quarta-feira, 28 de março de 2018

Karyttah: Empatia no Heavy Metal

Foto: Edu Firmo


Por Vitor Franceschini

Empatia talvez seja a palavra que defina bem a sonoridade encontrada em “New Age - The Age of Karyttah” (2017), primeiro disco do Karyttah. A banda é ‘projeto’ do multi-instrumentista Fabio Loffs, que aqui comanda tudo e mostra que é possível fazer sozinho um som abrangente com mensagens que vão além do particular. Então, o próprio Fabio fala ao ARTE METAL sobre tudo isso que envolve o trabalho.

Primeiramente eu gostaria que você falasse um pouco de sua carreira como músico até chegar no Karyttah. Qual sua escola (estilo) e principais influências?
Fabio Loffs: Quando eu conheci o Iron Maiden, e depois Heavy Metal em geral, foi algo muito forte, despertou em mim o interesse por tocar guitarra e ter banda. Um tempo depois, sem querer, comecei a cantar. Passei por várias bandas. Influências: Iron Maiden, Helloween, Stratovarius, Fates Warning, Bon Jovi, Skid Row, música Pop e New Age.

E como surgiu a ideia de criar o Karyttah? Por que optou por tocar o projeto sozinho?
Fabio: Frustrado com as bandas que passei, resolvi dar um tempo. Quando resolvi voltar, ao invés de entrar numa banda já pronta e passar pelas mesmas frustrações de antes, resolvi eu mesmo montar uma banda. Como sempre foi difícil achar os músicos certos, pra não perder mais tempo gravei tudo sozinho. Mas não é solo, nem projeto, é uma banda mesmo, como qualquer outra.

E como foi o processo de composição do debut “New Age - The Age of Karyttah”? Quanto tempo você trabalhou no disco e quais foram as maiores dificuldades?
Fabio: Logo após começar a tocar e cantar, vieram as ideias pra compor. Então, quando criei o Karyttah já tinha várias músicas prontas, foi só escolher quais gravar. Algumas coisas que eu achava mais ou menos, eu tive que acertar, geralmente alguns dias antes, ou até no dia anterior a gravação. As maiores dificuldades foram conseguir horário pra gravar, por isso demorou 2 anos, 2014 e 2015, e terminar a capa, que me fez perder quase 2016 inteiro. Por isso o álbum só saiu em 2017.

Qual o conceito por traz do disco. Ele traz uma história em si ou letras interligadas? O que o faz conceitual de qualquer forma, não?
Fabio: Sim, mas não foi intencional. A música New Age, que dá título ao álbum e inspira a capa, fala que estamos numa época de seleção espiritual de pessoas que irão ou não continuar no planeta, pois ele vai mudar, e não vai aceitar mais pessoas com insistência no mal. Aos poucos eu vi que as outras letras estavam interligadas a esse tema, principalmente quando eu terminei a música Karyttah durante as gravações, e ela entrou no álbum. Por isso incluí um subtítulo, pois essa música é o nome da banda, tinha que estar presente no nome do álbum. Depois veio a ideia de fazer a Intro e o Grand Finale, aí eu me toquei que tudo estava ficando quase conceitual (risos), o que achei muito legal.

O que dá pra notar, é que o trabalho foca em letras positivas e de incentivo. Até aí não há novidades, a não ser na forma inteligente que você as aborda. Mas como é criar letras positivas num meio e mundo tão negativos atualmente?
Fabio: Isso tem a ver com a minha personalidade mesmo. Sempre procuro o melhor, sempre quero o melhor. Tudo que me deixa incomodado eu tento procurar o porquê e como resolver. Se tá tudo negativo, aí que eu quero ficar mais e mais positivo mesmo e descobrir as causas pra poder resolver. A dificuldade está na forma de como vou falar, trabalhando bem as frases e palavras. Como você mencionou, precisa ser algo inteligente, que dê uma explicação sensata e clara, e só assim, contribuir pra mudarmos a negatividade. Tocar o raciocínio das pessoas e também o sentimento.

Ainda sobre o conceito, as músicas soam bem reflexivas e não ficam num espectro particular, como é muito comum em ‘one-man-bands’. Fale-nos um pouco a respeito disso e dessa sua empatia.
Fabio: Eu escrevi para todas as pessoas, então eu tive que tirar tudo que fosse pessoal, mas a música Once More Again é pessoal (risos), mas tentando servir de exemplo (risos). Mas como não é um projeto, nem solo, eu também não quero que seja tudo muito pessoal.



Falando da parte musical, “New Age - The Age of Karyttah” abrange desde o Hard Rock, passando pelo Prog e tendo como principal foco o Power Metal. Essa mescla soa comum, mas sua sonoridade diferenciada. Como você buscou tentar fugir do tradicional destes estilos?
Fabio: Por não se prender a nenhum estilo. Gosto de vários, e não faço parte de um em especial. Por gostar de variedade, não só cada música, como cada parte das músicas eu testo em qual maneira fica melhor. É bem difícil escolher as mudanças numa mesma música que combinem entre si. Ou seja, muito trabalho mesmo. Nesse álbum talvez um estilo se destaque, mas no próximo álbum, ou até na música nova, que será lançada em breve, pode ser outro.

Outro fator preponderante é que todos os instrumentos se destacam individualmente, porém gerando um conjunto da obra espetacular, sem se sobrepor. Como foi chegar a esse resultado?
Fabio: Porque eu foco na música e não na técnica de um instrumento em especial. Cada instrumento tem que fazer o que for necessário para a música. Pra isso, o principal é a inspiração, tem que vir naturalmente, e depois trabalhar muito pra juntar as partes, decidir quantas repetições, depois dar um tempo, ouvir de novo pra ver se não passou nada despercebido, seguir a intuição pra sentir quando ficou do jeito que eu imaginava. É como se algo apitasse na minha cabeça que tem algo errado e ter que trabalhar pra resolver (risos). É um pouco sofrido (risos).

É interessante notar também o contraste da melodia / suavidade dos arranjos com o peso das guitarras e a pulsação da seção rítmica. Você procurou isso ou fluiu naturalmente?
Fabio: Procurei (risos). Acho que é meu lado progressivo (risos). Adoro brincar. Adoro coisas diferentes. Poder fazer algo que dê uma sensação, um susto, uma surpresa (risos). E também, minha busca por fazer algo novo e diferente, sem seguir regras.

E como foi trabalhar fazendo tudo sozinho, inclusive a produção e divulgação de “New Age - The Age of Karyttah”. Qual a vantagem e desvantagem de trabalhar dessa forma?
Fabio: É muito ruim trabalhar sozinho. Mas tô fazendo por necessidade mesmo. Enquanto não achar as pessoas certas, vou ter que fazer sozinho. A vantagem é que com as pessoas erradas a coisa não acontece ou atrapalham demais. A desvantagem é que certas coisas não vão ser tão bem feitas, como por exemplo, a divulgação, o design artístico, negociações comerciais, que são coisas para as quais eu não tenho tanto talento. E o principal, não vou poder dar shows.

O trabalho foi lançado em 2016. Como você o vê atualmente e qual a repercussão dele em termos de mídia, público e exterior?
Fabio: Na verdade,.. 2016 foi a fabricação da primeira prensagem brasileira, só foi lançado mesmo em 02 de fevereiro de 2017. Eu o vejo como um ótimo trabalho, e por isso quero muito que as pessoas conheçam. Tem tido pouca repercussão, por isso o foco, atualmente, é totalmente na divulgação. Está bem difícil.

Você já tem alguma coisa com o nome Karyttah que pretende lançar ou adiantar aos leitores?
Fabio: Sim, música nova, com uma surpresa bem legal, que em breve vai ser anunciada nas redes socias. Vai estar presente no Volume 3 da coletânea da “Web Radio Rock Freeday” no Brasil e na coletânea “Volume 15” da Imperative Music em vários países. Essa é uma música tipo lado B do single da música  Once More Again em versão promocional que aqui para o Brasil será cantada em português.

Por fim. Você pretende formar uma banda e tocar ao vivo com o Karyttah?
Fabio: Sim. Essa sempre foi a intenção.

Muito obrigado pela entrevista. Este espaço é seu.
Fabio: Eu que agradeço o convite. Sempre que desejar estou à disposição. Para conhecer e seguir a banda visitem e se inscrevam no canal do YouTube www.youtube.com/karyttah. Você que está lendo, nesse momento, que energias muito positivas te envolvam. Uma Nova Era Vai Começar.

https://www.facebook.com/karyttah/

3 comentários:

  1. Obrigado pela oportunidade, Vitor.
    Para conhecer a banda e saber de novidades, se inscrevam no www.youtube.com/karyttah

    Abraço a todos.

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  2. Maravilhoso artisa. Amei o CD nível hardy!!!!

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  3. Parabéns Fábio, ótima entrevista e o CD eh maravilhoso...

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