sábado, 28 de novembro de 2015

Entrevista: Primator



Por Vitor Franceschini

Foram seis anos de estrada até chegar ao primeiro álbum “Involution”, lançado este ano. Uma espera razoável mas que valeu à pena, afinal o primeiro trabalho dos paulistas do Primator traz o encontro do Metal das antigas com o atual de forma equilibrada e precisa. Conversamos com o guitarrista Márcio Dassié e o vocalista Rodrigo Sinopoli que ao lado de Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria) batalham no underground buscando o espaço que merecem.

Primeiramente conte-nos um pouco da história do Primator, afinal a banda surgiu e lançou somente “Involution” (2015)?
Márcio Dassié: Eu e o Rodrigo montamos o Primator em um bar em 2009. Demos início à composição da auto-intitulada Primator e iniciamos ensaios com outro baterista e outro guitarrista à época. Com a primeira formação estabilizada em 2012, e contando com cinco músicas compostas (Primator, Deadland, Praying For Nothing, Erase the Rainbow e Let me live Again) o Primator participou do festival “Ideia Rock Fest” no segundo semestre de 2012, festival voltado a todas as vertentes do rock, ficando na 3º colocação, sendo a banda de Heavy Metal melhor colocada. O curioso é que até aquele momento não tínhamos nenhum feedback de nossas músicas e ficamos extremamente felizes com a resposta do público.    

E como foi o processo de composição do debut? O disco foi composto recentemente ou vocês vêm trabalhando neste lançamento há algum tempo?
Márcio - O processo de composição se deu em duas fases. Conforme dito antes, as músicas Primator, Deadland, Praying For Nothing, Erase the Rainbow e Let me live Again foram compostas entre final de 2009 e o primeiro semestre de 2012. As demais músicas (Caroline, Black Tormentor, Flames of Hades, Face the Death e Involution) foram músicas compostas do final de 2012 até o final de 2014. O processo de composição sempre levou em conta as letras e as “melodias vocais” criadas pelo Rodrigo, seguida dos riffs e bases criadas por mim. Aprimorada esta estrutura inicial da música por toda a banda durante as “jams” até que o resultado final agrade a todos (ou a maioria... risos).

O Primator mostra um Heavy Metal tradicional que consegue soar atual, mesmo carregando influências de nomes surgidos há 30 anos. Existe uma fórmula e/ou receita para isso?
Márcio - A grandeza de uma música não reside na quantidade de notas dentro de um compasso ou a rapidez na qual ela é executada.  Música boa tem que ter alma. Música com alma é aquela que transcende ao tempo, transborda emoções e sensações, conta uma história e desperta um significado a quem a escuta, acho que a fórmula é essa.



Soar datado foi algo com que a banda se preocupou?
Márcio - No nosso processo de criação nunca nos preocupamos com “clichês” do Heavy Metal, daí a alternância visível entre as músicas do “Involution”.


Aliás, essa sonoridade atual tem o dedo do produtor Daniel Sá que trabalhou no Studio GR. Como foi trabalhar com Daniel e por que escolheram ele pra trabalhar em “Involution”?
Márcio - Tivemos uma primeira experiência desagradável na primeira gravação em outro estúdio. Procurando outro local para gravar, o Diego indicou o Daniel do Estúdio GR. Após uma longa conversa, gravamos a música Primator e o resultado ficou fantástico. Trabalhar com o Daniel foi tranquilo e divertido, cada vez mais após a gravação de cada faixa.

Claro que guitarras são fundamentais no Heavy Metal. Mas no trabalho mostrado em “Involution”, as guitarras de Diego Lima e Márcio Dassié transpiram Metal, coisa que somente nomes como Judas Priest e Accept atingiram em todo esse tempo. Como foi a busca por esse resultado?
Márcio - Eu e o Diego tocamos guitarra há muito tempo e temos muita influência dos grandes guitarristas de Heavy Metal. Por conta disso, creio que transpirar Metal foi algo meio que natural e espontâneo nos sons do Primator, sem que houvesse alguma busca para soar de um jeito ou de outro, ou mesmo como alguém. Comparar com Judas Priest e Accept é um elogio absoluto, ficamos extremamente lisonjeados.  

A variação rítmica do disco também é mais um ponto positivo. Muitas bandas do gênero apostam sempre em velocidade, vocês resolveram alternar isso e faz com que o disco fique ainda mais bacana. Esse foi um dos objetivos ou fluiu naturalmente?
Márcio - Diante da liberdade de composição que a banda possui creio que tenha fluído naturalmente.

A temática de “Involution” é inspirada na ‘Origem das Espécies” de Darwin. O disco chega a ser conceitual? Conte-nos um pouco sobre a mensagem por trás do debut.
Rodrigo Sinopoli - O tema da involução é muito amplo e atual. Todas as faixas do álbum se encaixam em algum ponto do conceito, mesmo que de forma sutil e, às vezes, até subliminar. Quando tivemos a ideia, metade do “Involution’ já estava pronto, e percebemos que as músicas conversavam entre si, com críticas políticas, sociais e religiosas. Tudo isso, por si só, já denotava esta falha no caminhar da humanidade. O que fiz para fechar o álbum foi justamente focar mais ainda no tema e buscar os outros caminhos, até então inexplorados.

Como “Involution” tem sido recebido pela crítica e pelo público? O álbum chegou a ter repercussão no exterior?
Márcio - Desde o lançamento a grande maioria da crítica e público tem recebido bem o álbum. Algumas cópias foram enviadas ao exterior e tem sido igualmente bem recebida, o que poderá gerar em breve uma turnê à Europa ou aos Estados Unidos.

E como anda o trabalho de divulgação? Enfim, a banda fará e tem feito vários shows?
Rodrigo – Shows para uma banda nova de Heavy Metal no Brasil é um tanto quanto complicado. São fechados em cima da hora, nos dando pouco tempo para divulgação e existe uma “panela” para tocar em grandes festivais. Muitas vezes as bandas pagam para se apresentar e isso o Primator não faz. Hoje, estamos com uma média de um show por mês e temos explorado o interior de São Paulo, com planos para tocar no Paraná e em algumas cidades do Norte/Nordeste, mas nada concreto ainda. A propósito, esta espera por uma turnê e uma grande quantidade de shows no Brasil acabam por deteriorar a disposição das bandas em lançarem novos trabalhos, quando se deparam com a falta de apoio e público. Independente disso, nós estamos usando nosso tempo livre para trabalhar no próximo álbum, que pretendemos lançar já em 2016.

Em entrevista com a banda carioca Syren eles afirmaram que o Heavy Metal tradicional nunca saiu de cena. Acredito eu que o estilo teve uma reerguida novamente, principalmente em nossa cena local. Qual a opinião de vocês a respeito disso? O Metal tradicional tem recebido mais atenção ultimamente?
Márcio - Concordo que o Metal tradicional nunca saiu de cena e também que nunca sairá. Boa parte do público de Metal tradicional sente falta de bandas novas do gênero. Inclusive fiquei sabendo recentemente que nos Estados Unidos há um crescimento generoso do público de Metal tradicional, o que poderá propiciar em 2016 uma turnê do Primator pelas terras do Tio Sam.

Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem e os planos do Primator neste espaço.
Rodrigo – Primeiramente, agradecemos pela entrevista e parabéns pelo teor e conteúdo das perguntas! Esperamos que todos recebam do “Involution” a mensagem que pretendemos passar e busquem por coisas novas, apoiem a cena local e nacional e compareçam aos shows, pois só assim conseguiremos garantir o futuro do Heavy Metal no Brasil. Mais uma vez, agradeço à todos os que nos incentivam e nos querem bem! Tenham a certeza de que ainda ouvirão falar muito do Primator! Grande abraço a todos!

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