quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Verborragia Sonora: Futuro do Metal?



Por Luis Carlos

Quando no meu texto anterior eu escrevi que era contrário em algumas situações em relação ao saudosismo me referia ao meu questionamento sobre uma geração atual que tem voltado no tempo, uma espécie de “revival” em torno de uma época, no caso, os anos 80. Geração atual esta, de muitas pessoas com 30, 23, 17 anos, que sequer viu os anos 80 senão pela televisão, pelos livros e/ou pela internet, e que muitas vezes idolatram uma época pelo qual não viveram como se fosse a melhor coisa do mundo, e pior, impõem isso como uma verdade absoluta.

Duvido muito que este ser idólatra, proprietário de Ipod, celular moderno e computador de última geração queira telefonar no orelhão usando fichinha ou digitar com máquina de escrever da Olivetti. Vai entender quem renega blog e usa rede social? Essas pessoas deveriam entender que o que se viveu nos anos 80 foi porque era aquilo que era oferecido, não porque aquilo era melhor do que é hoje, afinal, cada um vive a sua época. Acho que a única diferença de mim para alguém com menos idade não é a época em que vivemos, mas pelo simples fato de que meus pais fizeram sexo antes, SÓ ISSO! Não vejo problemas em enaltecer uma época que realmente foi significativa em se tratando de música, mas também não precisamos ser xiitas e reacionários em busca de afirmação sobre uma coisa que sequer viveu de verdade isso acaba bem parecido como um ator que em 2015 grava uma novela de época entende?



Acho que a música, como todas as coisas nesta vida, tem que andar pra frente e para que uma coisa sobreviva é preciso renovação, gostando ou não. Eu prefiro o Possessed do que o Avenged Sevenfold, o Venom do que o Slipknot, mas isso não significa que é melhor pra todo mundo, é apenas o meu gosto pessoal, simples assim. Agora, um garoto curtindo uma banda atual significa o futuro do estilo, não eu, porque provavelmente quando tiver mais shows e mais pessoas que possam fazer com que a cena perdure, será ele que estará lá para fazer as coisas acontecerem.

O melhor que fiz foi aceitar essa nova geração, pelo menos uma grande maioria mais preocupada em curtir o momento, vivo isso com os eventos que faço e com as bandas que toco e existe uma energia muito boa e prazerosa em ter alguém muito feliz comigo, alguém que provavelmente tem a metade da minha idade, alguém que era criança ou sequer nascido quando eu já estava curtindo som. Heavy Metal é música e através da música temos pessoas que se identificam pelo estilo, daí o que você gosta ou deixa de gostar é um problema seu, então, respeite e seja feliz com o que gosta.


Musicalmente alheio ao estilo, mas valendo-se de uma frase citada pelo poeta e cantor Cazuza na letra de O Tempo Não Para que diz: “Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades, o tempo não para.”. É BEM POR AÍ.











LUIS CARLOS é Produtor da Be Magic e faz eventos de Heavy Metal no Rio de Janeiro, tocou Bateria na extinta Statik Majik e hoje faz parte na The Black Rook.

2 comentários:

  1. tema cheio de polémicas, com um belo texto, deixem os anos 80 em paz, e vamos viver o futuro

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  2. Tem que evoluir mesmo, tem muita banda boa surgindo, de todo gênero musical. Agora, uma verdade é que na era da tecnologia, é muito fácil fabricar um talento. Talvez a birra dos puristas seja mais em relação a isso. Antigamente a coisa era verdadeira.

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