sexta-feira, 5 de maio de 2017

Hellish War: "Somos representantes do Metal brasileiro"



Por Vitor Franceschini

São mais de vinte anos de carreira e quinze do primeiro disco lançado. Apesar de ter hibernado por um curto período, os paulistas da Hellish War retornam suas atenções para a banda e pretendem comemorar os feitos, além de trabalhar mais em prol do grupo. Sobre isso, o guitarrista Vulcano conversou com o ARTE METAL. Hoje o músico tem ao seu lado Bil Martins (vocal), Daniel Job (guitarra), JR (baixo) e Daniel Person (bateria).

O Hellish War está há mais de 20 anos, precisamente 22 anos no cenário metálico underground. Com exceção de nomes clássicos e bandas dos anos oitenta (onde o Heavy Metal foi ‘mainstream’), é muito difícil atingir tal longevidade. Qual seria o segredo disso?
Vulcano – Talvez o fato de termos escolhido o Metal tradicional como base criativa para nossas músicas e de termos mantido alguma fidelidade a concepção original. Ao longo de todos esses anos não sentimos necessidade de mudar ou misturar estilos para criar um “novo Metal”. Talvez isso seja um segredo em comum com as bandas que ainda estão no cenário desde os anos 70.

Aliás, a banda comemora o 15º aniversário do clássico debut “Defender of Metal” (2001). Como a banda vê o disco atualmente e o que ele representa na carreia do grupo?
Vulcano – “Defender Of Metal” é um disco antológico e clássico. Representa grandes conquistas para a banda, pois foi através desse disco que alcançamos o mercado europeu possibilitando, no futuro, que pudéssemos fazer nossa primeira turnê em 2009 em solos medievais da Europa.

Qual foi a repercussão do primeiro disco em relação aos outros álbuns e o que vocês recordam (em termos de composição, gravação, divulgação e shows) quando se fala do trabalho?
Vulcano - É como o primeiro “filho”. A repercussão foi bem forte, bem divulgado, tanto que ultrapassou fronteiras indo parar na Alemanha e em países vizinhos. Foi gravado com rapidez, em uma semana. Logo em seguida ao lançamento fizemos bons shows.

A banda anunciou que fará shows tocando “Defender of Metal” na íntegra, certo? Como a banda planeja realizar esses shows e o que já podem nos adiantar?
Vulcano - Tocaremos todo o disco juntamente com algumas dos álbuns seguintes. Acredito que será bem legal para os fãs das antigas lembrarem dessa época, assim como para nós também, é claro.

Vocês pretendem relançar “Defender of Metal”? Se sim, o que o disco trará de diferente, terá bônus ou algo especial na nova prensagem?
Vulcano - Pensamos numa nova prensagem remasterizada e uma possível regravação de umas duas faixas, agora com nosso atual vocalista, Bil Martins, para lançarmos como bônus no novo álbum de estúdio.



Aliás, a banda está sem lançar nada desde 2013 e até sumiu um pouco da cena. O que aconteceu? Vocês chegaram a se envolver em outros projetos?
Vulcano - Estivemos sim com outras ocupações. Eu estive tocando com o Ripper Owens, além de outros projetos. O nosso baterista Daniel Person esteve fora do Brasil a negócios por mais de um ano. Nesse momento estamos justamente retomando o trabalho a todo vapor.

E há planos de um trabalho inédito ou algo do tipo? São três discos lançados, algo ao vivo seria interessante, não?
Vulcano - No total temos quatro discos, sendo um gravado ao vivo na Alemanha, o “Live In Germany”, lançado pela Hellion Records em 2010. Acho fundamental que shows sejam registrados e lançados. E, com certeza, após o próximo álbum de estúdio, porque não um segundo trabalho ao vivo?

O Metal tradicional sempre se manteve em voga no Brasil, mas com oscilações e bandas lançando pouco. Hoje o estilo parece ter voltado com força, vide nomes como Primator, Rexor, Battalion, etc. Como vocês vêem o estilo no país atualmente?
Vulcano - Ainda falta força como nos velhos tempos, mas sempre vão existir os fieis ao estilo tradicional que, graças a eles e a sucessores, o Heavy Metal não deixará de existir. Por isso que grandes nomes dos anos 80 estão voltando ou se mantendo com relevância, como é o caso do Exciter, OverKill, Destruction, Kreator e assim vai.

Como dito, são mais de vinte anos na cena, três discos de estúdio, seis trabalhos no total, turnês pelo Brasil e Europa, este último, aliás, que preserva os grandes fãs da banda. Como é ter esse reconhecimento por lá e por fim qual o lado bom e ruim de ser uma banda de Metal no Brasil?
Vulcano - Ter o reconhecimento na terra do Metal (Europa) é de fato um incentivo pra não pararmos. Nos faz acreditar no futuro e em querer preservar essa história dentro do cenário pesado. Nos sentimos orgulhosos por sermos parte desse mundo e por podermos continuar dando o nosso melhor aos fãs. O problema de ter banda Metal no Brasil são os espaços que estão cada vez mais escassos. A maioria tem receio de não ter retorno financeiro com shows de bandas autorais e acabam fomentando apenas o cenário cover. Mas ainda temos lugares no país que fazem e sempre farão acontecer a magia do Heavy Metal.

Pra finalizar, o que o Hellish War representa hoje?
Vulcano - Somos representantes do Metal brasileiro e acreditamos nesta força musical junto  aos verdadeiros headbangers. Abraços a todos os fãs do Hellish War!


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