terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Entrevista: Déluge




Por Vitor Franceschini

O primeiro álbum dos franceses do Déluge, “Æther” (2015), é um disco que surpreende por trazer mesclas atípicas e aliar fúria com melancolia de forma ímpar. O trabalho foge dos padrões das tendências atuais e, ao mesmo tempo em que serve para espairecer todo o ódio contido por dentro, ajuda ou ouvinte a caminhar com sua sombra interior. O líder e principal compositor François-Thibaut Hordé (guitara), que prefere ser chamado de FT, falou com o Arte Metal e contou um pouco mais sobre este primeiro disco e tudo o que o envolve, além de outros assuntos.

O Deluge é relativamente uma banda nova formada em 2013, mas que já lançou uma demo e agora o debut “Æther”. Vocês já se consideram prolíficos?
FT: Tenho trabalhado por trás do Deluge há cerca de 3 anos. Ele é meu projeto e coloquei tudo que eu tinha nele, mas também estou muito orgulhoso da minha equipe. Todos eles são bons amigos, bons músicos e bons conselheiros. Não hesitei em consultá-los em alguns aspectos.


E como foi compor este primeiro álbum? Sentiram alguma pressão por ser o trabalho de estreia?
FT: Compor não foi tão difícil, quando você trabalha com honestidade do seu lado, não há nenhuma pressão. Por outro lado, as sessões de gravação foram desgastantes.


De alguma forma a sonoridade da banda soa atípica. Como vocês se definiriam?
FT: Como a maioria de nossos ouvintes entende, nós não estamos enraizados no Black Metal. No início, eu usei o rótulo de "Untrve French Black Metal" como uma brincadeira, mas não o uso muito agora, nesse momento nós decidimos que podemos simplesmente e perfeitamente descrever o que fazemos: música moderna e ambiente que inspira-se na energia primitiva do Black Metal.


A sonoridade da banda transita facilmente entre o agressivo e o mais suave. Porém, as composições soam densas mesmo misturando climas mais eufóricos e viajantes. Este foi o resultado que queriam atingir?
FT: Quando comecei a compor pro Déluge, eu conheci a banda Deafheaven’s Roads to Judah e eu definitivamente a achei inspiradora, mas também achei que algumas de nossas partes poderiam soar mais melancólicas. Também sou fã de bandas de post-Hardcore como Celeste ou Amenra, tentei misturar essas influências e fazer algo melódico, moderno e poderoso.




O disco foi produzido por vocês mesmo. Por que decidiram trabalhar fechados dessa forma, assumindo a responsabilidade pela qualidade da produção também?
FT: Eu quis controlar cada passo da criação.

Aliás, a qualidade da produção também é ótima e foge dos padrões muito incrementados e artificiais dos dias atuais. Foi esse o caminho que a banda pretendeu seguir?
FT: Não acho que há produções ruins ou boas, acredito que é uma questão de escolha. Mas, para fazer uma escolha, você tem que estar ciente do que é factível. Eu queria usar códigos do Black Metal para modernizá-los através de composição e produção, e estou muito orgulhoso do resultado.


Vocês optam por cantar em francês, por quê?
FT: Esta é simplesmente a maneira mais fácil para criarmos. O francês é uma língua rica e complexa. Nosso vocalista tem realmente muito a dizer. Usamos muitas metáforas e gostaríamos que fosse assim. Tenho certeza que muitas pessoas vão se encontrar nas letras das músicas, elas são totalmente abertas a interpretações, mas os seus significados são muito específicos para nós.


E qual a temática por trás de “Æther”
FT: Æther não é um álbum conceitual. Tivemos material suficiente para fazer um álbum, mas as músicas e letras não foram escritas especificamente para fundir-se juntas. Para ser totalmente honesto, encontrar um nome adequado para o álbum foi um grande dilema. Mas eu percebi que uma grande parte do que foi ardentemente relacionada ao vazio, à falta de algo ou alguém. O significado filosófico e físico de “Æther” foi o melhor denominador comum para um monte de letras e sensações que emanam nas canções. Vacuidade está em toda parte e é muito ambivalente: como um elemento autônomo não é nada (por definição), mas sem que a "falta de algo" todos os outros elementos da vida e da morte não podem se comunicar. Como pessoa, você tem que passar por momentos cheios de vazios para ser realmente capaz de sentir as boas ou tristes partes da vida.


Como está a repercussão do disco e o trabalho de divulgação do mesmo? A crítica e o público aceitou bem “Æther”?
FT: Até o que pude ver, as avaliações estão legais.


Quais os planos para trabalhar ainda mais na divulgação do álbum em termos de shows? Enfim como está a agenda de vocês?
FT: Lançamentos futuros não estão em nossos planos no momento. “Æther” fez nos envolvermos bastante e deu muito trabalho. Tenho material em mente, mas por enquanto queremos fazer uma turnê e tocar o quanto mais possível. E eu realmente quero ter tempo para o próximo lançamento. Temos um monte de shows agendados para o final de 2015 e para 2016.


Vocês conhecem algo da cena Metal do Brasil? Pretendem um dia tocar por aqui?
FT: “Arise” (1991) do Sepultura foi um dos primeiros registros que me introduziu a música extrema. Sei que existe uma cena muito grande aí e gostaríamos muito de fazermos uma tour pelo Brasil.


Muito obrigado. Deixem uma mensagem aos fãs brasileiros.
FT: Obrigado. Nós realmente colocamos tudo que podíamos neste álbum e não vemos a hora de ver até aonde ele vai chegar!




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