terça-feira, 29 de março de 2016

Entrevista: Songs of Oblivion



Por Vitor Franceschini

A banda Songs of Oblivion surpreendeu as almas mais sombrias com seu primeiro EP “Nihilism” lançado no ano passado. Com uma proposta difundida em todo o mundo, porém de forma discreta e não tão assimilada em terras tropicais, Rodrigo Duarte (vocal/guitarra), Bruno Cassoni (guitarra), Brenda Almeida (baixo) e Fernando Turi (bateria) arriscaram e atingiram sua meta inicial. Conversamos com Rodrigo e Bruno que apresentaram a banda aos que ainda não a conhecem, falaram do trabalho lançado e do que estar por vir de uma forma bem detalhada. Confira.

Contando que a banda é relativamente nova, conte-nos um pouco como foi formada a SongsofOblivion e apresente-a aos leitores.
Rodrigo Duarte: Songs of Oblivion é um projeto de Post Black Metal iniciado em 2014 na cidade de Araraquara/SP. Em dezembro de 2015 lançamos nosso primeiro EP “Nihilism”, o projeto dá ênfase a passagens tranquilas ligado do Shoegaze e Post Rock interligadas com a agressividade e frieza do Black Metal, possuindo como influências bandas como Alcest, Lantlôs, Agalloch, Sombres Forets entre outros nomes do gênero. A banda foi formada depois que o Fernando Turi e eu nos encontraramos no terminal de ônibus da cidade, depois de anos sem se falar, lembrando que eu, Fernando e Bruno Cassoni já tivemos uma banda (Dark/Gothic) no passado. Depois de colocarmos a conversa em dia percebemos que estávamos escutando o mesmo estilo, o Post Black Metal e outras vertentes underground, e decidimos então voltar a tocar. Eu já tinha algumas ideias e decidimos chamar o Bruno para a formação, Bruno já fazia algumas composições instrumentais em casa que, por coincidência, também seguiam a linha Post Rock/Post Black Metal, então surgiu a Songs of Oblivion, que após alguns meses teve Brenda Almeida convidada para o baixo. Com a formação fechada iniciamos os ensaios e a composição do nosso primeiro EP, o “Nihilism”. Mesmo sendo uma banda relativamente nova é com uma proposta sonora não tão comum no Brasil, temos recebido pela crítica e nossos ouvintes um feedback até o momento bastante positivo.

Desde que surgiu o primeiro embrião da banda a mescla de Shoegaze e Black Metal foi a proposta?

Bruno Cassoni: As músicas inicialmente eram pra ser Post Black Metal, na verdade até mais pesado do que acabou se tornando, mas devido às inúmeras influências e vertentes escutadas pelos integrantes do projeto, as músicas acabaram por serem uma mistura sem preocupações com estilo sonoro do resultado final, o que por brincadeira chamamos de “blackgaze” dos trópicos. Mas sim, a proposta desde o inicio era essa, unir Shoegaze e Black Metal, mas sem a preocupação de onde um acaba e o outro começa, atualmente estamos nos aventurando com composições com uma pitada a mais de Post Rock.

Aliás, há mais do que apenas elementos destes estilos na música de vocês, concordam? Fale um pouco mais sobre isso.
Rodrigo: Sim, nossas músicas vão do experimental ao Dark Metal, e também ao Depressive Black Metal, misturando guitarras e dedilhados limpos com riffs pesados e sujos, vocais limpos e guturais às vezes na mesma música, e também alguma referência Doom já foi dita por pessoas que escutaram e são desse segmento. Cada membro da banda possui influências e gostos bastante distintos e dentro do projeto todos tem liberdade total para criar aquilo que lhe soa melhor dentro do contexto de cada música que fazemos. Então, como resultado final acabamos por fazer uma mistura que achamos legal, que alguns gostam e outros nem um pouco, mas se nos agradou batemos o martelo e fechamos a música.



Partindo para o primeiro EP “Nihilism” (2015), como foi o processo de composição do mesmo? Aliás, qual a metodologia a banda utiliza na hora de compor?
Rodrigo: As bases e melodias foram criadas por Bruno, o processo utilizado foi apenas um violão e nada mais, acústico e de corda de nylon, todas as músicas foram criadas pela manhã entre às 6 e 7h. Conforme as bases eram criadas, eu posteriormente escutava e ajudava na finalização, solos, distorções, dedilhados, na verdade vamos complementando o trabalho um do outro, o que até o momento vêem funcionando muito bem. Depois de composta a estrutura mínima para cada música vamos para o estúdio e lá cada membro coloca o seu feeling, Brenda cria as linhas de baixo e Fernando encaixa a rítmica e as viradas. No estúdio de ensaios criamos os altos e baixos de cada uma das músicas até que estejam totalmente polidas.

As letras da banda atingem um universo bem particular e são compostas por Rodrigo Duarte. Fale-nos um pouco sobre como é escrever letras que represente a sonoridade da banda e a mensagem que tenta passar com elas.

Rodrigo: As letras são feitas em cima do que estou sentindo, são bem intimistas porque acabo expondo, de certa forma até abstrata, aquilo que estou pensando. Desde adolescência eu tinha o costume de escrever pequenos poemas no fundo dos cadernos e com a música não foi diferente, às vezes já tenho a letra escrita e apenas encaixo no som e esse é o caso de Silence, por exemplo. Às vezes criamos a música e posteriormente eu escrevo algo que o som me passa que é o caso de Limbo. E toda a carga de negatividade e tormenta emocional que as letras contêm é esse reflexo do universo que estou imerso todos os dias. O que esse encaixa bem na proposta da banda, angústias, reflexões sobre acontecimentos cotidiano, críticas sobre a vida moderna, tudo isso visto sob uma ótica bastante sombria e profundamente influenciada por poesia clássica.


E como foi o trabalho com Luciano Matuck que produziu o disco no Matuck Studio. Por que optaram por trabalhar com ele?
Bruno: O Luciano é muito profissional, entende do assunto, disponibilizou equipamentos de boa qualidade e entregou um trabalho excelente em todos os aspectos dentro do prazo e tudo conforme o combinado. E foi uma experiência única, pois com exceção do Fernando, nunca havíamos gravado em estúdio com certo grau de profissionalismo.

E como foi a repercussão de “Nihilism” até então?
Bruno: O EP foi bem aceito nos meios underground, tivemos por hora boas críticas e muitos elogios, o disco até o memento vem sendo bem aceito inclusive fora do circuito de Metal o que nos deixa bastante felizes. Para nossa surpresa, segundo a lista da revista October Doom Magazine, ficamos na posição dezessete dos melhores lançamentos nacionais de 2015, isso nos deu uma grande motivação para continuarmos. Embora, saibamos que podemos fazer melhor, inclusive nas passagens Shoegaze mais suaves podemos incrementar com efeitos e adição de outros instrumentos, mas como somos quatro integrantes apenas e gravamos aquilo que executamos no palco ficamos receosos de usar mais elementos do que posteriormente será reprodutível ao vivo.

A banda opta por uma sonoridade que possui um público fiel, mas que sofre com poucos espaços para show. Como tem sido e está em termos de shows?

Rodrigo: Em termos de show é complicado, até o momento fizemos apenas 3 apresentações em público, nossa banda é de uma vertente difícil de encaixar com qualquer estilo o que dificulta mais ainda as apresentações ao vivo. No momento estamos buscando parcerias para entrar no circuito de shows e fest, mas ainda estamos com dificuldades para fecharmos uma agenda de shows.

Vocês já estão trabalhando em músicas novas. Tem algo que possam adiantar a respeito do que está por vir?
Bruno: Estamos preparando 2 músicas para serem lançadas no meio do ano de 2016, uma é da linha Depressive Black Metal e outra é mais Post Rock, são bem diferentes uma da outra, mas apresentam uma sonoridade bem característica e vai valer a pena conferir, as musicas são: The Cold Rain On My Face (Depressiveblack Metal) e December Gray (Post Rock). No mês de abril retomamos nossa rotina de ensaios para compor as outras músicas do disco, ao todo serão 8 músicas completas mais a introdução e fechamento do disco que serão instrumentais. Adiantamos que o disco ficará mais denso e mais agressivo que “Nihilism”, mas haverá, como sempre, aquela serenidade perturbadora que permeia o universo da Songs of Oblivion.

Muito obrigado. Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Rodrigo: Gostaríamos de agradecer a oportunidade, reconhecemos a importância feita no trabalho do blog Arte Metal, são espaços como esse que permitem o underground manter-se vivo, sem esse canal muitas bandas não teriam oportunidade de se apresentar e mostrar sua música.
Bruno: Para os leitores agradecemos muito por fazerem parte do underground e não vamos deixar isso morrer, vocês que mantêm o motor funcionando indo nos shows, ouvindo e compartilhando as bandas. Para aqueles que gostarem da nossa música, confira nosso material na internet, o EP está disponível em nosso site sem custo algum e gostaríamos de deixar nosso muito obrigado a todos vocês.


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