quinta-feira, 19 de abril de 2018

Killing Yoruself: Evandro Jr. (Anthares, Skinlepsy, Siegrid Ingrid)




Contribuindo com o Metal mundial (sim, mundial), o baterista Evandro Jr. está há pelo menos 33 anos na cena. Integrando bandas pioneiras, como o Anthares, revolucionárias como o Siegrid Ingrid e contemporâneas como o Skinlepsy, o baterista sempre foi aquém em seus trabalhos, sendo sempre ativo nos processos de composição. Por isso, o conteúdo tão rico desse Killing Yourself com discos tão importantes. Desfrutem!

Anthares 1985


“No Limite da Força” (1987) – Anthares: Em 1987 o Anthares já era uma banda bem conhecida na cena underground, mas faltava o disco de estreia. Como os tempos eram outros, recebemos o convite de três selos independentes na época e optamos pela proposta da Devil Discos que bancou toda a produção do álbum, não só as gravações, como também toda a parte gráfica, divulgação e distribuição. Era praticamente nossa primeira experiência num estúdio de gravação e o Estúdio Guidon em São Paulo tinha realmente uma certa imponência, e um produtor que conhecia muito pouco sobre Heavy Metal. Levamos o “Reign in Blood” (Slayer, 1986) e o “Master of Puppets” (Metallica, 1986) - lançamentos da época - para o cara se familiarizar com o estilo e perguntamos se ele conseguiria fazer algo similar conosco. Quanta ingenuidade, utilizamos o equipamento alugado dos caras do Golpe de Estado (amplis e batera) e gravamos o “No Limite da Força” em cerca de 100 horas, ou um pouco mais. Todas as músicas que fazem parte do disco já estavam compostas há algum tempo e já tocávamos todas elas nos shows. A maior parte das letras foi escrita pelo Henrique Poço (vocal) e eu participei com algumas estrofes aqui e ali. Convidamos alguns amigos para os backing vocals, entre eles os caras do Necromancia. O lançamento ocorreu no final de 1987 e teve uma grande repercussão, mas anos depois acabou por se tornar um clássico do Metal nacional, algo que não imaginávamos na época.

“Demo 93” e “Retaliation” (Demo 1995) – Anthares: Após profundas mudanças na formação do Anthares a partir do final dos anos 80, o que afetou diretamente na impossibilidade da banda gravar seu segundo disco naquela época, finalmente encontramos um novo vocalista, o Renato Higa em 1992 e a partir daí começamos a escrever letras em inglês. Finalmente em 93 gravamos uma demo com três músicas no estúdio Anonimato em SP e voltamos aos shows com intensidade. Nessa maré de franca atividade, compusemos mais cinco músicas novas, todas com letras em inglês também e lançamos a demo “Alienation” em 1995, também gravada no estúdio Anonimato. Ambas as demos tiveram grande repercussão, fazendo com que o Anthares voltasse a ter destaque na cena e passasse a receber vários convites para shows. Mas essa fase das demos foi difícil, não havia um foco definido, e sem previsão e falta de definição para a gravação de um novo disco, a banda interrompeu suas atividades por um período de sete anos.

Siegrid Ingrid


“The Path to Nothingness” (Demo 1998) – Siegrid Ingrid: Esse foi meu primeiro registro com o Siegrid Ingrid que anteriormente já havia lançado um single e seu disco de estreia “Pissed Off” (1995). Eu fui convidado pelo Punk, vocalista da banda que já me conhecia de baladas e outros shows em que Anthares e Siegrid Ingrid dividiram palcos na década de 90. Entrei na banda com uma formação já totalmente diferente daquela que gravou o disco e algum tempo depois, o guitarrista André Gubber (Skilnepsy) acabou retornando ao Siegrid. O outro guitarrista era o Luciano que há vários anos faz parte da formação do CPM22. Gravamos essa DT de forma quase caseira em SP, mas devido à boa qualidade sonora, resolvemos lançá-la já como uma prévia do futuro novo álbum que planejávamos.


“The Corpse Falls” (1999) – Siegrid Ingrid: O Siegrid Ingrid já estava em alta nessa época, muitas gigs, muita loucura e um repertório novo pronto para ser gravado. Assinamos contrato com a mítica Cogumelo Records de BH e escolhemos o Estúdio Mr. Som dos caras do Korzus para produzi-lo. Inclusive há uma participação do Pompeu numa das faixas do disco. Acredito que para aquela época, final dos anos 90, a produção foi muito boa. Lembro que gravei com uma Pearl antiga, mas “preparada” para soar de forma adequada com as condições do estúdio. A formação já era outra, e além de mim, do Punk, e do André Gubber, tinha o Luiz Berenguer no baixo e o Borô na outra guitarra. Nós estávamos realmente em ótima forma naquela época e tínhamos boas composições. Creio que fizemos um ótimo trabalho, tanto que o “The Corpse Falls” nos rendeu gigs memoráveis com o Ratos de Porão, Claustrofobia, e inclusive um especial de meia hora só com a banda no programa Fúria da MTV e também no programa “Turma da Cultura” da TV Cultura em 2000.



“Reign of Chaos” (CD/Demo 2003) – Skinlepsy: Em 2003 ocorreu um racha no Siegrid Ingrid, não havia mais clima com o Punk, não havia mais possibilidade da banda continuar. Então resolvemos criar uma nova banda, o Skinlepsy, com um novo vocalista. Nós já tínhamos algum material que provavelmente seria utilizado para um novo disco do SI, mas resolvemos repaginar algumas músicas e gravamos uma ótima DT (no formato CD) chamada “Reign of Chaos” no estudio Mr. Som com produção do Heros Trench e Marcello Pompeu (ambos do Korzus).  Foram gravadas três novas músicas: “Crucial Words”, “Alienation” e “Crawling As A Worn” e esse material foi bastante divulgado naquela ocasião. Mas, em seguida o novo vocalista resolveu seguir com outros projetos, e nós optamos por congelar o Skinlepsy por tempo indeterminado, mesmo porque nós vínhamos de um processo bem desgastante de mudança de formação nos meses finais de Siegrid Ingrid.

“Condemning the Empty Souls” (2013) – Skinlepsy: Me reencontrei com o guitarrista André Gubber em 2011 e dispostos a ressuscitar o Skinlepsy, iniciamos os ensaios de forma intensa construindo o repertório para gravar o disco de estreia da banda. Porém precisávamos de um vocalista. Os caras do Claustrofobia nos indicaram o Henrique Fogaça do Oitão, e ele prontamente passou a ensaiar com a gente por alguns meses. Iniciamos o processo de gravação no Estúdio Da Tribo do nosso brother Ciero, através do sistema analógico, mas em razão de diversos imprevistos durante a produção, resolvemos terminar o disco em outro estudio, o 44 com produção do Beto Toledo e já utilizando o sistema digital. O Henrique Fogaça devido a uma série de compromissos já não estava mais conosco, e para não atrasar ainda mais a produção do disco, o André Gubber resolveu gravar as vozes. Foi definitivamente um processo bastante conturbado que exigiu de nós muita paciência, dedicação e esforço para concretizá-lo, mas a confiança na força das composições e na nossa insistência fez com que as coisas acabassem dando certo no final. O disco teve participações especiais da Fernanda Lira da Nervosa, o Luiz Louzada do Vulcano e o guitarrista Thiago Schulze do Divine Uncertainty. Apesar de as partes de bateria e baixo terem sido gravadas no sistema analógico e as guitarras e vozes no sistema digital, acredito que o produtor fez um grande trabalho extraindo um peso descomunal e um brilho intenso no resultado final. O disco foi lançado e distribuído em 2013 pela Shinigami Records numa parceria com a banda.

Anthares atual


“O Caos da Razão” (2015) – Anthares: Eis aí um trabalho emblemático para nós do Anthares. Por toda a atmosfera de responsabilidade que girava ao redor da banda, afinal havia se passado gigantescos 28 anos desde o lançamento do primeiro disco “No Limite da Força”. Como as pessoas julgariam o Anthares? Que tipo de comparações fariam? Como o novo disco deveria soar? Nós seríamos capazes de dignificar a longa estrada da banda com um disco realmente aceito de forma positiva pelas pessoas? Apesar de idas e vindas, períodos de inatividade da banda, o Anthares de certa forma nunca esteve definitivamente “morto” na cena, mas vivíamos única e exclusivamente da importância de um único álbum. Iniciamos as gravações no Estúdio 44, também com produção do Beto Toledo em 2013 e ao longo de todo o processo tivemos algumas pausas porque todo o dinheiro gasto na produção provinha dos cachês de shows da banda. Ou seja, fazíamos um show numa cidade, recebíamos o cachê e marcávamos uma nova data no estúdio para a continuidade das gravações. Some-se a isso a nossa imensa “paranoia” em produzir algo realmente dignificante, todo o cuidado com os mínimos detalhes, dentro das nossas limitações como músicos obviamente. Foi um longo processo, de muita dedicação. Escrevi basicamente todas as letras do disco, com exceção de “Sementes Perdidas” que repaginei a partir da original escrita pelo Henrique Poço, a “Ócio” escrita pelo próprio Poço como um presente para a banda, e a “No Poço do Obscuro” escrita pelo guitarrista Maurício Amaral. Lembro que terminei de escrever a letra de “O Caos da Razão” semanas antes de gravarmos a música no estúdio. Foi definitivamente trabalhoso, mas recompensador no final. O disco teve ótima repercussão após seu lançamento pela Mutilation Records em 2015 coroando os 30 anos de existência do Anthares!



“Dissolved” (2017) – Skinlepsy: Sem dúvida nenhuma esse foi o melhor trabalho que gravei como baterista! Considero “Dissolved” um álbum maduro, desenvolvido por músicos veteranos da cena underground brasileira que ainda tinham o que mostrar (ou provar!?). Começamos a compô-lo em 2015 e ao longo do processo ocorreram duas mudanças na formação: o baixista Luiz Berenguer deixou a banda, e um pouco antes disso nós passamos a ter um segundo guitarrista, o Leonardo Melgaço (ex-Divine Uncertainty), o que trouxe maior consistência e peso para o Skinlepsy. Voltamos mais uma vez ao Estúdio 44 onde já estávamos habituados com a atmosfera e com a capacidade e competência do produtor Beto Toledo, que nos entregou um trabalho do qual nos orgulhamos sem dúvida alguma. O Leonardo compôs a “The Hate Remains the Same”, além de alguns solos do disco. Todo o restante do trabalho foi composto por mim e pelo André Gubber que desta vez foi responsável por toda a parte lírica. É um álbum brutal que mescla todas as nossas influências do Thrash e do Death Metal ao longo das nossas vidas e traz uma pequena pitada do Death Metal melódico também, além de alguns elementos do Hardcore. Mais uma vez a Shinigami Records foi nossa parceira no lançamento de Dissolved em 2017, e o álbum continua repercutindo por aí… e nossa história não acabou!

Um comentário:

  1. Grande Júnior amigo é irmão começou do nada e se transformou num monstro do metal mundial parabéns guerreiro

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Shinigami Records