quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Killing Youself: Manu Joker (Uganga, ex-Sarcófago)



Aquela preocupação em se desvencilhar de um nome consagrado pela cena como o Sarcófago, banda da qual foi baterista no EP “Rotting” de 1989, nunca existiu com Manoel Henriques, o M. Joker, que hoje é Manu Joker e frontman da banda Uganga. Seu novo grupo traz uma sonoridade completamente diferente do que o que o expôs à cena, mas a sua contribuição para o underground, que ultrapassa os trinta anos de carreira, não é diferente. É com muita honra, que esse mineiro de Araguari participa da nossa seção!

"Pigs In The Power" (Demo - 1988) - Angel Butcher :  Essa foi a terceira demo do Angel Butcher  e gravamos na sala de ensaio de uma banda de baile daqui de Araguari  chamada Fábrica Do Som. Tudo direto na mesa, uma maravilha (risos)! Nesse ano lançamos duas demos, a outra que veio depois se chamou "Fuck The System". Ambas são gravações bem toscas de uma banda que ainda dava os primeiros passos. Foi nosso primeiro registro como trio, eu tocando bateria e vocal , e teve uma divulgação legal na cena tape trader indo parar até no exterior...Uma banda de Crossover extrema e tosca. Jurássico (risos)! Remasterizamos essa demo anos atrás, a partir das fitas K7,  para entrar como bônus no EP "25 Years Bleeding Ears" (2010)  que saiu na Europa.


Angel Butcher


"Rotting" (EP - 1989) - Sarcófago: Aqui a coisa já mudou de figura e gravamos no JG Estúdio em BH, local onde a maioria do pessoal da Cogumelo gravava. Os caras já me conheciam do Angel Butcher , sabiam que eu daria conta do recado e em um mês a gente fechou as 5 faixas ensaiando na minha casa. Eu levei 8 horas para registrar a bateria e trabalhar com o Gauguin (produtor) foi muito enriquecedor. Apesar de ele nos achar um bando de loucos, coisa que éramos mesmo (risos). Até hoje acho um trabalho foda de um também power trio que compensou a falta de técnica com uma raça e inspiração absurdas. É o álbum do Sarcófago com mais influências de Punk/Hardcore, coisa que todos estávamos ouvindo muito naqueles dias. Eu sabia que estava gravando um disco de uma banda importante, mas não tinha noção da dimensão que esse EP teria anos depois. É um clássico, polêmico, verdadeiro, extremo e revolucionário.

Sarcófago


"Atitude Lótus" (2003) - Uganga: Esse é um trabalho diferente de tudo o que eu já havia feito até então, e diferente de tudo o que fizemos depois também sob o nome Uganga. É um disco de Rock razoavelmente pesado com muitas influências, que vão do Metal e do Hardcore/Punk até Funk Rock e Rap. Ele foi na maioria composto pela formação antiga, quando eu ainda era baterista, e no meio das gravações eu passei pro vocal. Pessoas saíram, pessoas voltaram e novas pessoas se juntaram a banda. Caos puro (risos)! “Atitude Lótus” encerra uma fase do Uganga e dá início a outra, tem coisas que me agradam e outras nem tanto, mas foi um álbum essencial para estarmos aqui quase quinze anos depois.

"Na Trilha Do Homem De Bem" (2006) - Uganga: Nosso disco de transição. Ainda tem alguns elementos da primeira fase, mas temas como Procurando O Mar ou Altos & Baixos são puro Thrashcore. Nesse trabalho assim como no anterior eu comecei a me envolver mais na produção musical, que foi dividida com meu amigo Riti Santiago. Gravamos no Orbis Estúdio em Brasília num clima muito legal e a evolução da banda era clara apesar de particularmente achar que faltava um pouco de maturidade pra mim como vocalista. Dali pra frente a banda trilhou um novo rumo que remetia ao nosso passado musical porém apontando pro futuro.



Uganga


"Vol. 03: Caos Carma Conceito" (2010) - Uganga: Talvez o trabalho mais importante da banda até aqui, "Vol.03..." nos deu muita visibilidade e com certeza foi a época que mais rodamos, só na Europa foram 13.000 km e no Brasil acho que não fica muito longe disso (risos). Foi também nosso primeiro álbum lançado no exterior, pela Metal Soldiers Records (Portugal),  e aqui no Brasil saiu por uma parceria de vários selos. Novamente gravamos em Brasília e novamente co-produzi juntamente com o Riti. É um disco bem pesado e com a sonoridade do Uganga 100% definida, dali pra frente a parada era só evoluir.



"Eurocaos - Ao Vivo" (2013) - Uganga: Nossa primeira tour na Europa foi incrível e o ponto alto foi o show de Datteln na Alemanha frente a uma platéia de 600 headbangers no Razorblade Festival. Estávamos em ponto de bala e a recepção do público foi insana, muito além do que poderíamos esperar sendo ilustres desconhecidos que cantam em português. A captação foi feita pela própria equipe do festival e a mixagem ficou a cargo do Vulcano (Hellish War). É um show cru, sem maquiagens e dá um parâmetro real de como a banda soava em 2010. A única edição de estúdio que rolou foi em Troops Of Doom (cover do Sepultura) que tocamos em Portugal em forma de medley com Nightmare do Sarcófago e teve que sair separado por solicitação da Cogumelo, obviamente devido ao eterno amor entre as duas bandas (risos). Foi também nosso primeiro trabalho lançado pela Sapólio Rádio num embalagem luxuosa com slipcase, encarte colorido e um livreto com o diário da tour escrito por mim.

"Opressor" (2014) - Uganga: Em minha opinião nosso melhor trabalho até aqui. Ele segue a pegada do "Vol.03...", porém tem mais melodia e creio que nossas melhores composições até o momento. Foi também nossa pré-produção mais cuidadosa, comecei a usar um método que seguimos até hoje de registrar as idéias de todos e ir organizando tudo para depois retomarmos todos juntos na sala de ensaio e finalizarmos. Foi o primeiro full que gravamos no RockLab (Goiânia) com o mestre Gustavo Vazquez. Já tínhamos gravado algumas faixas lá para bônus ou CDs tributo e sabíamos que valeria a pena fazer todo o álbum com ele. O resultado foi excelente e acho que nos superamos como músicos e compositores. É fácil o trabalho que mais nos deu visibilidade e foi lançado na Europa por uma parceria de 2 selos poloneses. Aqui saiu novamente pela Sapólio Rádio em vinil e CD digipack.


"Manifesto Cerrado" (DVD-2017) - Uganga: A ideia de lançar um DVD da banda vem sendo trabalhada há tempos, mas foi adiada devido a várias circunstâncias que fugiram do nosso controle. O Uganga nessa época passava por alguns problemas e por um período eu realmente pensei que a banda iria acabar. O resultado de tudo isso está no documentário de mesmo nome dirigido pelo nosso chapa Eddie Shumway (Travesseiro Discos), que já tinha trabalhado com o Uganga em alguns vídeos. Tours, as gravações do Opressor, Europa, doenças, percalços... Tá tudo lá. Além do filme tem uma apresentação da banda na Estação Stevenson, um prédio histórico localizado na zona rural de Araguari. Foi um set bem intimista, só para amigos e com a banda tocando em círculo. O áudio foi novamente trabalhado no RockLab e já lançamos na internet. Sairá esse mês em formato físico de 300 cópias pela Sapólio Rádio.

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