quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Entrevista: In Torment




São quase 20 anos levantando a bandeira do Death Metal, talvez o gênero mais prolífico em termos de qualidade no underground brasileiro. Oriundo de um estado fortíssimo do estilo, o Rio Grande do Sul (São Leopoldo), o In Torment tira de letra essa responsabilidade e isso fica provado em seu mais recente trabalho ““Sphere of Metaphysical Incarnations” (2014). Após 1 ano de seu último lançamento, o Arte Metal conversou com Alex Zucchi, um dos fundadores da banda, que ao lado de Alexandre Graessler e Rafael Giovanoli (guitarras), Bruno Fogaça (baixo) e Cássio Canto (bateria), mantém a chama da brutalidade acesa.

Antes de falarmos do mais recente trabalho, “Sphere of Metaphysical Incarnations” (2014), vamos falar do In Torment em si. São quase 20 anos de carreira. Como encontra-se o In Torment hoje e o que vocês enxergam quando olham pra trás e vêem o que têm construído até então?
Alex Zuchi: O IN TORMENT encontra-se num momento muito bom. O novo álbum tem recebido grandes reviews ao redor do mundo. Acabamos de voltar de nossa segunda turnê europeia. Além disso, a nova formação encontra-se coesa e pronta para dar sequência nos processos de divulgação do álbum e composição do material novo. Quando olho para trás, vejo que seguimos um caminho de evolução muito lento no início de nossa trajetória, porém acredito que a banda conseguirá deixar um legado de bons álbuns e muita dedicação dentro da cena underground nacional.


O novo álbum é o resultado de tudo isso?
Alex Zuchi: O novo álbum é o resultado de um somatório de fatores. Com o tempo nos tornamos músicos melhores e mais aptos a traduzir ideias em sons. Conseguimos também, ao longo do tempo, encontrar a sonoridade do IN TORMENT. As mudanças na formação também contribuíram para a evolução da banda.  

E o que mudou em termos de metodologia na hora de compor “Sphere of Metaphysical Incarnations”? Aliás, conte-nos como foi este processo.
Alex Zuchi: O processo de composição é o mesmo desde o início da banda. São compostos riffs, principalmente pelos guitarristas e baixista, e esse riffs são levados para os ensaios. Todas as músicas são montadas com a participação de todos. É um processo bastante democrático no qual todas as opiniões são consideradas. No IN TORMENT todos os integrantes da banda são convidados e incentivados a compor. Acredito que essa liberdade de composição se traduza num som mais rico e diversificado.


Que diferença vocês vêem entre o novo trabalho e os dois full-lenghts anteriores (“Diabolical Mutilation of Tormented Souls” de 2006 e “Paradoxical Visions of Emptiness” 2011)?
Alex Zuchi: Comparando os álbuns fica nítida a evolução no processo de composição e na execução das músicas. Hoje, a sonoridade do IN TORMENT é muito mais original do que no passado. Com o passar do tempo paramos de avaliar o que as outras bandas fazem e passamos a nos focar somente em nossas ideias. A inspiração está em nós mesmos e não nas bandas estabelecidas.


Aliás, por que um intervalo relativamente longo entre estes lançamentos?
Alex Zuchi: A verdade precisa ser dita: somos muito enrolados para compor e, ao mesmo tempo, somos os nossos maiores críticos. Portanto, para que aprovemos uma música todos precisam estar confortáveis com a composição.



Voltando a “Sphere of Metaphysical Incarnations”, qual o conceito por trás do álbum?
Alex Zuchi: “Sphere...” é um álbum conceitual que descreve o nascimento de um novo Deus, encarnado por uma esfera de poder. A carne é a passagem, as almas a energia e a divindade representada pelo cosmos é o catalisador da transformação. A esfera capta a essência de cada transição humana (separação do corpo físico, morto, da essência espiritual, imortal). E a esfera cresce pelo fluxo contínuo da ascendência dessa energia espiritual tornando-se um organismo vivo. E por fim, a configuração de todos os universos. O derradeiro deus.

O álbum é intenso do início ao fim. Claro que o Death Metal é um estilo intenso, mas parece que o trabalho recebe uma dose extra disso. Esta foi a intenção da banda ou isso fluiu naturalmente?
Alex Zuchi: Discordo da questão da intensidade do álbum ser continua. “Sphere of Metaphysical Incarnations” possui uma grande variedade de andamentos ao longo das músicas. Com certeza algumas são intensas como The Extinction Process, porém a faixa título é a música mais lenta que escrevemos até hoje. Nossa intenção foi a de criar músicas distintas, com tempos completamente diversos. Cada música é diferente da outra. Acredito que isso tornou o álbum interessante de ser ouvido.

O In Torment consegue destilar muita técnica sem soar exacerbado, burocrático. Qual seria a fórmula para isso?
Alex Zuchi: Não temos uma fórmula pré-estabelecida. Apenas tocamos o que gostaríamos de ouvir em uma banda de Death Metal. Acreditamos que incluir partes mais intrincadas com outras mais simples torne a audição interessante para o ouvinte, assim como se torna interessante tocar essas músicas. Também achamos importante que todos os integrantes tenham a oportunidade de destaque durante os sons.


A produção do disco ficou a cargo de Sebastian Carsin no Hurricane Studio. Por que optaram e como foi trabalhar com ele?
Alex Zuchi: Consideramos o Seba o sexto integrante da banda. Ele conhece a fundo a sonoridade do IN TORMENT e sabe como atingir o melhor, tecnicamente falando. Além disso, é um grande amigo, o qual temos grande respeito. Todos os álbuns foram gravados com ele e não vemos razões para mudar isso no futuro.


O álbum também conta com a participação de Renato Osório (Hibria). Como surgiu essa parceria e como foi trabalhar com Renato em “Sphere of Metaphysical Incarnations”?
Alex Zuchi: O Renato Osório, além de ser um grande músico, é professor de guitarra e um cara muito bacana. Foi um dos nossos guitarristas que o convidou e ficamos felizes com o fato de ele ter aceitado participar do álbum. Acredito que o solo, que possui uma pegada bem Hard Rock, tornou o álbum ainda mais diverso e interessante. A Hibria, por sua vez, é uma das melhores bandas de Metal do Brasil e ficamos extremamente felizes com o fato de que eles estão tendo o merecido reconhecimento.

Faz quase 1 ano que “Sphere of Metaphysical Incarnations” foi lançado. Qual foi a repercussão do trabalho até então e como vocês o vêem hoje em dia?
Alex Zuchi: A repercussão ao álbum tem sido excelente e muito mais positiva do que achávamos que seria. Praticamente 100% das resenhas têm falado coisas favoráveis sobre o álbum, o que nos enche de confiança para os próximos trabalhos. Olhando em retrospectiva, acho o “Sphere” o nosso melhor álbum até o momento. Acreditamos, porém, que podemos escrever um material ainda mais certeiro do que este. O álbum definitivo do IN TORMENT ainda está por vir.

Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem aos leitores do blog e acrescentar a informação que quiserem.

Alex Zuchi: Muito obrigado pela entrevista e pela oportunidade de divulgar o IN TORMENT. Aqueles que quiseram obter informações mais detalhadas sobre a banda enviem um e-mail para alexzuchi@hotmail.com. Vocês também podem checar nossa página no Facebook (www.facebook.com/intormentbr). Stay fucking brutal.

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