quarta-feira, 18 de julho de 2018

Sem Textão: Clássicos (bandas) superestimados (as) parte I


Por Vitor Franceschini

Bom, primeiramente vamos bater naquela tecla de que a intenção aqui é expor uma opinião e não ser o dono da verdade. Por isso, a matéria não é no sentido de demérito. Pelo contrário, senão o título não teria a palavra ‘clássicos’. No mais, é bom entender que quando a gente diz que ‘não é fã de um trabalho ou banda’, não significa que não gostamos do mesmo (muito menos que são ruins), simplesmente quer dizer que não o exaltamos ou não nos soa essencial, bom, pelo menos no meu caso.

Por isso aqui, resolvi destacar alguns trabalhos (e banda) que são idolatrados pela grande maioria do público da música pesada (com merecimento, pois sou minoria), mas que não me agrada tanto assim (em alguns casos nem um pouco). Em alguns casos até as bandas não me soam ‘essenciais’ e eu explanarei isso. No mais, não se trata de nada digno de um ‘hater’, e muito menos uma opinião definitiva, pois não há quem ou o que me faça desistir de gostar de algo.



Iron Maiden – “Powerslave” (1984)
Esse disco tem um sabor especial (e amargo) pra mim. Afinal, foi o primeiro trabalho da donzela que tive e me desfiz (me arrependo sim), além de ser um dos discos mais cultuados pelos fãs. “Powerslave” é sem dúvidas um dos trabalhos mais ‘Heavy Metal’ do Iron, no sentido de pegada e temáticas. É veloz, pesado, técnico e atendes todos os requisitos do estilo. Mas soou sem graça logo de cara para este quem vos escreve. Há um motivo que a princípio, eu achava essencial: o fato de ter ouvido coletâneas da banda antes do disco. Porém, com o tempo a opinião foi se intensificando, e os argumentos aumentando. O disco me parece magro diante de um “The Number of The Beast” (1982) ou um “Piece of Mind” (1983) – citarei só trabalhos com o Bruce Dickinson para não gerar outros assuntos – sem contar que é um disco de transição, pois depois dele a banda parte para uma veia mais moderna e progressiva com o maravilhoso “Somewhere in Time” (1986). O engraçado é que o disco tem uma das minhas composições preferidas da banda, Rime of The Ancient Mariner (só faltava eu não curtir né?), mas não é suficiente pra eu cair de joelhos pelo trabalho.



Morbid Angel – “Altars of Madness” (1989)
O Morbid Angel entra no caso de banda superestimada em minha opinião. Será que mexi num vespeiro? Com certeza. Porém, jamais direi que a banda é ruim e sempre vou exaltar meu amor por “Covenant” (1993), o terceiro disco da banda. Porém, nunca consegui ver no querido Morbid o mesmo potencial de nomes como Benediction, Obituary e acho até que bandas subestimadas como Altar e Vital Remais, possuem um talento acima da banda de Trey Azagthoth, que aliás, sempre me deixou confuso com o timbre que opta usar na sua guitarra, pelo fato de não ser maciço como o Death Metal pede. No caso de “Altars of Madness”, é um disco que, apesar de ser digno do estilo, sempre que ouço me passa batido. E olha que não foram poucas vezes, muitas, aliás. Mas, não pega. Imaginar que quando ouvi “Covenant” pela primeira vez e até “Domination” (1995), gostei dos trabalhos de primeira. Aí fica aquela pergunta: o que esse disco tem que todo mundo ama e eu não consigo identificar?



Slayer – “Reign in Blood” (1986)
Mais um vespeiro, pior, maior ainda. Mas, quem me conhece e me acompanha sabe que o motivo de achar “Reign in Blood” um disco bom e nada mais é pelo fato de preferir e amar outros grandes trabalhos do Slayer. No meu caso, “Show no Mercy” (1983), o álbum de estreia, foi paixão à primeira vista e um dos introdutores deste jornalista à música extrema. Já “Seasons in The Abyss” (1990) foi saber que o Slayer não era só velocidade e paulada, além de letras ‘ingênuas’. Portanto, o fato de o clássico absoluto do Thrash Metal (não para mim) “Reign in Blood” ser superestimado fica por conta simplesmente de saber que o Slayer tem trabalhos superiores. Porém, deixo claro, é um disco e tanto.



Mayhem – “De Mysteriis Dom Sathanas” (1994)
Para mim o Mayhem não vive só de música, pra começo de conversa. A cultuada banda norueguesa talvez passasse batido se somente sua música fosse o foco, porém há mais que isso. Tragédias são fatos consumados na banda (e todo mundo das histórias), sem contar as polêmicas fora dos palcos, a postura de seus músicos e principalmente dos fãs. Já a música do Mayhem é simplista até propositalmente, e a banda soou bem mais interessante no meio de sua carreira quando apostou em trabalhos mais versáteis e bem produzidos, quando optou por ser a escória do Metal extremo. A importância de “De Mysteriis Dom Sathanas” para o Black Metal e até para a música extrema em geral é inegável, mas o disco não atingiu este status apenas por sua qualidade musical. Doa a quem doer.



Black Label Society
Das bandas citadas acima, amo o Iron Maiden, amo Slayer, acho Morbid Angel excelente e gosto de muita coisa do Mayhem. Porém, ali a questão foram os trabalhos. Mas, nesta saga que pretendo iniciar aqui na coluna, sempre vou encerrar com uma banda que não me agrada. A premiada para inaugurar o posto é o Black Label Society. Não só a banda, mas nem o músico Zakk Wylde me agrada. Sua fase com o Ozzy só me atrai com o disco “No More Tears” (1991) e definitivamente nada da discografia de sua banda mais renomada (pois ele fez parte de outros projetos) me atraem. Sim, já ouvi quase toda a discografia do Black Label Society, e o estilo dele não me agrada, sua forma de tocar não me convence (aquelas torcidas de cordas me dá nos nervos) e muito menos sua forma de cantar. O estilo americanizado de sua música pra mim não convence, e a sujeira artificial então... Puta banda sem graça. Passo.

NÃO SERÃO PUBLICADOS COMENTÁRIOS ANÔNIMOS.

*Vitor Franceschini é editor do ARTE METAL, jornalista graduado, palmeirense e headbanger que ama música em geral, principalmente a boa. Acha “Vingadores: Guerra Infinita” superestimado também.

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