quinta-feira, 21 de março de 2019

Sem Textão: Vote em minha banda




Por Vitor Franceschini

Nos dois meses finais de cada ano e nestes três primeiros meses iniciais, há pelo menos três décadas é muito comum ver veículos especializados abrindo votações de melhores do ano aos seus leitores. Ali se escolhem melhores bandas, músicos, artes de capas, clipes e até os piores, entre outros.

Essa é uma tradição aguardada por muitos dentro do meio metálico e também em veículos culturais diversos. Veículos estes que se expandiram após o surgimento da internet e a nova forma de se comunicar virtualmente. Consequentemente, com isso, outras formas de abordagem surgiram.

Mesmo com resultados um tanto quanto óbvios (o Iron Maiden deve figurar nestas listas desde antes de a banda existir, risos), antigamente essas votações julgavam realmente a qualidade (e deméritos) das bandas e dos artistas, claro que com aquele apelo de fã, que vota mesmo sem ter gostado muito dos trabalhos apresentados por seus ídolos.

Com o advento da internet e das redes sociais, esse tipo de votação mudou um pouco e levemente se assemelhou a eleições (políticas) de fato mesmo. A qualidade dos trabalhos apresentados talvez não esteja nem nos primeiros quesitos e isso virou uma disputa um tanto quanto meio que infantil.

Além das próprias bandas, as assessorias de imprensa especializadas lançam campanhas pedindo votos aos internautas (fãs, seguidores, etc) para que figurem entre os melhores do ano. Não condeno tal ação, mas discordo totalmente da mesma. Afinal, qual melhor forma de angariar votos fazendo um trabalho de qualidade e com profissionalismo? E como figurar entre os melhores do ano por maioria de votos se o artista (banda) sabe que seu trabalho não mereceu isso?

Enfim, acredito que este tipo de ‘campanha’ é mais um ponto de acomodação, que assola muito as bandas e artistas do cenário, e coloca a preocupação com qualidade de trabalhos de forma geral mais abaixo do que já vemos. Propaganda? Pode ser, mas há muitas outras formas de divulgar trabalhos e talvez o mais efetivo e real deles é mostrar talento e qualidade na música apresentada, além, é claro, do profissionalismo que tanto está em falta. Imagina figurar entre os melhores do ano única e exclusivamente pelo resultado alcançado pelo seu trabalho? Deve ser um deleite.

*Vitor Franceschini é editor do ARTE METAL, jornalista graduado, palmeirense e headbanger que ama música em geral, principalmente a boa. Nunca votou no Iron Maiden.

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