quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Verborragia Sonora: Fita Cassete




Fita Cassete

Por Luis Carlos

A fita cassete era como se fosse o “pendrive da época”, um recurso para aqueles que tinham um poder aquisitivo menor ou se valiam de uma forma para poder “deslocar” a música que gostava sem carregar um objeto tão grande que eram os LP`s (Long Play).

Aliás, a fita cassete foi um recurso muito utilizado pelas bandas undergrounds que dessa forma divulgavam o seu trabalho, eu mesmo cansei de gravar e trocar fitinhas cassetes em diversas cartas que me correspondia pelo Brasil inteiro, ainda mais em uma época que eu participei de Fanzines, que foram três: Carnage, Infectum e um que era mais voltado pro Rock alternativo chamado “Sound of Noise”. O Carnage atingia um público mais radical, motivo pelo qual eu fui me afastando aos pouco por problemas que o editor na época arrumava com todo mundo na cena, o saudoso Alex. O Sound of Noise eu fazia com a galera do Sex Noise e durou pouco tempo, acho que só teve duas edições. O Infectum foi o mais marcante, fazia com Deri e fizemos muitas aventuras por causa do zine, hoje Deri é um excelente professor de história e DJ e mora na Espanha.

Entre algumas boas lembranças da fitinha cassete, foi nele que eu conheci o Cathedral com o disco “Forest of Equilibrium” (1991), pois Ronaldo, na época vocalista do Gangrena Gasosa, odiou o material da nova banda de Lee Dorrian, pois ele era muito fã da sua ex-banda Napalm Death. Eu particularmente amei o material e foi amor a primeira ouvida, que aliás, o Doom Metal estilo praticado pelo grupo, teve um “boom” na mídia com Paradise Lost, Katatonia, Anathema, My Dying Bride e o Cathedral no começo da década de 90, com um estilo que se caracterizava por riffs lentos e uma sonoridade bem inspirada no Sabbath e bandas como Trouble, Candlemass, Pentagram, entre outras. Ouvi também pela primeira vez uma banda fazer um cover do Sabbath, era o Doom, aliás, comecei a ouvir muito Grindcore e Punk também e estava sempre curtindo Sore Throat, Fear of God, S.O.B., entre outras. Ouvi também muito do Rock alternativo nacional que teve em alta durante a década de 90 e vi muitos shows no saudoso “Garage Art Cult” como Little Quail (Banda que contava com Bacalhau, hoje batera do Ultraje a Rigor, e Gabriel, hoje no Autoramas), as já citadas Gangrena Gasosa e Sex Noise, Second Come (que voltou recentemente a tocar), entre outras que faziam dos finais de semana carioca a melhor coisa do mundo.

Luis Carlos no Refugium Pecatorum (último da esquerda pra direita)
As fitinhas cassetes eram trabalhosas e merecia uma boa atenção, principalmente quando as mesmas enrolavam e você tinha que arrumar uma caneta para desenrolar, fora quando você cismava de gravar algum programa de rádio e ficava ali na espreita para fazer tudo certinho. Nisto, o que mais me recordo foi quando a banda que eu tocava chamada Refugium Pecatorum tocou em uma rádio em Petrópolis, eu felizão gravando o programa. Curiosamente, hoje, estudo jornalismo do qual um professor é de uma rádio que fui entrevistado em 1997, mundo pequeno mesmo.

Na minha época as coisas pareciam menos preguiçosas e urgentes, hoje o MP3 é a forma que nós temos de não levarmos “tralhas” para tudo que é lugar, essas “tralhas” se chamam CD, e agora o mesmo CD vem sendo substituído pelos “dowloads” em uma geração dominada pela tecnologia. Não sou saudosista, mas também não sou um adepto total dessa tecnologia, acho interessante que se preserve a memória e se mantenha um pouco desse passado, ainda que eu seja contrário em algumas situações, mas isso é papo para outra coluna. Vivi os Anos 80 e 90 como deveria e vivo muito bem de 2000 pra cá, ESTAMOS EM 2015, OK ?










LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

2 comentários:

  1. putz, eu tive muitas, ma smuitas fitas demos, mas eu nunca tive cabeça pra resenrolar quando acontecia isso, pedia aos amigos pra fazer isso, e nunca mais via, bela matéria

    ResponderExcluir
  2. Ainda tenho várias guardadas. Preciso encontrar quem tire o mofo e passe para CD. Se souber de alguém que faça um trabalho honesto e que não queira levar uma de minhas córneas por ele, avise.

    ResponderExcluir

Shinigami Records