segunda-feira, 13 de maio de 2019

Rotten Filthy: "Fazer tudo naturalmente é a melhor maneira"




O Rotten Filhty buscou em seu segundo disco, “The Hierophant”, soar abrangente e inovador e conseguiu. Desde a sonoridade da banda, assim como a temática das letras, passando pela produção sonora e gráfica, conseguiram atingir seu objetivo mesmo mantendo suas características, já apresentadas no primeiro álbum. Para falar sobre isso e muito mais, o baterista Guilherme “Machine” Festinalli conversou com a nossa reportagem. O grupo hoje é completado por James Pugens (vocal), Alex Mentz (guitarra) e sendo que o baixista Marcelo Caminha Filho gravou o disco e saiu da banda de forma amigável.



“The Hierophant”. De uma perspectiva da banda, qual o contexto musical e lírico que o novo álbum do Rotten Filthy traz?
Guilherme Festinalli: Esse novo álbum é um passo à frente, é um caminho que se abriu para gente, pensamos em temas para as letras que não estivessem tão segregados em um subgênero, pensamos em uma sonoridade livre de rótulos, que pudéssemos ter mais liberdade na hora de compor, dando mais razão à música e menos razão para um estilo/gênero predeterminado.  

Em uma conversa em off, com o Guilherme (baterista), ele mencionou algo do tipo que vocês teriam intenção de soar mais abrangente dentro do Metal. Apesar das referências nítidas do Thrash Metal, realmente “The Hierophant” é um disco mais diversificado. Objetivo alcançado?
Guilherme: Totalmente, a gente tenta não repetir a fórmula, aprendemos e ainda estamos desenvolvendo a nossa maneira de compor, mas o objetivo principal é deixar a composição fluir livremente, dar atenção pra letra e desenvolver uma música que esteja sincronizada com a letra.

Para se atingir esse objetivo, como vocês trabalharam no processo de composição do disco desta vez?
Guilherme: Como não somos todos da mesma cidade, nos reuníamos mensalmente, já com as letras prontas, e trazíamos ideias para as músicas, compomos em cima delas, mesmo assim foi bem livre no sentido musical, mas bastante organizado, nos encontrávamos com o objetivo de ter pelo menos uma nova demo gravada, e ficávamos tocando por horas até chegarmos a um consenso.

E quais as principais diferenças do trabalho tanto na concepção, quanto no resultado final em relação ao debut “Inhuman Sovereign” (2015)?
Guilherme: Houve diferenças enormes, como haviam outros membros na banda, também haviam outros objetivos. A meta da banda naquela época era ser uma boa banda de Thrash/Death Metal, e crescer nesse meio. Uma das principais divergências que tivemos com outros membros foi em relação a isso, porque a ideia de se afastar de um gênero mais segregado sempre esteve presente no meu pensamento, mas ainda não tínhamos maturidade suficiente para desenvolver isso.

Musicalmente a variação está praticamente em tudo no álbum, desde os riffs intrincados, passando pelas linhas duras e complexas de baixo, além de uma bateria que procura explorar o máximo possível o seu espaço. Isso gera uma música pesada, quebrada e com viradas insanas. Ou seja, a sonoridade do Rotten Filthy em “The Hierophant” não é direta, mas tem um objetivo. Queria que comentassem isso.
Guilherme: O fato de criarmos as músicas todos juntos deu ênfase a isso tudo, muitas bandas têm apenas um ou dois compositores que já chegam com tudo quase pronto, bateria, etc facilita, mas tira um pouco daquilo que queremos transmitir. Criar dessa maneira ajuda bastante, a gente cria tudo junto e se ajuda, dá opinião nas linhas de baixo, nas viradas de bateria, nas linhas de guitarra, na voz, como um coletivo, achamos que isso é o principal de tudo.



Mesmo diante dessa complexidade, vocês conseguem transmitir essa emoção. Qual o segredo disso?
Guilherme: Fazer tudo naturalmente é a melhor maneira, não tentar ser mais nem menos do que se é, e como citamos antes: o segredo de tudo é tocar junto.

O trabalho conta com a estreia do vocalista James Pugens. Como foi a entrada de James na banda e qual a contribuição dele no trabalho?
Guilherme: O James tinha me convidado para um projeto dele, no qual ele me disse que iria cantar. O nosso ex-baixista, o Marcello tinha se proposto a assumir a voz/baixo porém não se sentiu confortável em cantar e tocar, já que o negócio dele era tocar seu baixo. Então fomos atrás de alguém que pudesse cantar as músicas, me lembrei do James e ele aceitou na hora. Passamos as músicas para ele, fizemos um fim de semana de ensaios e fluiu muito. A principal contribuição do James na minha opinião foi o sentimento que ele conseguiu colocar nas músicas, porque ele não ensaiou as músicas do disco novo com a gente, tínhamos as linhas de voz prontas, passamos para ele e ele chegou e gravou, a ajuda do Boll3t nesse momento foi importantíssima, ele conseguiu extrair o melhor do James naquele momento.

A produção de “The Hierophant” ficou a cargo de Boll3t (Hecatombe), que trabalha com diversos estilos musicais. Como chegaram e como foi o trabalho com ele?
Guilherme: Conhecemos o Boll3t em um workshop de home studio, e ao longo do workshop percebemos que seria muito legal trabalhar com um cara que tava mais preocupado em extrair o melhor da banda do que copiar o timbre de alguma banda, ou usar o máximo de processamento possível para deixar o som da banda mais “ limpo“. E trabalhar com ele foi exatamente isso, não foi uma gravação fácil, porque repetimos várias vezes, tocamos sem click, sem sound replacer ou samples. Tudo o que você escuta no “The Hierophant” é aquilo que você vê ao vivo, inclusive por isso não investimos em uma super produção com muitos recursos tecnológicos. Essa ideia veio do livro do Led Zeppelin, “Quando os deuses caminhavam sobre a terra“, aonde o Jimmy Page falava sobre o primeiro álbum do Led Zeppelin, que ele simplesmente queria gravar tudo aquilo que a banda fazia ao vivo sem muitos overdubs ou coisas do tipo, inclusive achamos que mais pessoas iriam torcer o nariz pro timbre e sonoridade do disco, mas a recepção está bem boa.

A capa de “The Hierophant” é enigmática e foi feita por você. Poderia descrever um pouco ela?
Guilherme: Olha. Foram pelo menos umas 100 horas nessa capa (risos). E uma representação simbólica de várias coisas, as chaves representam muitas coisas, elas abrem e fecham portas, mas quais portas? Portas da imaginação, do olhar que temos sobre as coisas, sobre nós mesmos, portas de prisões sejam elas quais forem, então por isso que temos duas chaves. Uma que abre aquilo que precisamos abrir, e uma que tranca aquilo que precisamos trancar, tudo isso dentro de várias formas, formam outras formas, representando tudo isso. E ainda temos um fundo de pedra, porque aquilo tudo que é gravado nas pedras fica para outras gerações, para outras eras, outras realidades, e de fato a mensagem principal da música e letras do “The Hierophant” é que as pessoas encontrem a luz em si mesmas, encontrem novas formas de enxergar as coisas, e acho que isso precisa ficar gravado nas pedras e não em folhas ou coisas que o tempo apaga.

Já foram oito meses desde o lançamento do novo trabalho. Como a banda o vê atualmente e qual a repercussão geral do disco, aqui e no exterior?
Guilherme: Sinceramente nos impressionamos com a repercussão positiva que teve, eu pensei que muita gente iria torcer o nariz para essa “fuga de padrões” que tivemos no álbum, e está bem legal, a mídia especializada aqui no Brasil está recebendo super bem, e lá fora os comentários tem sido bastante positivos, não só pelo álbum como também pelo clipe, mas sempre que pudermos estaremos expandindo mais essa repercussão.

E qual o próximo passo do Rotten Filthy?
Guilherme: Fazer mais shows, mostrar a força que temos em trio (o nosso baixista Marcello pediu desligamento da banda para se dedicar a música instrumental, então James que também toca baixo assumiu os baixos também) e já estamos desenvolvendo o nosso próximo álbum, em relação ao “The Hierophant”. Temos ainda mais dois clipes de uma série de três a serem lançados, projeto que estou desenvolvendo com uma amiga, que tem feito um trabalho incrível no meio da fotografia (@ojosdeluna.r) para fechar com chave de ouro esse ciclo incrível que tem sido o ciclo do “The Hierophant”.

No mais, obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem aos leitores. 
Guilherme: Muito obrigado pela entrevista e pelo espaço, e aos leitores se quiserem acompanhar a gente nas redes sociais, estamos compartilhando bastante experiências que já vivemos lá no nosso canal do Youtube e acima de tudo  queremos muito tocar no máximo de lugares possíveis, chamem a gente, que vai valer a pena!

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