quarta-feira, 1 de agosto de 2018

In Lo(u)co: Metallica – Ibirapuera. São Paulo/SP, 1989




Por Adalberto Belgamo

Antes de qualquer coisa, tudo e mais um pouco (risos), nunca escrevam em primeira pessoa em textos formais, jornalísticos, dissertações e afins. Dica de quem vos escreve. Sou professor de português e inglês. “Mas, por que você faz isso?” Facilitar a comunicação com os leitores (se houver algum! risos) e ser menos “burocrático” e mais descontraído. Ah, o texto é meu... escrevo da maneira que quiser! (risos) E quem precisar de trabalho de revisão de texto, correção de redação para concursos e vestibulares... só mandar um salve! (risos)

Na literatura, uma escola (ou período) nega a outra como, por exemplo, o Realismo negando o Romantismo. Não é diferente na música. Estilos nascem, vivem, sucedem-se, reinventam-se, renascem ou morrem.

Na metade da década de 70 surgiu o Punk para negar o Rock Progressivo que, segundo teorias, havia deixado a “rebeldia” do estilo para trás, pois, ao ser muito técnico, não agradava à “molecada”, que queria algo mais simples e visceral. Outros estilos surgiram com propostas musicais diferentes, mas com a mesma pegada: simplicidade. Deixemos para outro momento.

O Thrash Metal, principalmente das bandas estadunidenses, surge em um “mix” de NWOBHM/Bandas clássicas de Hard Rock/Metal e a cena Punk/Hardcore. Jogam tudo no mesmo balaio, aumentam a velocidade e viva o “faça por você mesmo!” (DIY). Especificamente no ambiente da música pesada (Hard Rock ou Heavy Metal) do lado de cá do Atlântico, o Hard Rock (ou Hair Metal) estava em alta. Bandas como Motley Crüe, Ratt, Poison e Bon Jovi com seus cabelos platinados e “laqueados” (risos) dominavam a cena, as rádios e o “mainstream”. O que aconteceu?

Surgiram uns moleques feios (risos) com raiva de todo o glamour e “plasticidade”, os quais foram impostos pelo “showbusiness”. No underground também acontecem o profissionalismo e o “cascaio”, mas de uma maneira que deixe a música e/ou a arte em primeiro lugar. No final, todos querem a mesma coisa: projeção. E “cascaio” também! A não ser que alguém tenha um “paitrocínio”, os boletos sempre chegam no começo do mês (risos). Há o “mainstream” dentro do próprio underground. Outra história... (risos).

O Metallica foi um dos precursores do movimento. Ao lado de bandas como Exodus, Slayer, Megadeth e o Anthrax (costa leste), moldaram um tipo de som, o qual se espalhou pelo mundo todo, gerando outros estilos, vivos até hoje!



A história da banda não precisa ser contada (mais uma vez – risos). No entanto, para quem acompanhou a primeira fase (Kill, Ride e Master), a vinda para o Brasil foi como uma “tijolada”, principalmente para os que conheceram a banda por meios de fitinhas mal gravadas (risos). Crianças e “crianços” (risos), vocês não tem noção do que era ouvir música nos anos 80. Lançamentos chegavam atrasados em versões nacionais, não havia lojas especializadas no interior e cópias importadas demoravam muito entre a encomenda e a chegada. Quando saiu o “Master Of Puppets” (1986), encomendei com uns amigos três cópias e, além da demora e mesmo lacrados, havia uns estalinhos estranhos (risos) ou um encarte danificado. Discussão eterna para escolher uma cópia! (risos)

E foi com esse frisson que fomos ver o Metallica no Ibirapuera, em São Paulo. Paradinha básica na Woodstock. A intenção era a de matar o tempo e depois ir para o Ibirapuera. No entanto, chega um carro (não lembro a marca e modelo, pois não dirijo; mas sei que era um carro pelas quatro rodas – risos) com o James dentro. Em cima que ele não estaria, né? (risos)

Cercaram o carro, assustando-o! Resultado? Vazou rapidinho! (risos). Por causa de uns “sem noção” (risos), perdi a oportunidade de tirar uma foto com o cara. Bom, não havia celulares e câmeras digitais na época, mas, com certeza, a velha Kodak e um rolo de filme, alguém tinha! (risos). Falando sério (será? – risos), não ligo para essas coisas, mas era o James!

Chegando ao Ibirapuera, a “delicadeza” dos “poliça” (sem generalizar...) era comovente. Havia uns “locões” (risos), mas inofensivos, pois não incomodavam. Vale salientar que acabávamos de sair da ditadura e o ranço da repressão estava muito fresco ainda. Agora, de boa, expliquem-me como alguns “goiabas”, principalmente os “redbenguis”, querem a volta da repressão... da supressão de liberdade? Se chover arreios.... faltarão carroças! (risos).

Já dentro do ginásio, posicionei-me grudado na grade. Tinha de ver o show de uma banda, a qual, tantas vezes, só tinha visto em fitas de vídeos pirateadas, cheia de chuviscos (risos), o mais próximo possível.

The Ecstasy of Gold começa! Palco da turnê do “...And Justice For All” (1988)! Primeiros riffs de Blackned! Êxtase...o tumulto foi surreal, fazendo com que eu visse a banda espremido na grade... do lado oposto ao palco! (risos) Mas valeu!


Olhem o set list!
Blackened, For Whom the Bell Tolls, Welcome Home (Sanitarium), Harvester of Sorrow, The Four Horsemen, Master of Puppets, Fade to Black, Seek & Destroy ,...And Justice for All, One, Creeping Death, Battery, Last Caress, Am I Evil?, Damage, Inc., Blitzkrieg e Breadfan.

Se há algo fenomenal nos shows do Metallica é a qualidade de som do palco. A que vai para os PAs... outro assunto (risos). Ouvir ao vivo as guitarras cortantes de Battery, Creeping Death e The Four Horsemen é algo indescritível! Finalmente! Finalmente! Finalmente! Finalmente! (risos) os baixos das canções do “...And Justice For All” estavam lá! Sacanearam muito o Jason na mixagem do álbum! Os pedais-duplo de bateria pareciam uma serra elétrica! Naquela época, o Lars se preocupava mais em ser músico, menos showman! (risos). E o Kirk? Mestre do wha-wha! Sempre criticado, mas fiel ao que se propõe com maestria!

Sobre o James, o desempenho foi sensacional! Apesar de a turnê ser a “última” da era realmente Thrash da banda - a que culminaria anos depois com a mudança de estilo e público - ele foi além das expectativas. Seguro e carismático, naquele momento, encarnava toda a fúria da geração “Metal Up Your Ass”. Eu o considero um dos principais “riffeiros” de todos os tempos, colocando-o no mesmo patamar, apesar de estilo diferentes, de um Malcom Young, por exemplo, o maior de todos, pelo menos é a opinião de quem vos escreve! (risos)

Único ponto negativo do show foi a insistência de alguns “goiabas” em vaiar o Jason, gritando Cliff Burton. Só se fizessem uma mesa branca para o falecido baixar (risos). Vai entender a cabeça das pessoas, algumas com 40 ou 50 anos continuam iguaizinhas (risos).
Há uma teoria, a qual diz que o Metallica foi idealizado para ser o que é atualmente: um fenômeno mundial. Acredito que, após o sucesso do “Master Of Puppets”, a própria banda se assustou com a popularidade. “Talvez” a partir desse momento, agentes e empresários já vislumbravam “outro” futuro para banda, tanto que fizeram o primeiro vídeo e, mesmo ainda na era “Thrash raiz” (risos), alguns elementos rítmicos e melódicos do “...And Justice For All” já sinalizavam o que poderia ser o ‘Black Album’.

As fases de James & Cia merecem uma discussão maior. No entanto, apesar de alguns deslizes de uma forma ou de outra, a banda se tornou um fenômeno mundial, dentro e fora da realidade da música pesada. Há os fãs “xiitas” (tudo é maravilhoso e “não critiquem!” - risos), os com síndrome de “banda velha” (“só os três primeiros são bons!” - risos), os com síndrome de “Black Album” (“Metallica bom mesmo, só depois deste play!” - risos) e, finalmente, os caras de boa (eu me incluo nessa! - risos), que só querem tomar umas brejas, curtir todos os “estágios” (risos) e seguir com o fluxo! (risos).

Enfim... Depois do show, mais uma noite na rodoviária para pegar o primeiro ônibus para Texascoara. Não havia lugares suficientes, mas convencemos a empresa de ônibus, que nos permitiu ir em pé ou deitado no corredor. Tenso... e doloroso. (risos)

Inté!

Adalberto Belgamo é professor, atuando no museu (sem ser peça... ainda - risos), colaborador do Arte Metal, além de ser Parmerista, devorador de música boa, livros, filmes e seriados. Um verdadeiro anarquista fanfarrão.

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