Misturar
o Black Metal com outros gêneros não é novidade nenhuma, já que o estilo é o
que mais (ou talvez seja) possui variação dentro do Metal extremo. Formado por
Kaelt (vocal/guitarra), Harvst (vocal/baixo) e Naavl (bateria), os alemães do
Vargsheim investem em uma sonoridade que chama atenção pela tendência vintage
calcada no Classic Rock setentista, mas que não perde o status e a linha Black
Metal característicos de sua música. Isso é ainda mais latente em seu novo
álbum “Erleuchtung”. Conversamos com Kaelt sobre estes aspectos, além de outros
assuntos que apresentam a banda ao público brasileiro. Confira nas linhas
abaixo.
Como foi o processo de composição
de “Erleuchtung”? Vocês ficaram satisfeitos com o resultado final?
Kaelt:
O processo de composição foi longo e durou vários anos, as mais antigas músicas
do álbum têm cerca de 3 ou 4 anos. Então, já as tocamos há um bom tempo nos
ensaios antes mesmo de gravá-las, o que fez com que realizássemos vários
ajustes. Essa é a razão pela qual estamos satisfeitos com as canções e acho que
criamos um álbum muito interessante.
Qual a principal diferença que você
apontaria entre o novo álbum e “Weltfremd” (2010)? Houve mais pressão na hora
de gravar “Erleuchtung”?
K:
Nem um pouco. "Weltfremd" foi lançado pelo nosso último selo
Düsterwald Productions que não existe mais. Quando gravamos
"Erleuchtung" nós não tínhamos um selo por trás da banda, portanto não
tínhamos pressão e nem um tempo certo para terminar o processo. Acho que a
principal diferença é que as músicas são mais estruturadas e mantemos uma
atmosfera. Em "Weltfremd" tivemos muitas influências, velocidades e
estilos nas músicas, em "Erleuchtung" são mais arrumadas e as músicas
são mais cativantes.
A sonoridade da banda, apesar de
focada no Black Metal, também transita pelo Classic Rock e até possui elementos
progressivos. Mesmo assim não perde a característica Black Metal. A que você
acha que deve este fato?
K:
É porque nós escrevemos nossas músicas direto do coração e são ingurgitadas com
o Rock 'n' Roll da nossa infância e o Black Metal da nossa juventude. A característica
ainda é Black Metal, mas deixamos tudo do nosso fluxo de inspirações no
Vargsheim.
Aliás, desde seu surgimento o Black
Metal é um estilo que tem evoluído muito estruturalmente, e algumas bandas,
como Enslaved e o próprio Vargsheim sempre estão inovando no estilo. O que
diria sobre isso?
K:
Eu concordo, Black Metal deve ser um estilo inovador e bandas como Enslaved
sempre encurtou ainda mais as fronteiras. Eles são uma das minhas bandas
favoritas e a inspiração desde os primórdios. Você pode encontrar alguns riffs
na linda do Enslaved em nossas músicas. Mas nunca quisemos imitar uma banda.
Influências e até ídolos são válidos se você não soar apenas como uma pobre
cópia. É importante desenvolver um estilo próprio que pode crescer e não correr
riscos.
Voltando a “Erleuchtung”, temos
guitarras características do Classic Rock dos anos 70, mas que se encaixaram
perfeitamente ao som da banda. Isso soou naturalmente ou foi algo proposital?
K:
Isso foi totalmente intencional e eu estou feliz que você tenha percebido isso.
Minha intenção era que as guitarras tivessem um som carregado e não muito característico,
no entanto, que deveria se encaixar com uma produção de Black Metal. Estou
bastante satisfeito com o resultado, pelo menos, pertencentes às guitarras.
Toda a mixagem poderia ser mais forte, mas ela se encaixa com as músicas e criamos
um álbum coerente em minha opinião.
Além disso, velocidade não é a
prioridade da banda nas composições. Vocês concordam que um som não precisa ser
exatamente veloz para soar extremo?
K: Absolutamente!
Hoje em dia muitas bandas de Black ou Death Metal só se usam de uma velocidade:
rápida, porra! Mas é difícil manter o seu som interessante e como você pode
conseguir uma intensificação se você tocar lá cima o tempo todo!? Eu acho que
há muitos espaços para expressar a menor velocidade de nível que se é
necessário, ainda temos a possibilidade de variar o ‘midtempo’ com a alta
velocidade.
A faixa que dá nome ao trabalho é
instrumental, mas é um dos grandes destaques do trabalho. Fale-nos um pouco
sobre ela.
K: A
música se chama "Erleuchtung", que significa "iluminação".
O conceito do álbum é a busca humana pela iluminação e descontentamento com a
fé. Todas as outras músicas cercam o tema principal, mas "Erleuchtung"
é uma viagem para o eu mesmo, como o caminho para a própria sabedoria. Desde o
início suave para o final épico a música tem um som atmosférico que leva para
esta viagem.
Como tem sido a repercussão do
trabalho até então? Como os fãs e a imprensa especializada o têm recebido?
K: As
reações estão sendo muito positivas. Temos recebido boas opiniões da Metal.de,
Legacy e Rockhard (N.E.: veículos especializados da Alemanha). Alguns gostaram
mais do estilo de nossos registros passados, mas eu acho que nós desenvolvemos
um som mais independente e especial. Demos um grande passo com este álbum e a
maioria das pessoas aprecioaram isso.
E vocês têm divulgado o novo álbum
em shows? Como está a agenda da banda?
K:
Sim, nós fizemos um show em nossa cidade natal Würzburg para o lançamento do
novo trabalho. Espero que venham muitos mais, e podermos apresentar a nossa
música em mais palcos. Nós já tocamos nos festivais Wolfszeit, Metal Barther
Open Air e fizemos shows com Shining, Forgotten Tomb e Verdunkeln.
Podem deixar uma mensagem.
K: Obrigado
por seu interesse no Vargsheim. Vá procurar a iluminação!
Formação:
Kaelt
(vocal/guitarra)
Harvst
(vocal/baixo)
Naavl
(bateria)
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