quinta-feira, 21 de abril de 2016

Entrevista: Crookhead



Por Vitor Franceschini

Da mescla de estilos e da experiência de seus músicos, a banda araraquarense Crookhead criou sua identidade.  A prova é o álbum “Modern Mayhem” (2016) que, entre extremos, traz diversos elementos soando moderno na medida certa. O guitarrista Luiz Henrique e o vocalista Luiz Gustavo fala ao ARTE METAL e conta um pouco mais de como a banda surgiu, o trabalho apresentado e seu futuro. Completam o time Arnaldo Vieitez (guitarra), Amauri Soares (baixo), Matheus Botelho (teclado) e Rafael Ferreira (bateria).

Primeiramente apresente a banda para os leitores, já que a Crookhead é nova na cena?
Luiz Henrique – A Crookhead é uma banda que nasceu a partir das influências de seis músicos com diferentes trajetórias. Acredito que falo por todos da banda quando digo que somos pessoas bastante ecléticas, musicalmente falando, mas encontramos uma coesão muito forte quando estamos juntos. Carregamos as influências das bandas pelas quais passamos e tentamos construir algo juntos que expresse a nossa bagagem, que vêm Do Metal Progressivo, Metal Melódico, Hard Rock, Death, Thrash e Black Metal, etc.

Apesar de nova conta com músicos experientes. Como foi o processo de composição do primeiro EP “Modern Mayhem”?
L.H. – O processo de composição do EP foi bastante rápido, pois a banda nasceu no mês de maio de 2015 com data marcada para gravação logo em setembro. Em três meses, trabalhamos as composições que o Arnaldo e Amauri fizeram na minha casa, onde produzimos as ‘prés’. No caso de Virtual Alms e Lords Of Truth, o processo consistiu basicamente em pegar ideias de riffs e estruturas que eles compuseram antes da banda ser criada, depois adicionei alguns riffs e passagens, além de algumas poucas alterações nos arranjos. Já a Intro e Via Crucis são composições que fiz para a banda. Na bateria, trabalhamos com uma estrutura programada por mim e, depois, o Rafael Ferreira trabalhou suas ideias nos ensaios, dando a sua técnica e sua cara para os arranjos. Quando o tecladista Matheus Botelho entrou na Crookhead, as gravações já estavam finalizadas. Ele trabalhou seus arranjos por cima das músicas e gostamos muito do resultado. No que diz respeito às letras, escrevi Via Crucis, Luiz Grind escreveu Virtual Alms e Amauri escreveu Lords Of Truth, onde apenas ajudei com algumas frases e a tradução para o inglês. Cada um trabalhou temas que falam da contemporaneidade e da vida moderna. Via Crucis é uma letra sobre preconceito, tendo como imagem a crucificação de Cristo como um contraponto à perseguição que minorias sofrem por religiosos fanáticos, especialmente no Brasil; Virtual Alms fala sobre o uso que as pessoas fazem das redes sociais e como elas afetam sua relação com o mundo e com as pessoas no mesmo espaço físico que elas; Lords Of Truth trata da questão poder e de como certas verdades são produzidas por quem detém esse poder de forma a manter seus privilégios e, através da vigilância, poder controlar grandes populações.

O trabalho traz a banda apostando em uma sonoridade moderna, mas que não se fixa apenas em um estilo. Esse direcionamento, aliás ‘não-direcionamento’, foi algo que vocês tiveram a intenção de seguir desde o início?
L.H. – Esse “não-direcionamento” não foi planejado. No entanto, ele aconteceu naturalmente quando trabalhamos as composições e percebemos os caminhos que estávamos percorrendo. No meu caso, estava bastante interessado em fazer coisas que soassem como Nevermore e Opeth, mas acabei encontrando muitas referências em outras bandas como Ihsahn e Mastodon. Quando Matheus colocou seus arranjos de teclado nas músicas, percebi o quanto estávamos sob uma forte influência do Metal progressivo, como Dream Theater, Symphony-X, entre outras. Posso dizer que uma das características que mais gosto da Crookhead é de que nosso som parece estar em um movimento de construção constante.

Falando ainda da sonoridade, vocês optam por um lado progressivo, mas não abrem mão da extremidade. Assim como optam pela agressividade e também pela melodia. Como manter tudo isso equilibrado na balança?
L.H. – O progressivo realmente é um elemento muito forte no som da Crookhead. Da minha parte, fui inspirado por John Petrucci a tocar guitarra, portanto sou bastante suspeito para falar da influência que o progressivo tem na minha vida musical e consequentemente na banda. Cresci influenciado pelo seu virtuosismo e, ao mesmo tempo, com um apreço muito forte por coisas melodiosas, que acredito encontrar no metal progressivo em bandas como Dream Theater e Pain Of Salvation. Posteriormente, conheci bandas como Opeth, Nevermore, Death, que fazem essa conexão entre o extremo e o progressivo, mesmo possuindo sonoridades diferentes. É claro que “progressivo” é um termo que pode ser aplicado de forma bastante ampla ao som de muitas bandas, há muita discussão sobre isso. Na Crookhead, o equilíbrio desses elementos vem do bom senso de explorar ao máximo o que temos na mão na hora dos arranjos. Com duas guitarras e um teclado, temos muitas possibilidades de aplicação do extremo e do progressivo, então procuramos valorizar sem deixar o som com informações demais, mas na medida certa para quem aprecia algo complexo, porém direto ao ponto.



Até nos vocais de Luiz Gustavo vemos versatilidade, como foi trabalhar nessas linhas de voz?
Luiz Gustavo – Inicialmente, tanto os vocais quanto a parte instrumental da Crookhead eram para soar mais extremos, mais orgânicos, mas, com o decorrer do tempo, a proposta foi mudando com a entrada do Matheus Botelho. Com os teclados, as músicas tomaram outra forma e exigiram uma versatilidade nas linhas vocais. Busquei referências em bandas que já escuto há muito tempo e que usam uma sonoridade mais digital e trabalham bem com teclados – como Marilyn Manson, Type O Negative, Fear Factory e artistas semelhantes – e misturando com os guturais que já eram a proposta inicial da banda.

A produção do EP é um dos pontos altos e vocês optaram por trabalhar em Araraquara/SP mesmo com Gabriel do Vale no Nova Estúdio. Isso prova que aqui no interior tem se condições condizentes para lançar algo de ponta?
L.H. – Com toda a certeza. O Gabriel do Vale é um produtor com bastante experiência de estúdio e já trabalhou com vários estilos. Até onde sei, muitas bandas da região vêm trabalhar com ele. Acredito que já há algum tempo que existe um acesso maior a equipamentos e ao conhecimento referente a essa área. Dessa forma, creio que o interior de SP está muito bem servido de possibilidades de gravação e produção para as bandas.

Aliás, como foi trabalhar com o Gabriel?
L.H. – Como já esperava, foi muito bom. Todos da banda já haviam gravado com ele (com as bandas Breakillie, Nagar, Awakke) em algum momento, então nos sentimos em casa. Inicialmente, ele nos deu um feedback muito positivo sobre as ‘prés’, o que nos deixou muito felizes e animados para a gravação. Na hora da gravação, foi extremamente profissional e competente, sempre dando dicas e sugestões importantes. Era muito perceptível que a sua preocupação com o resultado final era tão alta quanto a nossa. Ele fez tudo com muito carinho e estava sempre muito preocupado com a nossa opinião.

Como está a repercussão de “Modern Mayhem” até então, tanto por parte de público quanto por parte de crítica?
LH – Está sendo muito positiva. Do feedback que tivemos, a produção e a originalidade do som são as qualidades mais apontadas. Outras pessoas falaram também em virtuosismo nos arranjos e do peso. Ficamos muito felizes com essa recepção tão positiva que nosso EP teve. Nos empenhamos para fazer um bom trabalho, mas os elogios superaram nossas expectativas.

E como a banda pretende trabalhar em termos de shows durante este ano?
LH – Vamos nos inscrever no Araraquara Rock deste ano e estamos de olho em outros festivais para enviar material. Faremos também shows com outras bandas para divulgar nosso trabalho e dar uma força para as bandas da nossa cidade e da região.

Apesar de vocês estarem divulgando o primeiro EP, acredito que já tenham em mente algo para um futuro lançamento. O que vocês podem nos adiantar a respeito disso?
LH – Já estamos planejando o nosso primeiro CD, que está em fase de composição. Ainda esse ano, pretendemos estrear nos palcos músicas novas e, se possível, gravar uma demo para dar um gostinho do que está por vir. Estamos muito empenhados em fazer um álbum que faça jus aos elogios do nosso primeiro EP, mas sem necessariamente repetir qualquer fórmula deste. Influências novas aparecerão, com certeza.

Muito obrigado, sucesso e podem deixar uma mensagem aos leitores.
LH – Gostaríamos de agradecer o apoio que recebemos de todos os envolvidos com o trabalho da Crookhead, além dos amigos, familiares e, principalmente, todos aqueles que fazem o possível e o impossível para o Metal continuar acontecendo no Brasil. Muito obrigado! E aguardem! Em breve teremos grandes novidades sobre a Crookhead!


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