticamente existem dois tipos de público, o que frequenta mainstream e underground e o que só frequenta o mainstream, mas que de qualquer forma e respeitando o direito de cada um ir aonde quiser, eu acho que quem curte som mesmo frequenta ambos, porque é preciso entender que um dia um Rush abriu um show do Kiss e olhe agora, um Sepultura abriu show do Venom e olhem agora. Vamos respeitar, vamos apoiar, afinal, quanto mais bandas de qualidade nós tivermos, melhor para que o estilo sobreviva e se a rejeitarmos por quaisquer adversidades, que pelo menos tenha algum fundamento, afinal é direito de qualquer um fazer isso, mas, por favor, com conteúdo. Metal é só música meus amigos, é escapismo, sem estresse por favor e que sejamos todos felizes com aquilo de que gosta.











LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

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