terça-feira, 6 de novembro de 2018

Riff Raff – “Give the Dead Man Some Water”


(1983 – 2018 – Relançamento – Nacional)

Hellion Records

Hoje a Finlândia pode ser considerada um dos principais celeiros do Heavy Metal. Afinal é de lá que nomes consagrados como Nightwish, Children of Bodom, Stratovarius, entre outros, vêm e colocam o país entre os principais reveladores de grandes talentos no estilo.

Mas, há 35, 40 anos atrás isso não era nem cogitado, até porque Inglaterra e Estados Unidos eram os celeiros do Rock, seguidos pela Alemanha, que se consolidaria como uma das terras mais férteis do Metal de lá pra cá. Portanto, estes finlandeses do Riff Raff podem ser considerados pioneiros.

A banda surgida em 1979, durou cinco anos e este “Give the Dead Man Some Water” (1983) foi seu terceiro e derradeiro álbum. Após ele, somente o single “Dreaming / I'll Be Gone” foi lançado, ainda no mesmo ano. Um desperdício, afinal, a banda tinha muito talento.

Focado no Heavy Metal, este trabalho mostrava-se a frente de seu tempo e também mostra flertes com o Hard Rock e tem muitos arranjos de teclados futuristas para a época, que colocava sua musicalidade em outro patamar. Tudo bem equilibrado e objetivo, mas com riqueza de detalhes.

Muitas vezes as composições nos remetem ao AOR, mas o peso e bom trabalho das guitarras não deixa a coisa tão simples assim. Temos aqui o embrião do que seria o Power Metal, tão difundido hoje nos países escandinavos. Nos temas, muito da vida e também um passo à frente do seu tempo, não soando tão inocentes, como era tão comum na época.

O encarte original nos traz um lado mais amador (talvez inocente) da época, com desenhos bem interessantes ao invés de fotos, o que nos remete aos bons tempos do ‘underground na raça’. Porém, a gravação é profissional e a sonoridade muito boa se considerarmos que foi feita há 35 anos.

Destaque para faixas como Give the Dead Man Some Water (que abre o disco com um refrão pegajoso), Hangman at Dawn que já mostra os ricos arranjos futuristas/AOR, Dark Side que é um Power Metal a lá Running Wild (que aliás, devem ter ouvido os finlandeses) e a intimista Mourning Veil, que fecha o disco de forma sombria. Ainda há um cover para Baba O' Riley, do The Who, que soa bem particular. Muito legal!


8,5

Vitor Franceschini

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