terça-feira, 11 de junho de 2019

Motörhead - 11/03/1989 (Ibirapuera)




Por Adalberto Belgamo

Ver um dos ídolos, que me levou à paixão pelo Rock e derivados, não tem preço! A tríade “Sexo, Drogas e Rock & Roll” estaria representada por um dos poucos que fizeram (realmente, pois muitos eram - ou são - apenas jogadas de mercado) dela um estilo de vida! Claro que o importante é a música, mas se vem acompanhada de certos aditivos, melhor ainda! (risos). Brincadeirinha, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ou tem? Cada um que tire as próprias conclusões.

Antes de ir para o Ibirapuera, aquela passadinha básica na Galeria do Rock e na Woodstock para abastecer as estantes de vinis (não havia CD, MP3, streaming) e, depois, ficar carregando pacotes por São Paulo, inclusive no show! Havia guarda-volumes, mas e o medo de sumirem com as “economias” de seis meses?

Eu havia marcado de encontrar uma amiga de “correspondência” (lembrem-se que não havia e-mail, muito menos zapzap) no local. Não nos encontramos, lógico. (risos).


Um fato curioso foi o pula-pula de grades. As pessoas, que estavam nas arquibancadas, começaram a pular as grades dos setores. Alguns conseguiram atingir a pista. Os próprios seguranças incentivavam a pular (será que o preço combinado pelo trabalho estava muito baixo? - risos). Quem vos escreve é meio “Caxias”. Não iria participar do ato, mas um segurança malucão me convenceu e ainda segurou os pacotes para eu praticar o ato ilícito! Acabei sentado no setor mais caro ao lado das cadeiras reservadas para as bandas de abertura e produção. Assisti ao show do Motörhead na companhia de Viper e Vodu!

As bandas de abertura ofereceram boas apresentações, apesar da “sacanagem” que fizeram (ainda fazem) com o som. Não sou conhecedor ou fã de Power Metal e/ou Metal Melódico. Respeito muito músicos e bandas, principalmente pela dedicação e estudo musical para compor temas complexos. Já conhecia os grupos e gostava mais do Vodu. No entanto, a apresentação do Viper, em especial do André Matos (RIP), já indicava que de alguma forma o estilo seria grande no país e ele, consequentemente, um dos maiores nomes, reconhecido não apenas no Brasil.



Enfim, Motörhead!
Lemmy God Kilmister! É difícil para um fã descrever a emoção de ver um ídolo. O alto volume, que saia dos PAs, a atitude “badass” e a celebração de um estilo de vida invadiram o ginásio. Nos primeiros acordes de Doctor Rock já dava para perceber que entregariam um Show com “S” maiúsculo mesmo! Sem piedade para os ouvidos!

A banda estava apresentando a turnê do álbum “Rock’n’Roll” (1987), mas não faltaram clássicos, inclusive do álbum anterior, “Orgasmatron” (1986). Lemmy, Phil, Würzel e Campbell mostravam o que era (é) música visceral e o prazer em fazê-la.

Setlist: Doctor Rock, Stay Clean, Traitor, Metropolis, Dogs, I'm So Bad (Baby I Don't Care), Stone Deaf in the U.S.A., Built for Speed, Just 'Cos You Got the Power, Eat the Rich, Orgasmatron, Killed by Death, Ace of Spades.

Voltei no ônibus para ‘Texascoara’ (Araraquara) compreendendo o porquê de o Lemmy e a banda serem respeitados e citados como referência musical e comportamental por diversos artistas de diferentes estilos e épocas. Honestidade e cumplicidade com música, e não apenas um discurso mercadológico.

Os vinis chegarem inteiros! Inté!

*Adalberto Belgamo é professor, atuando no museu (sem ser peça... ainda - risos), colaborador do Arte Metal, além de ser Parmerista, devorador de música boa, livros, filmes e seriados. Um verdadeiro anarquista fanfarrão.

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